Economia

Novo tarifaço de Trump ameaça mais de 50% das exportações brasileiras aos EUA, estima CNI

16/06/2026 às 15:00

 

Um levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que as novas tarifas propostas pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil podem ampliar para 54,1% a parcela dos produtos do país submetidos a alguma taxação adicional no comércio com os americanos.

Segundo a entidade, as novas taxas (uma de 25%, sob a alegação de que as práticas comerciais do Brasil são desleais em uma série de questões, desde o comércio digital até o desmatamento ilegal; e uma de 12,5%, por falha no combate ao trabalho forçado) podem afetar 35,2% das exportações brasileiras aos EUA.

Segundo a projeção, 31,6% das importações passariam a ter uma tarifa de 37,5% (a soma das duas novas taxas), o que representaria um aumento de 27,5 pontos percentuais à tarifa já vigente, de 10%. Os 3,6% restantes passariam a ser penalizados com uma tarifa de 12,5%.

Hoje, de acordo com a CNI, 18,9% das exportações brasileiras aos Estados Unidos já sofrem com alguma tarifa adicional.

As propostas sugeridas pelos EUA ainda não entraram em vigor. A decisão final será anunciada na primeira quinzena de julho. Até lá, os americanos vão promover duas audiências públicas com o objetivo de discutir as medidas e receber contribuições de empresas, entidades e governos.

Alvos das tarifas

O relatório da CNI lista os produtos que ficariam mais caros em caso de aprovação das novas tarifas. A lista considera as exceções divulgadas pelo USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos, na sigla em inglês) e as exportações que já estão sujeitas às medidas da Seção 232, item da Lei de Expansão Comercial que já está em vigor.

No caso de tarifas de 37,5%, podem ser impactados os seguintes itens:

– Ferro gusa não ligado;

– Sebo não comestível;

– Álcool etílico não desnaturado;

– Açúcar de cana em formato sólido;

– Molduras de madeira padrão de pinho.

 

Já as tarifas de 12,5% podem passar a valer para:

– Silício;

– Lajes de quartzito;

– Óleos essenciais de frutas cítricas;

– Pelotas de minério de ferro aglomeradas;

– Pasta de madeira química, sulfato ou soda, graus para dissolução.

Em 2024, o ferro-gusa movimentou US$ 1,5 bilhão das exportações brasileiras com destino aos Estados Unidos.

Alegações contra o Brasil

As novas sanções tarifárias do governo de Donald Trump têm caráter punitivo e chegam junto a investigações.

O governo americano afirmou ter encontrado “irregularidades” em práticas do comércio brasileiro, dentre outras, ligadas à pirataria, desmatamento e ao Pix.

Dentre as acusações estão:

– Concorrência desleal entre o Banco Central e bandeiras de cartões de crédito estadunidenses, por meio do Pix;

– Tentativa de regulação brasileira de empresas dos EUA ligadas à gestão de redes sociais;

– Comércio desleal em favor de México e Índia;

– Falha quanto aos índices de desmatamento;

– Falta de acesso ao mercado de etanol brasileiro; promoção da pirataria; e

– Crescimento de corrupção no território brasileiro.

 

Fonte: R7

 

 

 

 

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