Política

Em resposta a Lula, Flávio Bolsonaro fixa condições para liberar sigilos

21/10/2026 às 18:10

 

O candidato à Presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, apresentou, nesta quarta-feira (21), uma petição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em resposta ao desafio de quebras de sigilo lançado nesta semana pelo presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No documento, endereçado ao ministro André Mendonça, Flávio diz aceitar abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, além de dados de seus familiares citados e de empresas de sua propriedade.

No entanto, como condição para isso, impõe que o petista faça o mesmo, ampliando os objetos das quebras de sigilos (leia mais aqui).

Na véspera, Lula havia protocolado um documento no TSE declarando “autorizar” a abertura de seus sigilos e de seus familiares nos últimos 8 anos, condicionando o ato à reciprocidade do adversário.

Para a defesa de Flávio Bolsonaro, no entanto, a proposta inicial de Lula seria uma “promessa vazia” e uma “quebra para inglês ver”, argumentando que eventuais irregularidades do adversário estariam ocultas em nomes de terceiros, laranjas e empresas, e não em suas contas diretas.

“O pedido de Lula é uma verdadeira aberração jurídica. Não pede nada ao Tribunal, não se encaixa em nenhum tipo de processo e depende da vontade de quem nem sequer é parte. Também é desnecessário, porque, caso o candidato estivesse realmente preocupado em levar a verdade aos eleitores, poderia, ele próprio, divulgar os extratos”, afirmam os advogados na peça.

As condições impostas por Flávio

Na petição apresentada no TSE, o senador condiciona o levantamento de dados a exigências que abrangem tanto o período em que Lula exerceu mandatos anteriores quanto a atual gestão federal. Entre as principais exigências feitas pela campanha de Flávio Bolsonaro estão:

– Sigilos de assessores próximos: apresentação de termos de autorização de quebra de sigilo de assessores, como Marco Aurélio Santana Ribeiro, o “Marcola”, ex-chefe de gabinete.

– Empresas de familiares e sócios: abertura de contas e sigilos de empresas ligadas a familiares do presidente, incluindo sociedades do filho Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, negócios recentes no exterior, empresas de outros filhos, além do Instituto Lula e da empresa L.I.L.S. Palestras desde o ano de 2003.

– Caso Master: divulgação integral de registros de visitantes no Palácio do Planalto e detalhes da reunião mantida entre Lula e Daniel Vorcaro em dezembro de 2024.

– INSS: esclarecimentos sobre as relações do governo com a lobista Roberta Luchsinger, registros de suas entradas em palácios presidenciais e voos na Força Aérea Brasileira (FAB), e a quebra de sigilo do sindicalista Frei Chico, irmão de Lula.

– Cartão corporativo: abertura de todos os gastos do cartão corporativo da Presidência da República desde janeiro de 2023, e de agendas institucionais da primeira-dama, Janja, desde o primeiro ano de mandato.

Na petição, Flávio Bolsonaro diz que “quem não deve, não recorta” e que o pedido feito por Lula, às vésperas do segundo turno, exige transparência total. Ele também critica o que classifica como um “factóide” da campanha do petista.

O candidato do PL pede ainda que o TSE intime Lula a dizer se aceita as condições e, em caso negativo, que seja registrado no processo que o petista recusou a proposta.

Flávio nega ser sócio de Tomaz em empresa

No documento enviado ao TSE, Flávio diz que não é sócio, administrador nem beneficiário da Alcazar Holdings, empresa do advogado e amigo do candidato do PL Willer Tomaz.

Flávio diz que, por isso, não tem dados bancários e fiscais da empresa.

Flávio Bolsonaro foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária pertencente à referida empresa de Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro. Nessa terça-feira (20), Lula defendeu a quebra dos sigilos da Alcazar Holdings.

Flávio é alvo de dois inquéritos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). Um deles, sobre lavagem de dinheiro, investiga a relação do candidato do PL com o advogado Willer Tomaz.

O outro inquérito trata do financiamento de “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Essa investigação apura negociações envolvendo recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção do filme.

A defesa do senador tem negado irregularidades nas investigações, afirmando que não há envolvimento em ilícitos e criticando a divulgação de peças sigilosas durante o período eleitoral.

Campanha de Lula diz não se opor a condições de Flávio Bolsonaro

Coordenadores da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmaram, nesta quarta-feira (21), que o petista não se opõe às condições colocadas pelo seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), para autorizar a quebra de sigilos.

Segundo o coordenador político da campanha de Lula, senador Camilo Santana (PT-CE), Flávio Bolsonaro fez as condicionantes como forma de “manobra”.

“Todas as condicionantes a única resposta é que o presidente não se opõe em absolutamente nada que ele colocou, com tanto que ele faça”.

Camilo Santana disse ainda que a campanha de Lula vai ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 11h desta quinta-feira (22) protocolar a resposta ao senador Flávio Bolsonaro.

“Se não tem nada a dever, que ele cumpra o que o presidente propôs. Presidente não tem nada a se opor a que ele colocou condicionantes. Amanhã às 11h estaremos no TSE para protocolar a resposta do presidente e é o prazo para ele estar la também”, disse Santana.

Fonte: G1

← AnteriorSeleção Brasileira Feminina empata com Gana por 3…Próximo →É enviada ao Congresso Nacional PEC de tarifa…