Nobel da Paz 2026 vai para jurista sul-africana que julgou genocídio em Ruanda

O Prêmio Nobel da Paz 2026 foi concedido à jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, que tem 85 anos, anunciou o Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo, nesta sexta-feira (10).
Ela foi laureada “por sua coragem e integridade excepcionais em sua atuação jurídica e por seus esforços para promover a paz e o direito internacional”, afirmou o presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes. Além disso, Pillay:
- garantiu que Nelson Mandela tivesse acesso a um advogado quando ele estava preso durante o Apartheid;
- se tornou a primeira mulher não branca na Suprema Corte da África do Sul;
julgou o genocídio em Ruanda; - chefiou a área de direitos humanos da ONU.
- presidiu o comitê contratado pela ONU que determinou que Israel cometeu genocídio em Gaza;
“O compromisso de Navi Pillay com os princípios jurídicos universais e sua firme bússola moral são constantes ao longo de sua extensa carreira. Nascida em uma família de origem tâmil indiana, durante o apartheid, em Durban, na África do Sul, Pillay tornou-se advogada e pioneira no campo jurídico, enfrentando a profunda discriminação estrutural, a segregação e a exclusão”, afirmou Frydnes.
Pillay foi a 21ª mulher a ser laureada com o Nobel da Paz, de um total de 144 vencedores.
A jurista sul-africana ainda não havia sido informada pelo sobre sua vitória no Nobel da Paz, porque o comitê não conseguiu entrar em contato com ela, segundo Frydnes. “Se você [Pillay] vir um número norueguês ligando, por favor atenda”, brincou ele.
Além de uma medalha de ouro com o perfil de Alfredo Nobel, fundador do prêmio, Pillay também receberá 12 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6 milhões).
Navanethem Pillay passou a vida dentro de tribunais. Começou nos da África do Sul na época do Apartheid, onde pessoas como ela tinham direitos limitados por lei, e chegou às cortes criadas para julgar os piores crimes cometidos contra civis.
Pillay nasceu em 23 de setembro de 1941, em um bairro pobre de Durban. De etnia tâmil, um povo do sul da Índia com uma grande comunidade na África do Sul, ela é filha de um motorista de ônibus. Em 1965, casou-se com o advogado Gaby Pillay.
Pillay começou a advogar durante o apartheid, o sistema de segregação racial que dividia a população sul-africana por cor de pele e reservava a maior parte dos direitos políticos e civis à minoria branca. O Congresso Nacional Africano (CNA), partido que liderou a luta contra o regime, a descreve como uma ativista anti-apartheid cuja trajetória se confunde com a história da libertação do país.
Com o fim da segregação, ela se tornou a primeira mulher não branca a integrar a Suprema Corte da África do Sul.
A carreira seguiu para fora do país. Pillay foi juíza do Tribunal Penal Internacional e presidiu o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, criado para julgar os responsáveis pelo genocídio de 1994 naquele país africano.
Entre 2008 e 2014, Pillay ocupou o cargo de Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, a principal autoridade da instituição multilateral dedicada a acompanhar violações cometidas por governos no mundo inteiro.
Fonte: G1
