Política

Flávio Bolsonaro registra 50,5% das intenções de voto e Lula, 49,5%, aponta pesquisa Ipespe

23/10/2026 às 18:05

 

A dois dias das eleições, nova pesquisa Ipespe em parceria com a Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel), divulgação nesta sexta-feira (23), aponta um empate técnico, na margem de erro de 2,6 pontos percentuais, entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas numericamente há uma ligeira vantagem para o bolsonarista. Os números mostram que o candidato do PL tem 48% das intenções de voto e chega a 50,5% no cálculo de votos válidos, enquanto Lula marca 47% em votos totais e 49,5% nos válidos. Por outro lado, o senador superou a rejeição do petista pela primeira vez nesse segundo turno (48% a 47%).

Há uma semana, Flávio Bolsonaro tinha 51,2% das intenções no cálculo dos votos válidos, contra 48,8% de Lula. Já há duas semanas, logo após o primeiro turno, o bolsonarista tinha 52,7% e o petista, 47,3%. A curva, então, vem se aproximando.

Em relação à pesquisa com votos totais, cálculo que inclui brancos, nulo e indecisos, Bolsonaro oscilou de 49%, na primeira rodada, após o primeiro turno, para 48% agora, enquanto Lula avançou de 44% para 47%. A soma das pessoas que não responderam ou declaram voto nulo/branco era de 8% na primeira rodada, e foi para 5% nesta sexta-feira.

Na probabilidade de voto, Flávio tem potencial eleitoral (a soma dos resultados das perguntas “votaria com certeza” e “poderia votar”) ligeiramente maior (52%) do que Lula (51%). Entretanto, pela primeira vez na série Ipespe/Abrapel nesse segundo turno, Flávio apresenta rejeição superior à de Lula: 48% a 47%. Nas últimas semanas, a rejeição do candidato do PL oscilou dois pontos, e a do presidente recuou dois pontos.

A pesquisa Ipespe/Abrapel é telefônica, ouviu 1.500 entrevistados e as repostas foram coletadas entre os dias 20 e 22 de outubro. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04350/2026.

Comparação com 2022

O Ipespe também destacou o resultado da pesquisa de quatro anos atrás, nesse mesmo momento de proximidade do segundo turno. Em 2022, Lula marcava 50% na questão estimulada. Hoje, são 47%. Já Flávio Bolsonaro supera em quatro pontos percentuais o resultado de seu pai naquela edição (de 44% para 48%).

Nesse período, o Ipespe mostra que Lula perdeu intenções de voto principalmente entre mulheres (-6 pontos), entre jovens de 16 a 34 anos (-6 pontos), eleitores com ensino fundamental (-8 e), católicos (-6) e renda de até dois salários mínimos (-6). Por outro lado, cresceu entre os eleitores com 60 anos ou mais (+3), ensino superior (+4) e renda de dois a cinco salários mínimos (+5).

Transferência de votos dos nanicos

Segundo o Ipespe, Flávio Bolsonaro herda a maioria dos votos dos candidatos Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão). As intenções de votos dos eleitores do escritor se dividem da seguinte forma: 56% para Bolsonaro e 31% para Lula. No caso do Caiado a diferença é de 64% a 19% e de Santos 38% a 13%. O espólio do candidato do Missão é o que mais vai para nulo ou branco (38%), além da maior fatia também se não respostas (13%).

Já entre quem anulou ou não votou no primeiro turno, a maioria das intenções vai para Lula: 51%. Enquanto Flávio Bolsonaro receberia 18%, e outros 25% responderam que vão repetir o nulo/branco. Essa fatia soma 5% da amostra, enquanto cada um dos nanicos representa 2%.

A pesquisa também mostrou forte associação dos eleitores lulistas e “não lulistas de esquerda” a Lula, e de bolsonaristas e “não bolsonaristas de direita” com Bolsonaro. Já entre os eleitores autodeclarados “independentes”, que correspondem a mais de um terço da amostra (37%), 54% votam em Lula contra 37% em Flávio Bolsonaro. A preferência por Lula nesse segmento de independentes cresceu 10 pontos desde a primeira rodada de pesquisa no segundo turno.

O interesse pela eleição também cresceu: 71% declaram muito interesse (eram 68% e 66% nas rodadas anteriores), e a certeza declarada de comparecimento às urnas atinge 91%. Entre os que afirmam máxima possibilidade de comparecimento a diferença entre os candidatos abre três pontos (50% para Flávio, e 47% para Lula).

Interesse no debate

A pesquisa também mediu o alto interesse sobre o debate desta sexta na Globo. Sete em cada dez entrevistados (70%) afirmam que certamente irão assistir ao encontro, enquanto outros 15% admitem que talvez acompanhem a transmissão, e 12% não pretendem assistir. Isso significa que mais de 100 milhões de eleitores pretendem assistir ao evento. A intenção é maior entre os eleitores de Lula (74%) do que os de Flávio (69%).

Em relação ao resultado do debate da Band, Lula foi considerado o melhor para 38%. Já 36% preferiram Flávio, 11% disseram que nenhum foi bem, 3% avaliam que ambos tiveram desempenho semelhante e 12% não sabem ou não responderam.

Desejo por mudança

A aprovação do governo Lula melhorou de 45%, na última rodada, para 47% nesta sexta (23). Mas a expectativa de mudança continua como principal desejo: 36% responderam isso, mesmo resultado da última rodada. Já 44% responderam que preferem mudar apenas aquilo que não está bom. Antes eram 42%. Flávio Bolsonaro é visto como o mais capaz de promover mudanças necessárias (50%), enquanto Lula tem essa imagem para 46%.

Percepção de melhora na campanha digital de Lula

Em meio ao sucesso do “Exército do Lula”, canal no WhatsApp administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), o eleitorado aumentou sua percepção positiva sobre a campanha digital do presidente. Para 38%, ele se sai melhor que o adversário no universo do WhatsApp. Na última pesquisa, o resultado era 32%.

Mas Fávio Bolsonaro segue na liderança das percepções de melhor campanha por tipo de meio ou veículo. Ele é visto como melhor nas redes sociais (47% a 38%), nas conversas de WhatsApp (46% a 38%), na televisão e no rádio (44% a 38%) e nas entrevistas na TV (44% a 40%). Nas ruas, há um empate: 43% para cada um.

Avaliação da economia

A economia do país é considerada ruim ou péssima por 53% dos entrevistados, percentual estável nas três rodadas, enquanto 20% a avaliam positivamente. Já a situação econômica pessoal e familiar apresentou melhora: 44% a classificam como ótima ou boa, ante 41% na rodada anterior e 40% na primeira.

Corrupção e crise no STF

Nessa rodada, corrupção e crise no STF foram considerados os temas decisivos para votos para 24% da população, o principal. Na sequência, vieram emprego, economia e preços (17%) e saúde e educação (11%).

Somando todos os temas, os relacionados a economia marcam 34%. O tema do fim da escala 6×1 foi considerado por 9%. Na pesquisa anterior o resultado foi de 10%, mas na primeira foi apenas 5%.

A esperança permanece como o principal sentimento dos brasileiros em relação à eleição presidencial e cresce pela terceira rodada consecutiva: de 45% para 47% e agora 50%. Aparece especialmente forte entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (65%). O medo, segundo sentimento mais mencionado, oscila de 15% para 16%, alcançando 24% entre eleitores de Lula.

Fonte: O GLOBO

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