DESASTRE AMBIENTAL - 09/10/2019 - 16:34

Mancha de óleo atinge foz do São Francisco entre AL e SE

Lado sergipano da Foz | Foto: Ibama-AL

Da redação, Joangelo Custódio

A foz do Rio São Francisco, na altura dos municípios de Brejo Grande, em Sergipe, e Piaçabuçu, em Alagoas, foi atingida por pequenas quantidades de manchas de óleo, oriundas do derramamento de petróleo cru que vem afetando a costa do Nordeste brasileiro desde o início do mês de setembro.

A informação foi confirmada pelo secretário municipal de Meio Ambiente de Piaçabuçu, Otávio Augusto, e pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF). “Identificamos a presença de óleo na foz e em praias próximas, porém, num volume pouco significativo. Isso representa impacto negativo, sobretudo no que diz respeito à vida aquática, porque essa substância é altamente tóxica para a fauna. Toda a geografia do local favorece a entrada de óleo”, revelou o secretário, que esteve esta manhã no local.

Lado sergipano da Foz

Otávio Augusto conta ainda que a fauna foi atingida, e já é possível encontrar crustáceos, peixes e tartarugas marinhas mortas pela extensão da praia. “A região tem inúmeros manguezais, berçários naturais de valor ecológico. Se esse óleo impregnar nos mangues, vai influenciar diretamente na reprodução de várias espécies”, afirma, ao completar que o Governo alagoano ainda não declarou situação de emergência e que tal medida deve ser acionada o quanto antes.

Tartaruga marinha encontrada morta | Foto: Ibama-AL

Comitê de Bacia

O CBHSF emitiu nota afirmando que está preocupado e trabalhando para que as manchas de óleo não causem mais problemas ao Rio São Francisco.

“As manchas apareceram no encontro do litoral alagoano com o litoral sergipano, no Pontal do Peba. Não sabemos se chegarão mais manchas, mas a situação é preocupante, visto que a foz do Rio São Francisco e sua região estuarina configuram um ecossistema de alto valor para a reprodução das espécies fluviais e marinhas. A região tem também um banco de camarão importantíssimo, além de ser área de desova de tartarugas e ter uma coleção de manguezais. Estamos acompanhando a situação com atenção e cuidado para tomar as medidas necessárias junto aos órgãos de controle ambiental”, declarou o presidente do CBHSF, Anivaldo Miranda.

Mancha de petróleo na Praia do Pontal do Peba/Da dir.: Tartaruga coberta por óleo foi encontrada no Pontal de Coruripe, em AL

Posição da Adema

A AJN1 também ligou para o diretor-presidente da Administração Estadual do Meio Ambiente de Sergipe (Adema), Gilvan Dias, para saber se o Estado de Sergipe já tem conhecimento das manchas de óleo na foz do Velho Chico.

E a informação passada pelo diretor-presidente é que equipes da Adema e Marinha estão, nesta tarde, percorrendo a região, e que não pode, por enquanto, confirmar as declarações do secretário alagoano enquanto os técnicos não regressarem do local onde o rio deságua no mar.

Tão logo esta reportagem consiga um posicionamento oficial, o texto será atualizado.

Balanço

Até agora, mais de 132 praias, de 61 municípios dos nove estados nordestinos, foram atingidas pela substância, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), totalizando mais de 100 toneladas de óleo.

Em Sergipe, toda a costa foi atingida, e já foram recolhidas 31 toneladas de petróleo cru das praias.

Ministro em Sergipe

Na segunda-feira (7), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, desembarcou no aeroporto Santa Maria, em Aracaju, a mando do presidente Jair Bolsonaro, com o objetivo de monitorar os danos ambientais causados pelas manchas de óleo que surgiram na costa de Sergipe e de todo o Nordeste desde setembro.

Petrobras

Em nota, a Petrobras afirma que o material não é produzido pela companhia. “A análise realizada em amostras atestou, por meio da observação de moléculas específicas, que a família de compostos orgânicos do material encontrado não é compatível com a dos óleos produzidos e comercializados pela companhia”. Os testes foram feitos no Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), no Rio de Janeiro.