Economia

Endividamento das famílias limita consumo e amplia uso de crédito alternativo

10/09/2026 às 12:36

 

O alto endividamento das famílias brasileiras e o custo elevado do crédito pressionam o orçamento doméstico e reduzem o espaço para o consumo. Em março de 2026, 29,3% da renda das famílias estava comprometida com o pagamento de dívidas, segundo o Banco Central, próximo do recorde de 29,6%. Em julho, 83,9 milhões de brasileiros estavam inadimplentes, conforme a Serasa, enquanto o endividamento geral das famílias chegou a 49,8%.

O cenário ocorre em meio à Selic de 14% ao ano e à inflação acumulada em 12 meses de 4,44%, fatores que reduzem o poder de compra e pressionam principalmente as classes C e D. Na classe média, o efeito aparece na desaceleração das compras de bens duráveis.

“O impacto direto dessa conjuntura é que uma fatia expressiva do orçamento familiar já nasce comprometida com o serviço da dívida. Ao subtrair o custo com juros e parcelas anteriores, resta uma margem financeira reduzida para despesas essenciais e compras do dia a dia, o que retrai o consumo e desacelera a atividade econômica”, analisa Daniela Monteiro, professora de Economia da EAD UniCesumar.

Crédito alternativo ganha espaço

Com a renda comprometida e limites menores no cartão, modalidades como Pix parcelado e carnê digital ganham espaço no varejo. Segundo o Global Payments Report, essas alternativas já representam 42% do volume transacionado no comércio eletrônico brasileiro. Levantamentos da CNDL e do Varejo Finance Report também apontam avanço do crediário próprio digital.

“Essas modalidades dão flexibilidade operacional ao orçamento doméstico e mantêm a circulação de vendas, mas transferem a renda futura do consumidor para o pagamento de compromissos anteriores. O acúmulo de pequenas parcelas reduz a percepção do gasto total acumulado, o que demanda maior controle orçamentário para evitar o avanço da inadimplência”, afirma Daniela Monteiro.

Varejo adapta preços e crédito

Com o consumidor mais cauteloso, as compras para o Dia do Cliente tendem a priorizar itens funcionais e de necessidade, especialmente quando há descontos. Para acompanhar esse comportamento, empresas diversificam faixas de preço, redimensionam embalagens, oferecem descontos para pagamentos à vista e utilizam análises automatizadas de crédito para definir condições de parcelamento.

“O resultado das operações no varejo depende do equilíbrio entre a atração do cliente e a capacidade de recebimento. Ampliar os prazos sem a devida checagem de risco pode elevar o faturamento nominal e, simultaneamente, prejudicar o fluxo de caixa caso a taxa de inadimplência aumente”, conclui a professora

*Com informações Assessoria de Imprensa.

 

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