Saúde

EUA e Brasil tornam-se os primeiros países que aprovam remédio para câncer de pulmão avançado com mutação específica

19/10/2026 às 18:44

 

O Brasil se tornou o segundo país do mundo —após os Estados Unidos — a aprovar um novo tratamento para câncer de pulmão avançado. O aval foi dado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e publicado ontem pelo Diário Oficial da União.

Trata-se do telisotuzumabe vedotina, uma terapia-alvo indicada para o tratamento de pacientes adultos com câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) não escamoso, localmente avançado ou metastático, com alta superexpressão da proteína c-Met1, que receberam tratamento prévio. O tratamento foi desenvolvido pela AbbVie, uma biofarmacêutica global de origem americana.

A aprovação representa um novo avanço no tratamento do câncer de pulmão no país, em especial par os casos avançados, que representam cerca de 75% dos diagnósticos da doença e cujas possibilidades de tratamento são limitadas. De acordo com informações dos Centros Nacionais de Saúde dos EUA (NIH, na sigla em inglês), o câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) não escamoso representa a maioria dos casos de câncer de pulmão (cerca de 80% a 85% do total) e engloba principalmente subtipos como o adenocarcinoma (câncer diagnosticado no papa Leão XIV), além de carcinomas de grandes células.

No CPNPC não escamoso avançado com EGFR selvagem, ou seja, que não apresenta as mutações específicas conhecidas como mutações ativadoras do receptor, a superexpressão de c-Met está presente em aproximadamente 25% dos pacientes e está associada a pior prognóstico. O novo tratamento é um anticorpo droga conjugado (ADC), ou seja, um medicamento que funciona como um sistema de entrega direcionada. O anticorpo reconhece a proteína c-Met, presente na superfície de determinadas células, e transporta até elas uma substância capaz de matá-las.

Resultados da última etapa de testes clínicos mostraram que entre os pacientes com alta expressão de c-Met, a taxa de resposta objetiva (porcentagem de pacientes cujo tumor diminuiu de tamanho ou desapareceu) após o tratamento foi de 34,6%, com duração mediana da resposta de 9 meses e sobrevida global mediana de 14,6 meses. Nos EUA, a terapia recebeu aprovação acelerada da FDA.

“Esta aprovação representa um avanço importante para pacientes com CPNPC localmente avançado ou metastático, pois oferece uma nova opção de tratamento para pessoas com um perfil específico de biomarcadores que já receberam terapia sistêmica. As terapias-alvo são uma parte importante da oncologia de precisão, pois são desenvolvidas para atuar sobre características moleculares definidas das células tumorais.”, afirma Fernando Mos, diretor médico da AbbVie Brasil, em comunicado.

Câncer de pulmão

O câncer de pulmão é o segundo tipo de tumor mais comum no país. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 35.380 novos casos por ano de câncer de pulmão no Brasil durante o triênio de 2026 a 2028.

Em 2024, foram registradas mais de 32 mil mortes por câncer de traqueia, brônquios e pulmão no país. No cenário global, o câncer de pulmão permanece como a principal causa de morte por câncer, com quase 2,65 milhões de novos casos e mais de 1,8 milhão de mortes estimados em 2024.

A alta mortalidade da doença está associada ao fato de a maior parte dos diagnósticos serem realizados em estágios mais avançados, quando a doença apresenta maior complexidade. O tabagismo é responsável por cerca de 90% dos diagnósticos desse tipo de tumor. Entretanto, casos em não fumantes têm se tornado mais comum nos últimos anos e chamado a atenção de especialistas.

Ainda não está muito claro para a medicina quais são as causas do câncer de pulmão nessa população. Alguns fatores que sabidamente aumentam o risco da doença, além do tabagismo, são: fumo passivo, poluição, exposição a substâncias nocivas, como o radônio, pó de vidro e amianto, e histórico familiar. Infecções pulmonares crônicas e doenças pulmonares, como doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), também parecem aumentar o risco.

Fonte: O GLOBO

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