Saúde

Huse realiza biópsia cerebral de alta precisão em criança de 3 anos

06/10/2026 às 08:36

 

Uma criança de 3 anos foi submetida a uma biópsia cerebral estereotáxica, técnica minimamente invasiva e de alta precisão, no Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse). O procedimento foi realizado no último sábado (3) e amplia a oferta de neurocirurgias de alta complexidade na rede pública estadual.

A técnica permite alcançar áreas profundas e delicadas do cérebro com menor risco ao paciente. No caso da criança, o procedimento foi necessário para investigar uma lesão localizada próxima a estruturas neurológicas importantes.

O planejamento é feito com auxílio de um sistema computacional, que define com precisão o trajeto até o local onde serão coletados os fragmentos para análise.

“Estamos realizando uma biópsia em uma região muito profunda e delicada do cérebro, onde existem estruturas nobres que precisam ser preservadas. O objetivo é obter os fragmentos necessários para o diagnóstico com o menor risco possível para a criança”, explicou o neurocirurgião Jorge Dornellys.

“Todo o planejamento é realizado no computador para que, durante o procedimento, a gente consiga executar a abordagem com precisão. Entre os principais benefícios estão a segurança, por ser uma cirurgia minimamente invasiva, e a precisão, que pode alcançar a escala milimétrica ou até submilimétrica. Além disso, a expectativa é que o paciente possa receber alta em 24 a 48 horas, conforme sua evolução clínica”, acrescentou o especialista.

Durante a cirurgia, é feita uma incisão inferior a dois centímetros para a introdução do material utilizado na retirada dos fragmentos da lesão. O material será analisado para identificar as características da alteração e ajudar a equipe médica a definir o tratamento mais adequado.

A criança permanece internada e recebe acompanhamento médico e multidisciplinar na Unidade Pediátrica do Huse.

“Foi um sonho a realização deste procedimento aqui no Huse. Porque, se fosse outro tipo de biópsia, o risco seria maior por conta da abertura e do acesso mais complicado. Meu filho está muito bem. Agora, é torcer pela alta e pela recuperação dele. A assistência aqui é muito boa”, contou a mãe do paciente, Alessandra Oliveira.

Avanço

Para a equipe médica, a realização do procedimento amplia a capacidade tecnológica e assistencial do Huse para casos que exigem precisão na abordagem neurocirúrgica.

“A utilização desses recursos amplia as possibilidades de atuação da equipe em casos que exigem abordagens neurocirúrgicas de elevada precisão. A gente espera que outros pacientes que tenham necessidade, principalmente as crianças, possam também ter essa opção de tratamento, porque ela é extremamente segura e eficaz para confirmar o diagnóstico e, assim, possibilitar a indicação do melhor tratamento”, frisou o neurocirurgião.

A equipe de Neurocirurgia do hospital reúne profissionais que atuam em diferentes áreas da especialidade, incluindo procedimentos vasculares, tratamento de tumores e cirurgias minimamente invasivas.

“Atualmente, temos evoluído muito. Então, a gente tem que ter neurocirurgiões que façam desde a parte vascular, operar aneurismas, operar tumores, mas também aqueles que possam fazer cirurgias minimamente invasivas, que também definam diagnóstico e tratamento para o paciente com o menor risco possível”, comentou Dornellys.

Diagnóstico

Segundo o médico residente da Neurocirurgia, Leonardo Melo, a técnica estereotáxica é especialmente importante no atendimento pediátrico por evitar cirurgias mais extensas.

“Existem diferentes modalidades de biópsia, entre elas a aberta, que pode exigir uma cirurgia de maior porte. Em uma criança dessa idade, buscamos evitar ao máximo procedimentos mais invasivos. A técnica estereotáxica permite realizar a coleta de forma menos agressiva e, posteriormente, com o resultado do exame anatomopatológico, direcionar o tratamento de acordo com o diagnóstico”, ressaltou.

A realização do procedimento também amplia o acesso, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a uma técnica que exige tecnologia e equipe especializada.

“É muito gratificante ter a possibilidade de realizar um procedimento dessa complexidade em um hospital do SUS. Estamos falando de uma técnica especializada, que exige estrutura, tecnologia e uma equipe preparada. Poder oferecer essa possibilidade às crianças que precisam do serviço público é extremamente satisfatório”, finalizou o residente.

*Com informações Secom

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