Fiscalização identifica desmatamento ilegal na Grota do Angico, em Sergipe

Uma ação conjunta de fiscalização ambiental identificou supressão irregular de vegetação nativa da caatinga dentro do Monumento Natural Grota do Angico, em Poço Redondo, no sertão de Sergipe. A operação foi realizada na última terça-feira (16) pela Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), em parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Secretaria de Meio Ambiente e Ações Climáticas (Semac).
Durante a vistoria, os técnicos confirmaram o desmatamento em área localizada no interior da Unidade de Conservação de Proteção Integral. O local afetado foi identificado e georreferenciado por meio da coleta de coordenadas, o que permitirá o avanço das investigações.
De acordo com o analista ambiental da Adema, Mikael Prata, a próxima etapa será a identificação dos responsáveis e a adoção das medidas legais cabíveis. “Realizamos os levantamentos necessários para a correta delimitação das áreas envolvidas e a identificação dos respectivos responsáveis, a fim de que sejam adotadas as medidas administrativas cabíveis em relação ao ilícito ambiental constatado”, afirmou.
A gestora do Mona Grota do Angico e bióloga da Semac, Valdelice Barreto, destacou a importância da atuação integrada entre os órgãos. “A expertise e competência do órgão ambiental para tipificar possíveis crimes ambientais, além do atendimento à denúncia da população local, de registro de dano à vegetação nativa, foi essencial nessa ação”, pontuou.
Criado em 2007, o Monumento Natural Grota do Angico possui cerca de 2.448 hectares e abriga uma das áreas mais preservadas do bioma caatinga em Sergipe. Como unidade de proteção integral, o local permite apenas atividades compatíveis com a conservação, como pesquisa científica, educação ambiental e turismo controlado, sendo proibida a exploração direta dos recursos naturais.
Além da relevância ambiental, a unidade também possui importância histórica por abrigar o local onde, em 1938, morreram Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, Maria Bonita e outros integrantes do cangaço.
A área protege espécies típicas da caatinga, incluindo animais como jaguatirica e gato-do-mato-pequeno, além de aves como o jaó-do-sul e o chorozinho-de-papo-preto, muitas delas ameaçadas de extinção.
*Com informações Secom
