Educação

Enem 2026 também será usado para avaliar a qualidade do ensino médio, afirma ministro da Educação

07/11/2026 às 11:33

 

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, participou do programa Sem Censura, da TV Brasil. Durante a entrevista, o ministro abordou as novidades do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, que passa a integrar o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), além de iniciativas para ampliar o acesso e a permanência dos estudantes na educação. Também foram discutidos os resultados do programa Pé-de-Meia e os estudos para possíveis mudanças no formato do exame a partir de 2028.

Com mais de 5 milhões de inscrições confirmadas, o Enem 2026 será aplicado nos dias 8 e 15 de novembro. A edição deste ano mantém as regras e a estrutura das provas anteriores, mas incorpora uma nova função: utilizar os resultados para produzir um diagnóstico mais amplo da aprendizagem dos estudantes que concluem o ensino médio.

Enem também avaliará a qualidade do ensino médio

Ao explicar a integração do exame ao Saeb, Barchini afirmou que a mudança permitirá ao Ministério da Educação (MEC) e às redes estaduais de ensino ter um retrato mais completo da aprendizagem dos estudantes. Até então, a avaliação realizada no último ano do ensino médio era feita por meio de uma prova específica, que será substituída pelo Enem.

“Agora nós vamos adotar o Enem, vamos fazer uma equivalência desses exames para adotar a mesma série histórica e utilizar o Enem como um exame que também vai avaliar a educação básica brasileira. E com uma novidade também: a Prova Brasil só avaliava português e matemática, o Enem avalia todas as competências necessárias para o ensino médio”, explicou.

Segundo o ministro, os resultados poderão orientar a elaboração de políticas públicas e ajudar as escolas a identificarem os pontos que precisam de melhorias. A avaliação também permitirá reconhecer experiências bem-sucedidas e apoiar as redes de ensino na busca por melhores resultados.

Barchini esclareceu que a nova utilização não altera a participação dos candidatos nem o aproveitamento das notas para ingresso no ensino superior. “Essa prova não tem nenhuma mudança estrutural diferente da prova do ano passado. O que a gente fez foi, internamente, equalizar essa prova com a Prova Brasil, que a gente usava para medir a qualidade e a proficiência dos estudantes no ensino médio”, afirmou.

Enem amplia oportunidades de acesso à universidade

Durante a entrevista, o ministro Leonardo Barchini também falou sobre a importância do exame como política pública de democratização do acesso à educação superior. Por meio de uma única prova, os participantes podem concorrer a vagas em instituições públicas e privadas, utilizando a nota em diferentes processos seletivos.

Na ocasião, o ministro citou o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que oferece mais de 275 mil vagas em universidades e institutos federais e em outras instituições públicas; o Programa Universidade para Todos (Prouni), com mais de 590 mil bolsas; e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), com mais de 100 mil oportunidades de financiamento.

“É por isso que a gente mudou radicalmente, a partir de 2009, quando começou o Enem, a forma de acesso, mas, principalmente, a possibilidade de você ter mais equidade no acesso ao ensino superior. O vestibular tradicional, como a gente fez, era algo muito excludente”, avaliou.

O ministro também lembrou que o exame passou a oferecer uma possibilidade de certificação do ensino médio para pessoas que não concluíram essa etapa da educação básica. Além disso, apresentou o aplicativo gratuito MEC Enem, desenvolvido para apoiar a preparação dos estudantes, com exercícios de edições anteriores, aulas interativas e recursos de inteligência artificial para auxiliar na avaliação de redações.

Mudanças no Enem a partir de 2028

Questionado sobre possíveis alterações no formato do exame, Barchini esclareceu que não haverá mudanças na edição de 2026. O MEC, por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), estuda alternativas para a prova de 2028, especialmente em relação à avaliação da escrita e da compreensão de textos.

Entre as possibilidades em análise estão a aplicação de questões discursivas e a produção de textos menores, em diferentes etapas da prova. As propostas ainda estão em estudo e não foram apresentadas como mudanças definitivas.

Atendimento especializado e orientações para o Enem

A participação no programa também abordou a inclusão de estudantes que necessitam de atendimento especializado durante a aplicação do exame. O ministro explicou que os participantes podem solicitar os recursos de acessibilidade no momento da inscrição, de acordo com suas necessidades.

Neste ano, uma das novidades é a possibilidade de acompanhantes familiares auxiliarem estudantes com determinadas condições, inclusive em situações que envolvam o deslocamento ao banheiro durante a prova.

Barchini também orientou os participantes a consultarem antecipadamente o Cartão de Confirmação de Inscrição, disponível na Página do Participante, para verificar o endereço e a sala de aplicação. Os portões serão abertos ao meio-dia e fechados às 13h, no horário de Brasília.

Enem 2026 amplia locais de aplicação do exame

“Eu não preciso me deslocar para outro lugar. Não preciso me preocupar tanto com transporte, trânsito e acabar atrasando”. Para a estudante Maria Eduarda, de 18 anos, fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 na própria escola representa mais tranquilidade em um momento importante. Aluna do Centro de Ensino Médio Ave Branca, em Taguatinga (DF), ela realizará as provas na instituição onde já conhece os espaços, os caminhos e a rotina.

A experiência de Maria Eduarda reflete uma das mudanças desta edição do Enem: a ampliação dos locais de aplicação. São cerca de 10 mil novos pontos em todo o país, com a estratégia de aproximar o exame dos participantes e facilitar o acesso às provas. A estimativa divulgada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) é de que aproximadamente 80% dos estudantes concluintes do ensino médio da rede pública realizem o exame na própria escola em que estudam.

A medida busca reduzir a necessidade de deslocamentos, especialmente para quem mora longe dos locais tradicionalmente utilizados para a aplicação. Além de facilitar a organização dos participantes, a proximidade pode contribuir para que os estudantes cheguem com mais tranquilidade nos dias de prova.

Para Maria Eduarda, conhecer o percurso até o local de aplicação faz diferença. “Eu já sei o percurso, já sei o horário dos ônibus, já sei tudo certinho. É um percurso familiar para mim. Além de já conhecer as salas e o ambiente escolar, eu me sinto muito mais segura. Acho que até evita a minha ansiedade, diminui a minha ansiedade”, conta.

O Enem 2026 será aplicado nos dias 8 e 15 de novembro, nas 27 unidades da Federação. No primeiro dia, os participantes farão a prova de redação e responderão às questões de linguagens, códigos e suas tecnologias e de ciências humanas e suas tecnologias.

No segundo dia, será a vez das provas de ciências da natureza e suas tecnologias e de matemática e suas tecnologias. Cada área do conhecimento terá 45 questões.

Fonte: MEC

 

 

 

 

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