Novos documentos judiciais divulgados recentemente mostram que Jeffrey Epstein mantinha uma extensa rede de pessoas dedicadas a limpar sua presença digital. O financista, condenado por crimes sexuais, se incomodava com a divulgação de informações factuais sobre suas ações criminosas e organizou um esquema para tentar apagar esses registros da internet, segundo reportagem do portal The Verge.
Os arquivos revelam que Epstein enviava e-mails frequentes para associados reclamando de resultados de busca que mostravam dados verídicos sobre suas condenações. Entre novembro de 2010 e setembro de 2013, há registros de mensagens curtas e diretas como “quero a página do Google limpa” e “tem como limpar minha página da Wikipedia?”.
Como funcionava a operação de limpeza digital
O principal articulador dessa rede era Al Seckel, uma espécie de intermediário que aparece repetidamente nos documentos relacionados a Epstein. Seckel prometia ao financista enterrar artigos de notícias e outros conteúdos que mencionassem os abusos cometidos. Mas ele não agia sozinho, segundo a publicação.
Os milhares de páginas de documentos demonstram que várias pessoas participavam do esquema: consultores de otimização de mecanismos de busca (SEO), contatos no meio científico e até conhecidos sem relação direta com o caso ajudavam a obscurecer o passado de Epstein sempre que alguém procurava por ele on-line. O trabalho continuou mesmo após o financista ter se declarado culpado de aliciar menores para prostituição, o que o tornou um agressor sexual registrado.
Empresas de gerenciamento de reputação também aceitaram Epstein como cliente. Embora esses serviços não sejam necessariamente ferramentas para encobrir crimes, já que se trata de uma prática comum de relações públicas, no caso específico do financista as agências contratadas sabiam sobre os abusos, já que esse era exatamente o problema que deveriam tentar minimizar.
Em outubro de 2010, Seckel apresentou um panorama da estratégia do grupo para defender a reputação de Epstein na internet. O plano de ação envolvia múltiplas frentes de atuação coordenadas para reduzir a visibilidade de informações comprometedoras nos resultados de busca.
A operação utilizava técnicas de SEO para tentar empurrar conteúdo negativo para páginas menos visíveis nos mecanismos de busca. Simultaneamente, a equipe trabalhava para produzir e promover material positivo ou neutro sobre o criminoso.
Fonte: Época Negócios





