O Corinthians é o primeiro finalista da história da Copa dos Campeões Feminina da FIFA 2026™. Nesta quarta-feira, 28 de janeiro, o Timão venceu o Gotham FC (EUA) por 1 a 0 na semifinal do torneio em Londres, na Inglaterra, e se classificou para a grande decisão (cujo adversário será definido ainda hoje).
De um lado, estava o tradicional Corinthians, o maior campeão da CONMEBOL Libertadores Feminina com seis conquistas; do outro, aparecia o jovem e inspirador Gotham FC, dos EUA, atual vencedor da Copa dos Campeões Feminina da Concacaf. Dois gigantes continentais que por muito tempo sonharam em disputar uma competição intercontinental feminina entre clubes para medir forças e definir seus lugares no pódio do mundo.
Um duelo apimentado pelo reencontro de Gabi Portilho com o Corinthians, seu ex-clube pelo qual foi multicampeã. No entanto, quem encontrou o gol foi uma xará dela: Gabi Zanotti, capitã e ídolo corintiana, fez um belo gol aos 38 minutos do segundo tempo e decidiu o jogo.
Assim, o Corinthians deu um passo maior na busca pelo título inédito e, agora, jogará a final em 1º de fevereiro, no Estádio do Arsenal. O adversário delas na decisão será definido ainda hoje, no confronto entre Arsenal (Inglaterra) e ASFAR (Marrocos) – quem perder enfrentará o Gotham na disputa pelo terceiro lugar no mesmo dia.
O campeão só será conhecido no domingo, mas o Corinthians já avisou que quer chocar o mundo.
O jogo
Um torneio sonhado por tantos anos só poderia resultar nisso: intensidade no primeiro jogo do ano das duas equipes, marcação com pressão alta das atacantes, pressa para recuperar a bola, passes rápidos, chutes venenosos e torcedores apaixonados – particularmente, o público do Corinthians cumpriu a promessa de “invadir” Londres e levou uma amostra da loucura da Fiel Torcida para a Copa dos Campeões Feminina da FIFA™, com direito ao famoso “Poropopó” alvinegro que acabou imitado pelas crianças inglesas presentes no estádio.
Em campo, porém, quem começou mostrando suas armas foi o Gotham, primeiro em descidas pela direita com a lateral brasileira Bruninha. No entanto, neste início de domínio norte-americano, as jogadoras foram sempre travadas pelas corintianas no momento de finalizar, como foi com Rose Lavelle. E Gabi Portilho, ex-Corinthians, tinha marcação individual pesada das alvinegras Duda Sampaio, Leticia Teles e Thais Ferreira.
O Corinthians precisou de pouco mais de cinco minutos para encontrar seu ritmo de jogo, mas, quando conseguiu, quase levou o seu “Bando de Loucos” à completa insanidade. Gabi Zanotti acionou Jaque Ribeiro pela direita, pronta para cruzar para Belén Aquino arriscar de primeira para o gol. A goleira Ann-Katrin Berger não precisou defender, mas viu a bola passar perto. Poucos minutos depois, Jaque Ribeiro foi de “quase assistente” para “quase artilheira” ao se livrar de duas marcadoras dentro da área e tentar o chute travado.
Do outro lado, os primeiros grandes sustos vieram com falhas individuais. A princípio, a zagueira Leticia Teles acabou entregando a bola para Rose Lavelle, que tentou um toque de cobertura para aproveitar que Lelê, a goleira Letícia, estava fora do gol corintiano; mas, para o alívio das brasileiras, a bola foi para fora. Pouco depois, foi a vez de a própria Lelê errar um passe na saída de bola e dá-la de presente para Lavelle – a sorte do Corinthians foi a falta de pontaria da craque do Gotham neste chute específico.
O clube norte-americano não contou com a mesma sorte quando Andressa Alves chutou para o gol em dois lances diferentes, mas contou com a defesa segura da goleira Berger, aos 20, e com a intervenção cirúrgica da zagueira Jess Carter aos 21 minutos. Este segundo lance teve um ótimo pivô da capitã Gabi Zanotti, e as construções ofensivas do Corinthians tinham um acréscimo de qualidade quando a craque estava envolvida. O melhor ainda estaria por vir com o protagonismo dela (leia alguns parágrafos abaixo).
Por enquanto, o texto ainda precisa voltar sua atenção para o outro lado do campo. Na marca dos 35 minutos, Midge Purce superou a marcação de Tamires e chutou, tirando tinta do travessão de Lelê. A partir deste ponto, o Gotham passou a levar a melhor na maioria das disputas físicas, apesar da saída de Gabi Portilho no início do segundo tempo por dores – encerrando a história individual de seu reencontro com o Corinthians.
Purce seguiu perigosa pela direita na etapa final da partida, chegando à linha de fundo com facilidade e ajudando Katie Stengel com um passe que quase resultou em gol. Mas foi depois de uma jogada venenosa de Purce que tudo mudou. O cruzamento da jogadora do Gotham aos 36 minutos do segundo tempo gerou o contra-ataque que o Corinthians queria, e desta vez com uma vitória simbólica de Tamires sobre sua adversária individual.
Afinal, foi Tamires quem fez o lançamento para Gabi Zanotti, que dominou dentro da área com sua excelente habilidade de pivô e chutou de canhota, com grande categoria. A finalização seguiu a 62 quilômetros por hora – embora tenha parecido em câmera lenta para a torcida do Corinthians –, mas entrou caprichosamente no cantinho do gol. Um golaço de uma capitã que se descreve como extremamente competitiva, contagia as companheiras com esse espírito, se entrega pelo trabalho tático da equipe e protagoniza os momentos certos.
A perigosíssima falta batida por Jaedyn Shaw aos 58 minutos do segundo tempo (no 13º minuto de acréscimos!) certamente testou a saúde cardíaca da torcida brasileira, tirando tinta da trave com a presença da goleira Berger na área para atrapalhar a visão da arqueira do Corinthians, mas nada tirou do Timão a vitória.
Fonte: FIFA
Foto: Adrian Dennis/AFP





