ARACAJU/SE, 2 de março de 2026 , 20:21:14

Entenda como conflito entre EUA e Irã culminou na morte de Ali Khamenei

 

A tensão no Oriente Médio atingiu um nível crítico nesta segunda-feira (2) após ataques coordenados dos EUA e Israel resultarem na morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei. A operação, motivada pelo programa nuclear iraniano, gerou retaliações imediatas em diversos países da região.

Como foi planejada a operação que matou o líder supremo do Irã?

A ação, batizada pelo Pentágono como “Fúria Épica”, foi possível graças a informações estratégicas da CIA. A inteligência americana monitorava a rotina de Ali Khamenei há meses e descobriu que a cúpula do regime teria uma reunião no coração de Teerã em plena luz do dia no último sábado. Os militares ajustaram o horário dos bombardeios para garantir que os principais alvos estivessem no local conhecido, expondo falhas graves na segurança iraniana.

Qual foi o principal motivo para os EUA iniciarem os ataques agora?

O governo de Donald Trump justifica a ofensiva pela falta de avanço nas negociações diplomáticas. Os EUA e Israel alegam que o Irã enriquece urânio secretamente para fabricar armas nucleares, o que representaria uma ameaça existencial. Além disso, o patrocínio do regime a grupos terroristas regionais foi um ponto decisivo para a escalada militar definitiva, buscando paralisar a infraestrutura bélica e nuclear de Teerã.

De que forma o Irã respondeu aos bombardeios em seu território?

O regime prometeu uma “lição histórica” e lançou mísseis e drones contra bases militares e diplomáticas americanas em mais de dez países, incluindo Kuwait, Catar e Emirados Árabes. Até o momento, dez mortes foram confirmadas em solo israelense. Além disso, o Hezbollah, grupo aliado do Irã no Líbano, abriu uma nova frente de combate disparando contra o norte de Israel, o que gerou revides intensos contra Beirute.

Quais são as consequências imediatas para o governo do Irã?

A morte de Khamenei e outras autoridades cria um vácuo de poder e a possibilidade real de queda do regime atual. Estrategicamente, o Irã cometeu o erro de atacar vizinhos árabes que não estavam envolvidos no conflito inicial, como Arábia Saudita e Catar. Esse movimento isola ainda mais o país, já que essas nações estão cada vez mais alinhadas ao Ocidente e agora reforçam suas defesas territoriais para futuras retaliações contra Teerã.

Ainda existe chance de negociação diplomática entre as nações?

O cenário é de incerteza. Enquanto Donald Trump declarou estar disposto a conversar com uma nova liderança iraniana após o conflito, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã parece ter fechado as portas. Ali Larijani, braço direito do regime, afirmou que não haverá negociação, acusando Trump de mergulhar a região no caos. Especialistas indicam que os combates podem durar de quatro a cinco semanas até que os objetivos militares americanos sejam concluídos.

Conheça Alireza Arafi, o aiatolá que assume a chefia do conselho interino do Irã

O aiatolá Alireza Arafi, de 66 anos, assumiu, no domingo (1º) a chefia do conselho interino que passou a conduzir o Irã. Ele vai atuar ao lado do presidente Masoud Pezeshkian e do chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei.

Arafi exerce funções como clérigo e jurista xiita. Os xiitas são o maior ramo do islamismo e acreditam que a liderança do mundo muçulmano, após a morte de Maomé, pertence aos seus descendentes.

O aiatolá preside o Centro de Gestão dos Seminários Islâmicos, integra o Conselho dos Guardiães e ocupa a segunda vice-presidência da Assembleia de Especialistas, órgão que elege o líder supremo.

Toda a carreira de Arafi foi moldada por nomeações feitas pelo líder supremo Ali Khamenei. O aiatolá vem de uma família clerical da histórica cidade de Meybod, na província de Yazd, no centro do Irã.

A família de Arafi se converteu ao islamismo no século XIX. O pai de Arafi, o aiatolá Mohammad Ibrahim Arafi, é geralmente retratado na mídia estatal iraniana como alguém próximo ao falecido fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini.

Quando a Revolução Iraniana ocorreu, em 1979, Arafi tinha 21 anos e não integrou a chamada “primeira geração de revolucionários”. Ele ganhou maior projeção política após a ascensão de seu antecessor, o aiatolá Ali Khamenei, ao posto de líder supremo, em 1989.

Linha do tempo da carreira de Alireza Arafi:

1992 – Assume a liderança da oração de sexta-feira em sua cidade natal, Meybod.

2008 a 2018 – Preside a Universidade Al-Mustafa Internacional.

2015 – Passa a liderar a oração de sexta-feira na cidade de Qom.

2016 – Assume o comando de todos os seminários religiosos do país.

2019 – Recebe nomeação para o Conselho dos Guardiães, órgão máximo de controle da República Islâmica, formado por 12 membros e com poder para vetar políticas governamentais e candidaturas política

Em 2020, Arafi enviou uma carta ao Papa Francisco, na qual falou em nome da comunidade acadêmica xiita. O texto agradeceu a atenção dedicada aos mais vulneráveis durante a pandemia do coronavírus.

À época reitor da Universidade de Qom, o aiatolá defendeu o fortalecimento da cooperação com instituições católicas. Ele propôs a troca de experiências para “criar uma comunidade das religiões ao serviço da humanidade”. Dois anos depois, encontrou-se com o pontífice na Cidade do Vaticano.

Em 11 de fevereiro de 2025, durante as celebrações do aniversário da Revolução Islâmica, Arafi liderou as orações em cerimônia nacional. Ele afirmou que a revolução ultrapassou o campo político. Segundo o aiatolá, o movimento redefiniu a base intelectual e cultural da Ummah muçulmana no Irã.

Arafi declarou que a Revolução Islâmica resultou do engajamento popular. Ele destacou que cidadãos de todas as classes sociais sacrificaram interesses individuais e coletivos em nome da supremacia do Islã.

O aiatolá também criticou as ações militares de Estados Unidos e Israel em Gaza. Ele disse que as ofensivas expuseram “a verdadeira natureza do sistema imperialista”. Arafi afirmou que, sem interrupção, os ataques podem espalhar destruição semelhante à observada em Gaza para outras regiões.

Fontes: Agência EFE e Gazeta do Povo

 

 

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