Morgan McSweeney, chefe de Gabinete do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, renunciou neste domingo em meio à controvérsia em torno da nomeação de Peter Mandelson como embaixador em Washington, em 2024, apesar das ligações do diplomata com o criminoso sexual americano Jeffrey Epstein — morto na prisão em 2019.
O governo de Starmer enfrenta uma crise sem precedentes após as últimas revelações sobre os vínculos entre o ex-embaixador e Epstein.
“Após cuidadosa reflexão, decidi deixar o governo. A decisão de nomear Peter Mandelson foi errada. Ele prejudicou nosso partido, nosso país e a própria confiança na política”, afirmou Morgan McSweeney em comunicado. “Fui eu quem aconselhou o primeiro-ministro a fazer essa nomeação e assumo total responsabilidade por esse conselho”.
Em Downing Street, McSweeney, que havia sido nomeado em outubro de 2024, era visto como o estrategista do poder trabalhista e braço direito de Starmer. A sua renúncia coincide com o anúncio do Ministério das Relações Exteriores britânico de que está revisando a indenização paga a Mandelson após sua demissão.
Seguindo o conselho do chefe de Gabinete, Starmer nomeou Mandelson, ex-ministro trabalhista e ex-comissário europeu, para o cargo estratégico em dezembro de 2024, com o retorno de Donald Trump à Casa Branca. No entanto, ele o destituiu em setembro de 2025, após a publicação de documentos do caso Epstein que revelaram as suas relações com o financista.
Nesta semana, Starmer afirmou lamentar a nomeação de Mandelson e pediu desculpas às vítimas de Epstein, mas garantiu que não conhecia a dimensão dos vínculos entre o ex-embaixador e o criminoso americano, que se suicidou na prisão em 2019.
‘Melhor amigo’
A trajetória pública de Peter Mandelson, um dos nomes mais influentes do Partido Trabalhista e articulador central dos governos de Tony Blair, entrou em colapso após a divulgação de mais de 3 milhões de páginas de documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos ligados ao caso Epstein.
O material revelou a manutenção de vínculos entre Mandelson e o financista americano mesmo após sua condenação por crimes sexuais, desencadeando um escândalo político com forte repercussão em Londres.
Os documentos organizam as suspeitas em três frentes. A mais sensível envolve o possível compartilhamento de informações governamentais confidenciais com Epstein, incluindo dados sobre a crise financeira de 2008, o que levantou suspeitas de quebra de confidencialidade estatal.
Além disso, alguns registros apontam pagamentos que somam cerca de US$ 75 mil feitos por Epstein a contas ligadas a Mandelson ou a seu marido, o brasileiro Reinaldo Ávila da Silva, citado nos documentos oficiais.
A imprensa britânica ainda teve acesso a uma fotografia de Mandelson usando apenas roupa íntima no apartamento de Epstein, em Paris, além de mensagens nas quais o ex-embaixador se referia ao financista como seu “melhor amigo”, ampliando o desgaste público e político.
Agora, o governo de Keir Starmer estuda retirar seu título vitalício, enquanto a polícia metropolitana investiga uma possível violação de confidencialidade, em um episódio que aliados descrevem como o golpe definitivo em seu legado político.
Fonte: O Globo





