ARACAJU/SE, 27 de janeiro de 2026 , 20:12:30

Demanda por ar-condicionado crescerá no Brasil nos próximos anos, aponta relatório das Nações Unidas

 

O aumento das médias de temperatura pelo mundo deve ser responsável por triplicar a demanda por ar-condicionados até 2050. É o que aponta relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), apresentado na COP-30.

Países como Nigéria, Indonésia, Filipinas e Brasil estão classificados entre aqueles que terão um aumento drástico na compra desse tipo de equipamento, já que milhões de pessoas que vivem nesses lugares não possuem meios de combater o calor.

O estudo que traz essas afirmações foi publicado na revista científica Nature Sustainability. A pesquisa, feita por cientistas da Universidade de Oxford, desenha diferentes cenários de aquecimento global para projetar a frequência que as pessoas poderão experimentar temperaturas consideradas desconfortavelmente quentes ou frias no futuro.

Pesquisadores estimam que quase 3,8 bilhões de pessoas poderão enfrentar ondas de calor extremas até 2050, sendo que os países tropicais serão os mais afetados. Ainda assim, países como Canadá, Rússia e Finlândia – conhecidos pelas temperaturas mais baixas – correm risco de também sofrerem “impactos severos” pelo aumento de 2°C nas temperaturas médias globais acima dos níveis pré-industriais.

Calor letal já uma realidade

Quando somos expostos a períodos prolongados de calor extremo, o sistema de resfriamento natural do corpo passa a ficar sobrecarregado, causando sintomas que vão desde tonturas e dores de cabeça até insolação e falência de órgãos.

Com as mudanças climáticas tornando as ondas de calor cada vez mais intensas, a disponibilidade de alternativas de resfriamento será um fator essencial de sobrevivência, e para um futuro próximo.

Segundo Jesus Lizana, coautor da pesquisa, em entrevista para a AFP, a maior parte do impacto virá nesta década, à medida que o mundo se aproxima rapidamente da marca de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Chamadas de assassinas silenciosas – já que elas gradualmente afetam o funcionamento do corpo –, as ondas de calor são responsáveis por mais de meio milhão de mortes por ano, segundo relatório publicado em outubro pela parceira entre a revista The Lancet e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Efeitos em qualquer latitude

As piores mudanças estimadas pelo estudo foram projetadas para países tropicais e equatoriais. Países africanos, como República Centro-Africana, Nigéria, Sudão do Sul e Laos, e também o Brasil terão um perigoso aumento de temperatura que ainda está por vir.

Mesmo assim, isso não significa que nações mais frias saíram ilesas. Pelo contrário, países como Canadá, Rússia e Finlândia, desabituados a altas temperaturas, estão despreparados em suas construções não projetadas para suportar o calor.

“Simplificando, as pessoas mais desfavorecidas são as que mais sofrerão com essa tendência de dias cada vez mais quentes, como mostra nosso estudo. Mas os países mais ricos, em climas tradicionalmente mais frios, também “enfrentam um grande problema – mesmo que muitos ainda não se deem conta disso”, afirma Radhika Khosla, uma das autoras do estudo, em comunicado.

Fonte: GALILEU

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