Um vulcão entrou em erupção no sudoeste da Islândia nessa terça-feira (1º), forçando a evacuação de turistas e moradores da região de Grindavík e da famosa lagoa geotérmica Blue Lagoon, um spa de luxo. O evento gerou uma fenda vulcânica de aproximadamente 1,2 km de extensão e veio após uma intensa atividade sísmica na área.
O comissário de polícia da região, Ulfar Ludviksson, afirmou ao canal islandês RUV que as autoridades instruíram a população a deixar a zona de perigo. Mas alguns moradores decidiram permanecer na cidade, que já havia sido evacuada em massa em 2023 devido à atividade vulcânica.
Um dos riscos envolvidos é a entrada do fluxo de lava nas regiões habitadas. Segundo Rikke Pedersen, cientista do Centro Nórdico de Vulcanologia, a erupção é semelhante à ocorrida em janeiro de 2024, quando a lava chegou até a cidade de Grindavík.
As erupções na península de Reykjanes são do tipo fissural, caracterizadas pelo extravasamento de lava através de longas rachaduras na crosta terrestre, em vez de um único ponto eruptivo. Esse tipo de erupção pode gerar lava fluida que se espalha rapidamente pela paisagem, aumentando o risco de danos a infraestruturas próximas.
Segundo o Escritório Meteorológico da Islândia (IMO), um oleoduto de água quente se rompeu no norte da cidade, indicando que movimentos de falha significativos ocorreram. Além disso, as barreiras de proteção foram rompidas, com uma fissura eruptiva se abrindo a poucos metros do interior da cidade. As medições de deformação apontam que o magma continua se deslocando para nordeste, o que sugere que a erupção pode se estender ainda mais.
As atualizações do IMO afirmam que atividade sísmica na região segue intensa, com tremores registrados ao longo do dia, e terremotos que ocorrem principalmente nas extremidades norte e sul da intrusão magmática, o que indica que o fluxo de magma segue ativo e pode resultar em novas fissuras.
Até o momento, os voos não foram impactados, e os especialistas afirmam que as erupções de Reykjanes não lançaram cinzas na estratosfera, mas o IMO alerta que, com base na direção do vento, a poluição por gases vulcânicos deve se deslocar para a região da capital Reykjavik.
Região muito ativa vulcanicamente
Conhecida como a “terra do fogo e gelo”, a Islândia possui 33 sistemas vulcânicos ativos e está situada sobre a Dorsal Mesoatlântica, a fronteira entre as placas tectônicas da Eurásia e da América do Norte. Esse cenário geológico torna o país um dos mais vulcanicamente ativos do mundo, atraindo turistas que desejam observar de perto fenômenos naturais impressionantes, como gêiseres, fontes termais e erupções vulcânicas.
Desde 2021, a península de Reykjanes experimenta múltiplas erupções após um período de inatividade de 800 anos. Os cientistas preveem que essas erupções em fendas podem continuar ocorrendo por décadas ou mesmo séculos.
Fonte: Revista Galileu