Quando mísseis dos Estados Unidos e de Israel cortaram o céu de Teerã, capital do Irã, uma guerra teve início. O conflito resultou, logo nas primeiras horas, na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e de outros chefes militares, e rapidamente ampliou seu alcance. Desde então, tornou-se foco de tensão internacional e passou a levantar questionamentos sobre a possibilidade de uma guerra de proporções globais. Em poucos dias, mais de dez países foram atingidos direta ou indiretamente pelos desdobramentos militares.
Enquanto forças norte-americanas e israelenses seguem bombardeando o território iraniano, o Irã respondeu com ataques a bases militares no Bahrein, Kuwait, Israel, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Jordânia e Chipre. Itália, Reino Unido e França confirmaram danos a instalações militares nesses países, o que consolidou a expansão do conflito para além da região.
Para Rodrigo Reis, internacionalista e diretor executivo do Instituto Global Attitude, a ofensiva já alterou de forma imediata o equilíbrio geopolítico regional, pois envolveu dezenas de países e obrigou o reposicionamento de diversos atores internacionais.
Porém, o advogado e mestre em Direito Internacional Victor Del Vecchio aponta que o momento é excepcional. “O ataque muda completamente a dinâmica de segurança do Oriente Médio”, diz. Ele ainda alerta para possíveis reações individuais e ideológicas. “Os ataques podem desencadear o sentimento de injustiça e de vingança em indivíduos, que podem buscar sanar essas sensações ‘fazendo justiça’ com as próprias mãos, inclusive atacando alvos civis como retaliação.”
Para além dos reflexos na vida humana, segundo Reis, os impactos econômicos já são visíveis. “Estamos vendo os desdobramentos disso acontecerem agora, com subida do dólar, do valor do barril de petróleo, uma série de mobilizações, o trânsito que existe ali na região do Estreito de Ormuz, por onde passa uma grande porcentagem de materiais e combustíveis.”
Apesar do clima de tensão, o especialista pondera que ainda é cedo para falar em guerra mundial, sendo necessário acompanhar o conflito e, principalmente, a reação das demais potências, citando a postura cautelosa de atores como Rússia e China até o momento.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, embora tenha sido direto ao criticar o ataque ao Irã e prestar solidariedade, não criticou pessoalmente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A China também se posicionou com veemência contra os ataques.
Del Vecchio considera improvável, neste momento, um conflito global. No entanto, defende que o enfraquecimento de instituições multilaterais agrava o cenário. “A ONU, apesar de esvaziada, sobretudo agora na administração Trump, ainda é a nossa maior chance de prevenir conflitos.”
Fonte: Terra





