Um levantamento divulgado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, através do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, indica que quase 50% das exportações brasileiras para os Estados Unidos não serão tarifadas após a nova decisão da Suprema Corte americana considerando o tarifaço ilegal.
A quantidade de produtos taxados fica nesse valor mesmo sob a nova tarifa de 10% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Antes dessas alterações, aproximadamente 22% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano estavam sujeitas a tarifas adicionais de 40% ou 50%”, diz a nota.
O fim do tarifaço acabou com taxas de 46% das exportações, de acordo com a pasta. Esse valor seria o equivalente a cerca de US$ 17,5 bilhões das vendas brasileiras para os EUA em 2025.
“Paralelamente, continuam sujeitas às tarifas impostas com base na Seção 232 os mesmos produtos já anteriormente alcançados por esse instrumento, que correspondem a 29% das exportações brasileiras aos Estados Unidos (US$ 10,9 bilhões). Trata-se de mecanismo de aplicação linear entre países, com incidência delimitada por produto”.
“O novo regime tarifário dos EUA amplia a competitividade de diversos segmentos industriais brasileiros no mercado norte-americano. Entre os setores beneficiados estão máquinas e equipamentos, calçados, móveis, confecções, madeira, produtos químicos e rochas ornamentais, que deixam de enfrentar tarifas de 50% e passam a competir sob alíquota isonômica de 10% (ou 15%)”, segue o texto.
Segundo o governo federal, entre as novidades da mudança da tarifa estão a exclusão de aeronaves, que agora passam a contar com alíquota zero para chegar nos EUA, sendo que antes eram de 10%. Os aviões foram o terceiro maior item de exportação entre os dois países nos últimos dois anos.
Além disso, produtos como pescados, mel, tabaco e café solúvel também passam da alíquota de 50% para 10%.
Apesar disso, aproximadamente 25% das exportações brasileiras para os Estados Unidos continuam impactadas pela ordem executiva do governo do presidente Donald Trump que alterou o regime tarifário aplicado às importações no país.
O comércio entre Brasil e Estados Unidos foi de US$ 82,8 bilhões em 2025, valor 2,2% maior do que em 2024.
As exportações brasileiras totalizaram US$ 37,7 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 45,1 bilhões, levando a um déficit comercial de US$ 7,5 bilhões.
Documentos oficiais apontam que nova taxa global de Trump é de 10%, e não de 15% como anunciado
Apesar do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado que entraria em vigor na terça-feira (24) uma nova tarifa de 15% contra produtos importados para os EUA, e também a ordem executiva informar esse valor, documentos oficiais analisados pela imprensa americana e pela BBC indicam que o valor é, na verdade, de 10%.
Na sexta-feira (20), após a Suprema Corte ter derrubado a maior parte da agenda tarifária de Trump, ele anunciou que implementaria rapidamente uma tarifa fixa de 10% para todos os parceiros comerciais, utilizando uma legislação comercial diferente.
Um dia depois, Trump publicou no Truth Social que, ‘com efeito imediato’, ele aumentaria a tarifa mundial de 10% para o nível totalmente permitido e legalmente testado de 15%.
Segundo a lei comercial que o governo está agora adotando, chamada Seção 122 , tarifas de até 15% podem ser aplicadas rapidamente, mas apenas por um período máximo de 150 dias.
Horas antes da entrada em vigor da ampla tarifa, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA enviou um memorando informando os importadores de que a taxa seria inicialmente de 10% e que se aplicaria a ‘todos os países por um período de 150 dias, a menos que estivessem especificamente isentos’, a partir das 00h01 (horário do leste dos EUA) de terça-feira.
Uma fonte informou à NBC News que o governo estaria trabalhando para aumentar até 15%, mas seria em uma ordem separada que Trump precisará assinar. Não há uma data para quando isso ocorreria.
Em consequência da incerteza com as novas tarfias, a UE suspendeu, na segunda-feira (23), a implementação de um amplo acordo comercial firmado com Trump no verão passado.
Outros parceiros comerciais, como a Índia, a China, a Suíça e o Reino Unido, também estão avaliando o que fazer.
A maioria dos acordos comerciais que o governo Trump e parceiros comerciais estrangeiros firmaram desde o início do ano passado foram realizados sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, a lei de 1977 que a Suprema Corte considerou ter sido usada indevidamente por Trump ao impor tarifas abrangentes no ano passado
Fonte: CBN





