Matheus Batalha lança, na ASL, o romance ‘O Testamento do Alferes’

O escritor sergipano Matheus Batalha lança, na próxima segunda-feira (3), às 17h, na Academia Sergipana de Letras (ASL), em Aracaju, o romance “O Testamento do Alferes”, publicado pela Editora Urutau. O evento é aberto ao público e inclui sessão de autógrafos. A obra já chega com forte expectativa: a pré-venda esgotou 100% dos exemplares disponibilizados pela editora.
Segundo romance do autor, após a estreia com “Tabu” (2024), o novo livro percorre diferentes períodos históricos e geografias para abordar temas como memória, trauma, relações familiares, ditadura militar, política e amor. A narrativa acompanha Tião, jovem sergipano marcado pela perda da mãe no nascimento e por uma infância em internatos, que, durante os anos mais duros do regime militar brasileiro, é forçado a deixar o país e segue para a Europa. No exterior, ele vivencia o ambiente político e cultural que culmina na revolta estudantil de maio de 1968, em Paris.
O enredo articula acontecimentos históricos com referências da cultura popular sergipana, como a tradicional guerra dos Lambe-Sujos e Caboclinhos, em Laranjeiras, estabelecendo um diálogo entre elementos eruditos e populares para refletir sobre herança e seus impactos ao longo das gerações.
“Num mundo que ainda teima em não aprender com os seus próprios equívocos, este romance nos oferece uma reflexão sobre memória, trauma, família, política e revoluções, somente para destacar que, no fundo, nenhuma saga se tornará vitoriosa sem o amor. Como bem diz Tião: ‘nada que se possa ter, vai te fazer feliz, se não souber amar’. Esta é uma lição ainda necessária para o mundo em que vivemos”, afirma Matheus Batalha.
De acordo com o autor, a ideia do livro surgiu a partir de um sonho, em janeiro de 2024, e desencadeou um processo de pesquisa sobre o contexto político brasileiro e europeu da época. “Quis construir uma narrativa que aproximasse a história de Sergipe dos grandes acontecimentos mundiais de 1968, mostrando que nossas experiências locais também dialogam com questões universais. Ao mesmo tempo, o romance procura refletir sobre quem tem o direito de contar uma história e como a memória continua organizando a vida daqueles que permanecem”, explica.
O escritor também destaca que a nova obra dá continuidade a um projeto literário iniciado em “Tabu”. “Os dois romances discutem, cada um à sua maneira, a linguagem como estrutura de poder. Se em “Tabu” a protagonista luta para assumir a autoria da própria história, neste novo livro o foco está na herança das narrativas deixadas por quem já partiu. No fundo, acredito que nenhuma história é definitiva e que compreender nossa memória também é uma forma de transformar o futuro. Assim, este novo livro é seguido de uma linguagem como estrutura de poder para montar uma literatura em que misturo os campos e as cidades sergipanas com o além-mar”, afirma.
Natural de Aracaju, Matheus Batalha nasceu em 1981, é doutor em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), foi pesquisador visitante na Harvard University e atualmente leciona na Universidade Federal de Sergipe (UFS). Além de crônicas e trabalhos acadêmicos, é autor de “Educação Pelo Mundo: vida em crônicas” e do romance “Tabu”.
