ARACAJU/SE, 28 de fevereiro de 2026 , 18:58:23

Educação básica brasileira registrou queda recorde de matrículas em 2025

 

O cenário da educação básica no Brasil em 2025 é marcado por um recuo histórico. Com um total de 46 milhões de alunos matriculados, o país registrou uma queda de 2,3% em relação ao ano anterior — o declínio mais acentuado dos últimos dez anos.

Os números fazem parte do Censo Escolar 2025, apresentado pelo Ministério da Educação (MEC) em entrevista coletiva realizada em Manaus (AM). Os indicativos foram levantados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), autarquia ligada à pasta.

Esse movimento foi impulsionado, principalmente, pelo encolhimento expressivo no Ensino Médio, que viu seu número de estudantes reduzir 5,4% em apenas um ano.

Dois estados, no entanto, indicaram números positivos em relação ao índice de matrículas: Roraima e Santa Catarina conseguiram apresentar crescimento no total de suas redes.

Em meio à tendência de retração observada pelo censo, sete estados — São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pará, Paraná e Pernambuco — responderam por 75% da queda total de matrículas. São Paulo lidera esse índice negativo, sendo sozinho responsável por 37,2% da redução nacional.

Queda de matrículas no Ensino Médio

Os números mostram que, em 2024, o Brasil tinha 6,7 milhões de alunos matriculados no Ensino Médio da rede pública. Um ano depois, o censo indica 425 mil matrículas a menos, totalizando recuo para 6,3 milhões de estudantes. Rio Grande do Sul, Pará, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo são os estados que tiveram maior redução do número de matrículas, segundo o documento.

Lupa sobre dados

O detalhamento dos números, no entanto, traz uma camada de interpretação que vai além da simples evasão. Segundo Fábio Pereira Bravin, coordenador-geral de controle de qualidade e de tratamento da informação do Inep, a redução no Ensino Médio é um reflexo direto da correção de fluxo e da demografia.

Bravin afirmou que a queda na população em idade escolar, somada à redução da retenção (menos alunos repetindo de ano), indica um sistema mais ágil. “Provavelmente eles progrediram e concluíram a educação básica”.

Mais do que o volume de alunos, o Inep agora estreia uma lupa sobre a qualidade dessa formação. Pela primeira vez, o Censo Escolar sistematizou dados que permitem rastrear os itinerários formativos — tanto os de aprofundamento quanto o técnico-profissional.

Na visão de Bravin, essa modelagem é um divisor de águas estatístico: “Agora conseguimos olhar para o aluno do Ensino Médio e entender, de fato, o que ele está cursando”, disse o coordenador, destacando que 2024 marca o primeiro ano de monitoramento minucioso dessa nova arquitetura do ensino brasileiro.

Redução não compromete acesso à sala de aula, defende MEC

Em sintonia com a análise técnica de Bravin, o ministro da Educação, Camilo Santana, reforçou que a oscilação nos registros não compromete a universalização do ensino.

“O atendimento à educação básica permanece em um patamar superior a 90%. É preciso deixar claro que a redução no número de matrículas é um reflexo direto da mudança demográfica e do ajuste de fluxo, mas o acesso está garantido”, explicou.

Queda na primeira infância

Além disso, o sinal de alerta acende para a primeira infância. Pela primeira vez desde o período da pandemia, as matrículas em creches estagnaram, totalizando cerca de 4,18 milhões de registros. A situação é ainda mais crítica na pré-escola, que teve uma redução de 3,8% no número de alunos em comparação a 2024.

Aumento de matrículas em tempo integral

Na contramão da queda geral, o setor público respira com o aumento das matrículas em tempo integral e a expansão contínua da Educação Profissional e Tecnológica (EPT). O ensino técnico, inclusive, atingiu novamente o maior patamar de sua série histórica, consolidando-se como uma tendência de escolha entre os jovens.

Fonte: CNN Brasil

Foto: Sumaia Vilela/Agência Brasil

 

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