ARACAJU/SE, 8 de janeiro de 2025 , 5:36:44

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Justin Trudeau renuncia ao cargo de primeiro-ministro do Canadá

 

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, anunciou, nesta segunda-feira (6), que renunciará ao cargo. O Partido Liberal, liderado por ele, agora vai escolher um substituto.

Os trabalhos do Parlamento ficarão suspensos até 24 de março, até que um novo representante dos liberais seja indicado.

Trudeau, de 53 anos, chegou ao poder em 2015 após dez anos de governo do Partido Conservador. Ele foi reeleito duas vezes, se tornando um dos mais longevos primeiros-ministros canadenses.

Inicialmente, recebeu forte apoio, mas se tornou impopular entre os eleitores nos últimos anos devido a uma série de questões, incluindo o aumento vertiginoso dos preços dos alimentos e da habitação, e diante da imigração crescente.

A turbulência política ocorre em um momento difícil para o Canadá no cenário internacional. O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, ameaçou impor tarifas de 25% sobre todos os produtos canadenses se o governo não conter o que Trump chama de fluxo de migrantes e drogas para os EUA — embora o fluxo para os EUA seja menor que o do México, a quem Trump também ameaçou.

O Canadá é um grande exportador de petróleo e gás natural para os EUA, que também dependem de seu vizinho do norte para aço, alumínio e automóveis.

O país tem 38,7 milhões de habitantes, inferior ao Estado de São Paulo, distribuídos em mais de 9,9 milhões de metros quadrados — o segundo maior território do mundo, atrás apenas da Rússia.

O sistema de governo é parlamentarista. O Partido Liberal, de Trudeau, não obteve maioria nas eleições de 2021 e precisa compor com outros partidos para governar.

O que acontece agora

Com a renúncia de Trudeau, o Partido Liberal deverá escolher um novo líder para assumir o cargo de primeiro-ministro interino enquanto organiza uma convenção.

O desafio para o partido é que essas convenções geralmente levam meses para serem organizadas e, se uma eleição ocorrer antes disso, os liberais estariam nas mãos de um primeiro-ministro não escolhido pelos seus membros, uma situação inédita no Canadá.

Os liberais poderiam tentar realizar uma convenção mais curta do que o habitual, mas isso poderia gerar protestos de candidatos que se sentissem em desvantagem.

Como os liberais de Trudeau não detêm maioria absoluta no Parlamento, eles têm dependido por anos do apoio do Novo Partido Democrático (NDP) para aprovar a legislação e permanecer no poder. Mas esse apoio foi perdido — o líder do NDP, Jagmeet Singh, deixou claro em dezembro que o partido votará para derrubar o governo. Os outros partidos da oposição disseram o mesmo.

A suspensão do Parlamento dá tempo para os liberais respirarem. Até então, o Parlamento canadense retomaria as atividades em 27 de janeiro. Os partidos de oposição planejavam derrubar o governo liberal assim que pudessem, provavelmente no final de março. Com a volta programada para 24 de março, uma nova moção de desconfiança –o instrumento para contestar o governo atual– seria levada adiante provavelmente em maio.

A escalada da crise

– Aumento do custo de vida da população

– Perda de popularidade: atualmente, pesquisas apontam que o Partido Conservador, de oposição, deve vencer as próximas eleições.

– Perda de apoio no próprio Partido Liberal e no Novo Partido Democrático, que votava com o governo

– Desempenho ruim das contas do governo: para agravar a situação, dados financeiros divulgados em dezembro apontam que as contas do governo fecharam com déficit de US$ 43,4 bilhões (R$ 267 bilhões). O número veio 50% acima do projetado. A previsão de crescimento do PIB também foi reduzida de 1,9% para 1,7%.

– Ameaça de taxação por parte de Trump: o presidente eleito americano anunciou em dezembro a intenção de impor tarifas de até 25% aos produtos canadenses. O principal parceiro comercial do Canadá são justamente os Estados Unidos, que representam 75% de suas exportações.

– “Diferenças” na forma de abordar a ameaça trumpista de sobretaxar produtos canadenses levou à saída da ministra das Finanças, Chrystia Freeland, em dezembro.

Fonte: G1

 

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