A forma como as pessoas se relacionam com a atividade física vem passando por uma mudança significativa. Se antes a motivação estava ligada quase exclusivamente à estética ou à performance, hoje a prioridade é saúde, qualidade de vida e bem-estar. O exercício passou a ser entendido como ferramenta de prevenção, capaz de melhorar o sono, reduzir o estresse, fortalecer a imunidade e até prevenir doenças crônicas.
Nesse contexto, os treinos personalizados ganham espaço, oferecendo programas adaptados ao histórico clínico, ao nível de condicionamento e às necessidades emocionais de cada aluno. Mais do que uma tendência do mercado fitness, trata-se de um reflexo da busca por práticas mais humanas e eficientes, que ajudam a tornar a atividade física parte da rotina de forma prazerosa e sustentável.
Para aprofundar esse debate, o Correio de Sergipe conversou com Felipe Garcez — educador físico, nutricionista, mestre em Ciências da Nutrição, empresário e idealizador da Cacto Experience, primeiro social fitness de Sergipe — que compartilha sua visão sobre como a personalização e a integração de serviços estão transformando a forma de cuidar do corpo e da mente.
Correio de Sergipe – O mercado fitness tem se transformado, com a saúde preventiva ganhando espaço em relação à estética e à performance. Como você avalia esse movimento e de que forma ele impacta a adesão das pessoas aos treinos?
Felipe Garcez – Essa mudança mostra um amadurecimento na forma como enxergamos o exercício. Antes, o foco principal era estética, depois performance. Hoje, a prioridade é saúde e bem-estar, o que torna a adesão mais natural. O aluno percebe que treinar melhora o sono, o humor, a disposição e até a produtividade. Além disso, quando se sente acolhido e parte de uma comunidade, cria um vínculo afetivo com a prática, o que fortalece a frequência e faz da atividade física algo prazeroso e duradouro.
CS – O treinamento personalizado tem sido apontado como tendência global, justamente por unir prevenção de lesões, apoio no controle de doenças crônicas e benefícios para a saúde mental. Qual a sua visão sobre esse papel ampliado da atividade física?
Felipe – Personalizar é essencial. Tudo na vida ganha mais sentido quando é pensado para aquela pessoa, e com o exercício não é diferente. Um treino individualizado respeita a história, os objetivos e até o estado emocional do aluno. Isso gera eficiência, porque ele conquista resultados em menos tempo e de forma segura. O mais importante é que o aluno perceba que não está recebendo um treino replicado, mas algo que foi construído para ele. Esse cuidado aumenta a motivação, fortalece o vínculo com a prática e, consequentemente, amplia os benefícios para saúde física e mental.
CS – A tecnologia já é parte do cotidiano de quem pratica exercícios, com aplicativos, relógios inteligentes e inteligência artificial. De que maneira esses recursos podem potencializar o acompanhamento?
Felipe – A tecnologia trouxe uma revolução. Hoje conseguimos acessar dados como frequência cardíaca, gasto calórico e qualidade do sono, que antes eram difíceis de monitorar. Essas informações permitem ajustar os treinos em tempo real, tornando-os mais assertivos. Quando cruzamos esses dados com a escuta ativa do aluno, conseguimos entender não só a parte fisiológica, mas também aspectos emocionais, como motivação e energia. Isso torna o acompanhamento mais completo e próximo da realidade de cada praticante.
CS – O treino personalizado também vem sendo associado à integração de serviços, unindo modalidades diferentes e acompanhamento de saúde em um mesmo espaço. Como essa abordagem contribui para quem busca qualidade de vida?
Felipe – Essa integração facilita a rotina e amplia os resultados. Quando a pessoa pode treinar, ter acompanhamento nutricional e até fisioterapêutico em um mesmo lugar, ela passa a enxergar a saúde de forma global. Além disso, é possível atender diferentes perfis dentro de uma mesma família: um pode preferir pilates, outro esportes coletivos e outro o treino individualizado. Essa diversidade ajuda a transformar a prática em um hábito natural e sustentável, não em uma obrigação isolada.
CS – Sergipe tem sediado corridas de rua e até o Ironman, o que mostra um crescimento do interesse por atividade física. Como você vê esse cenário local?
Felipe – Esses eventos têm um impacto enorme porque incentivam a população a se movimentar mais. O Ironman em Aracaju, por exemplo, mostrou o quanto as pessoas se sentem motivadas quando vivenciam de perto uma grande prova. Além do estímulo, eles exigem que os participantes se preparem de forma adequada para chegar bem no dia da competição, seja em corridas de rua ou em desafios maiores. Isso reforça a importância de treinar com acompanhamento correto, seguro e prazeroso. No fim, todos ganham: o atleta, que melhora o desempenho e evita lesões, e o evento, que recebe pessoas mais bem preparadas.