Museu do Homem Sergipano celebra 30 anos de existência com reestruturação inédita

Em 2026, o Museu do Homem Sergipano (MUHSE) faz 30 anos de nome e casa própria enquanto se reconstrói por dentro. Criado em 1978 no âmbito da Universidade Federal de Sergipe (UFS), com o nome de Museu de Antropologia, foi em 1996 que o museu adotou o nome atual e ganhou a primeira sede, na Praça Camerino, em Aracaju.
Durante quase duas décadas, o museu existiu sem endereço nem quadro próprio de colaboradores. Segundo o material da atual chefia, sua continuidade dependeu de um grupo de professores que conciliava o projeto com ensino, pesquisa e extensão. A Sala de Cultura Popular, o Núcleo Museológico e as exposições itinerantes dos anos 1980 e 1990, sobre povos indígenas, religiões afro-brasileiras, cultura popular e artesanato sergipano, mantinham o museu em atividade mesmo sem casa.
Em 2013, problemas estruturais na sede da Rua Estância, localizada no Centro da capital sergipana, ocupada desde 2004, levaram ao fechamento. Os acervos foram retirados e hoje ficam armazenados na Sala 5 da didática 7 da do Campus de São Cristóvão. A obra de modernização e ampliação do casarão começou em 2022 e enfrentou dificuldades e interrupções.
A atual gestão defende que reabrir o prédio não basta para reabrir o museu. As primeiras tarefas foram localizar e reconhecer os conjuntos do acervo e retomar o inventário, a documentação e a conservação preventiva. O processo conta com o apoio da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX), à qual o museu é vinculado, e de diversos setores da UFS.
O acervo reúne coleções arqueológicas, etnográficas, numismáticas, fotográficas, documentais e bibliográficas. Boa parte delas nasceu de pesquisas e trabalhos de campo de professores da universidade. Os materiais das antigas exposições também são preservados e permitem estudar como a universidade pensava a museologia e a educação patrimonial há quatro décadas.
Chefiado pelo Prof. Dr. Rômulo Gonzales, atualmente o MUHSE está em processo de reestruturação administrativa e museológica, além de obras de modernização e ampliação estrutural. Segundo o Rômulo Gonzales, o objetivo deste trabalho consiste em reabrir um museu mais moderno, mais plural, mais acessível.
“Esse trabalho tem sido muito proveitoso. É difícil, evidentemente, e tem suas dificuldades, mas há a alegria diária de ver as conquistas acontecendo e o trabalho sendo desenvolvido, principalmente com a retomada das atividades de ensino, pesquisa e extensão. Os nossos alunos, que felizmente estão chegando, nos dão uma alegria imensa, porque é ver continuar o ciclo que este museu cumpre pela universidade há quase 50 anos: produzir conhecimento. Neste momento, o museu está fechado ao público para exposições, mas não está parado. Todas as conquistas que foram feitas até esse momento não são uma vitória individual, e sim coletiva”, destaca.
Para a Profª Joselita Lisboa, Pró-Reitora de Extensão e Cultura da Universidade Federal de Sergipe, o acervo do museu é um espaço vital de memória que preserva a história do homem sergipano e propaga esse conhecimento para os estudantes e para toda a sociedade.
“O equipamento é indispensável para a formação de estudantes de Museologia, História, Geografia e demais áreas das Ciências Sociais, servindo como um polo de memória e prática para estágios, pesquisas e ações de extensão. As peças do museu estavam guardadas devido ao processo de construção da nova sede na Rua Estância. Diante disso, a PROEX entendeu a urgência de reabrir o espaço na Didática 7, que já se encontra em funcionamento sob a direção do professor Rômulo González, do Departamento de Museologia”, reforça.
Junto à chefia e os estudantes dos estágios obrigatórios de Museologia e Biblioteconomia, a equipe técnica do Museu do Homem Sergipano é composta pela bibliotecária Camila Rodrigues, a auxiliar em administração, Cecília Evangelista dos Santos, além da arquivista Iberle Andrade Coimbra, a responsável pelo arquivo central que tem colaborado com o trabalho do MUHSE na elaboração da sua dissertação.
“O espaço reúne acervos bibliográficos e documentais, abrangendo também mídias e cerca de 11.000 a 12.000 itens fotográficos. No acervo bibliográfico, destacam-se duas coleções super especiais: a da professora Beatriz Góis Dantas e a do professor Felte Bezerra, dois grandes nomes sergipanos que são referências em suas áreas. No momento atual, é realizado um importante processo de preservação dos livros, que inclui etapas de higienização e acondicionamento para garantir a melhor conservação do acervo para o futuro”, explica a bibliotecária Camila Rodrigues.
A retomada do MUHSE também se faz com gente de fora dos bastidores do museu. Entre os colaboradores está a responsável pelo Arquivo Central da UFS, que tem contribuído com o trabalho da unidade enquanto desenvolve sua dissertação de mestrado a partir da documentação ligada à memória da universidade.
Graduada em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e recentemente aprovada no programa de pós-graduação em Ciência da Informação (PPGCI), Iberle Andrade Coimbra escolheu o Museu do Homem Sergipano para desenvolver o seu mestrado profissional. Ela explica que ao conhecer o museu, se encantou pela sua história e destacou a forma excelente como o professor Rômulo conduz a unidade.
“O acervo textual do museu é composto por 73 caixas que guardam a memória e a história do local desde a sua criação. O material inclui fichas de pesquisa do Departamento de Antropologia, ofícios expedidos e recebidos, projetos desenvolvidos e tipologias documentais diversas. Para evitar a perda de informações e facilitar o acesso de estudantes, comunidade externa, professores e pesquisadores, está sendo desenvolvido um instrumento de pesquisa com índice remissivo que fará a localização exata de cada documento em cada caixa, salvaguardando assim a memória da cultura sergipana”, detalha.
Os estudantes dos cursos de Museologia e Biblioteconomia também voltaram ao cotidiano do museu, por meio dos estágios curriculares obrigatórios, acompanhando de perto a documentação, a conservação e a organização dos acervos. Somam-se a esse movimento os projetos de extensão em curso, que mantêm o museu presente na universidade e na sociedade mesmo com a sede fechada.
A estudante de Museologia Alana Santos participa do projeto desde o início, atuando junto à direção desde que o acervo do MUHSE estava localizado no Centro de Cultura e Arte da Universidade Federal de Sergipe (Cultart), trabalhando na organização das peças, verificação de localizações e estruturação do museu.
“O trabalho no museu permitiu colocar em prática os conteúdos estudados em sala de aula, como os processos de organização, higienização e etiquetagem do acervo. Embora tenha sido um processo desafiador e com muitas mudanças, a experiência foi extremamente gratificante, unindo a aprendizagem técnica ao carinho e à paixão dedicados à preservação da memória institucional”, afirma.
Fonte: Ascom UFS
Foto: Giulia Meneses/Ascom UFS
