O trabalho análogo à escravidão continua sendo uma grave realidade no Brasil, e dados oficiais divulgados no início de 2026 apontam com clareza que esse crime ainda atinge majoritariamente homens negros, refletindo profundas desigualdades raciais e sociais no país.
Segundo balanço divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), os resgates de trabalhadores em condições análogas à escravidão em 2025 revelam que:
– 86% das pessoas resgatadas eram homens;
– 83% se autodeclararam negros (pretos ou pardos), ou seja, a população negra foi desproporcionalmente mais afetada;
– A faixa etária mais comum entre os resgatados foi entre 30 e 39 anos;
– 65% residiam na Região Nordeste, com destaque para o Maranhão;
– Grande parte tinha baixa escolaridade: 68% com pouca escolaridade, 24% com ensino médio completo e 8% analfabetos.
Esses números evidenciam que o público mais vulnerável e historicamente marginalizado — homens negros com menor acesso à educação e oportunidades — segue sendo o mais exposto à exploração extrema no mercado de trabalho brasileiro.
Mudança no cenário: mais casos em áreas urbanas
Pela primeira vez, as operações de fiscalização identificaram que 68% dos trabalhadores resgatados estavam em áreas urbanas, superando as ocorrências rurais.
Isso demonstra que o trabalho escravo contemporâneo não está restrito ao campo, mas também ocorre em ambientes urbanos e em diferentes setores da economia, como construção civil, indústria e serviços.
Essa mudança reforça a necessidade de ampliar a fiscalização e as políticas públicas de combate à exploração em todo o país, atingindo também centros urbanos onde, muitas vezes, as vítimas se tornam invisíveis.
Como o governo atua e quais foram os resultados de escravidão em 2025
O MTE realizou, em 2025, 1.594 ações fiscais de combate ao trabalho análogo à escravidão, resultando no resgate de 2.772 trabalhadores e trabalhadoras.
Os resgatados tiveram garantido o pagamento de mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias.
Além disso, as fiscalizações asseguraram direitos trabalhistas a mais de 48 mil pessoas, mesmo nos casos em que não foi configurada a situação de trabalho escravo.
Entendendo o problema
O trabalho análogo à escravidão é caracterizado por condições degradantes de trabalho, jornadas exaustivas, servidão por dívida, restrições à liberdade e falta de direitos básicos, o que representa uma das formas mais extremas de violação de direitos humanos no Brasil.
O desafio de combater essa prática exige não apenas ação fiscal, mas também políticas públicas que promovam inclusão social, acesso à educação, geração de emprego formal e reforço das redes de proteção social para grupos historicamente vulneráveis.
Por que isso ainda acontece?
Especialistas afirmam que o trabalho escravo contemporâneo é uma herança das desigualdades históricas no Brasil e está profundamente ligado à falta de oportunidades, exclusão social e racismo estrutural.
Essas condições perpetuam a vulnerabilidade de homens negros e outras pessoas em situação de maior risco social.
Fonte: fdr.com.br





