Leonardo Avalanche será o candidato do PRTB à Presidência da República após indeferimento do registro de candidatura de Marçal

O presidente do PRTB, Leonardo Avalanche, será candidato à Presidência da República pelo partido, conforme anúncio feito nesta terça-feira (15). Ele, com isso, substitui o influenciador Pablo Marçal, que era mantido como o candidato da sigla, ainda que esteja inelegível até 2032.
Avalanche era, até então, o vice de Marçal na chapa do PRTB pela presidência. Natural de Anápolis, em Goiás, ele é formado em direito e já trabalhou como analista de sistemas no setor privado. No registro de sua candidatura, aparece como “servidor público estadual”. Foi também coordenador da campanha de Marçal à prefeitura de São Paulo, em 2024.
Ao TSE, Avalanche declarou mais de R$ 491 milhões em criptomoedas, além de R$ 2,23 milhões em obras de arte e mais de R$ 1 milhão em joias.
Na decisão que indeferiu definitivamente o registro de candidatura de Marçal, na sexta-feira (11), o próprio TSE afirmou que o partido poderia indicar um novo candidato para concorrer em seu lugar.
A negativa do registro de candidatura de Marçal foi motivada pela condenação por uso indevido dos meios de comunicação, por conta dos “campeonatos de cortes” de vídeos na campanha de 2024. O caso foi revelado pelo GLOBO, e consistia na oferta de pagamentos de prêmios de até R$ 70 mil para incentivar a divulgação de trechos de vídeos do influenciador em redes como Instagram e TikTok. Marçal foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) em dezembro de 2025.
Outra razão do TSE para indeferir o registro foi a irregularidade em sua filiação partidária: Marçal apresentou uma ficha de filiação ao PRTB de agosto de 2026, mas, pela lei eleitoral, precisaria estar filiado ao partido pelo qual pretende concorrer ao menos seis meses antes do pleito.
“A mera apresentação de ficha de filiação datada sem comprovação de que ela tenha sido apresentada e aceita pelo partido na data exigida em lei nada comprova. Ademais, o fato de constar a mesma informação em dois documentos unilaterais extemporâneos, um deles assinado pelo candidato (ficha de filiação) e outro pelo partido (declaração de anuência), não é suficiente para comprovar a filiação tempestiva”, destacou a relatora ministra Estela Aranha no acórdão.
Com Marçal em 2024
Embora com pouca expressão política e membro de um partido sem parlamentar em Brasília, Avalanche ficou conhecido em 2024 ao coordenar a campanha de Marçal à prefeitura de São Paulo. No texto de lançamento de sua pré-candidatura, ainda como vice de Marçal, Avalanche disse que sua atuação no pleito foi “decisiva”. Marçal teve 28,14% dos votos válidos, o equivalente a 1.719.274 votos, mas não chegou ao segundo turno, disputado por Ricardo Nunes (MDB) e Guilherme Boulos (PSOL).
Ainda em 2024, Marçal chegou a defender o afastamento de Avalanche do comando do PRTB após o surgimento de suspeitas de ligação dele com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Na época, em áudio revelado pelo jornal Folha de S. Paulo e obtido pelo GLOBO, o dirigente partidário sugeriu a um correligionário que teria sido o responsável pela soltura do traficante André do Rap, em uma tentativa de demonstrar influência antes da eleição do PRTB que o colocou na presidência da sigla, no final de fevereiro. Em outro momento, afirmou que o seu motorista teria envolvimento com o crime organizado e recebe ligações de dentro dos presídios.
Em resposta, Avalanche afirmou que desconhecia o áudio e a autoria do material, levantando a possibilidade de o conteúdo ter sido criado por ferramentas de inteligência artificial. No mês seguinte, Marçal anunciou a reconciliação com o aliado e negou que ele teria envolvimento com o PCC.
Fonte: O GLOBO
