ARACAJU/SE, 13 de fevereiro de 2026 , 20:16:38

Ministros do STF suspeitam que reunião sobre Banco Master foi gravada clandestinamente

 

A transcrição de diálogos entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), na reunião fechada que selou a saída de Dias Toffoli da relatoria do caso Master, deixou perplexos os integrantes da Corte.

A suspeita dentro do Supremo é que pode ter havido uma gravação clandestina do encontro. Os trechos das falas dos ministros foram revelados pelo site Poder360.

A reunião durou mais de três horas e foi convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, para discutir o relatório apresentado pela Polícia Federal com elementos encontrados nas investigações do Master contra Toffoli.

Uma parte dos magistrados defendia que o documento da polícia não tinha validade jurídica e deveria ter sido rejeitado de prontidão por Fachin. Outra ala, porém, queria que o caso fosse a julgamento do conjunto da Corte.

Segundo os trechos da reunião revelados pelo Poder360, o ministro Luiz Fux afirmou que Toffoli tem “fé pública” e que não era contrário à manutenção de Toffoli na relatoria do caso.

Os ministros André Mendonça e Cármen Lúcia também demonstraram confiança no trabalho do colega, mas disseram que era necessário pensar na “institucionalidade” devido ao desgaste à imagem do Supremo.

Os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Kassio Nunes Marques, por sua vez, fizeram duras críticas à atuação da PF.

Novo acordão prevê impeachment de Toffoli e vaga ao Centrão

O afastamento de Dias Toffoli da relatoria do caso Master e a nomeação de André Mendonça em seu lugar ampliaram a tensão no Congresso. Deputados e senadores voltaram a falar em um novo “acordão”, hipótese à qual parte da oposição resiste.

Nos bastidores, o arranjo é defendido inclusive por parlamentares próximos ao Palácio do Planalto. O desenho prevê o avanço de um processo de impeachment contra Toffoli ainda neste ano, entregando sua saída como gesto à oposição.

Em troca, o Senado aprovaria a indicação de Jorge Messias ao STF. Nesse cenário, o Centrão indicaria o sucessor de Toffoli e, fora da Corte, haveria uma espécie de blindagem nas investigações relacionadas ao caso.

Uma fonte ouvida de forma reservada pela reportagem afirma que parlamentares do PT defendem o acerto. A CNN Brasil procurou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, mas ele não se manifestou.

O novo pedido de impeachment foi protocolado na tarde da quinta-feira (12). O documento menciona pagamentos de Daniel Vorcaro a Toffoli.

A articulação parte da avaliação de que, hoje, Alexandre de Moraes — e não Toffoli — é o ministro do Supremo com maior interlocução no Congresso.

A leitura é a de que seria necessário preservá-lo, ainda que ao custo de sacrificar Toffoli. Pesa nesse cálculo o fato de a relação entre Toffoli e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nunca mais ter sido a mesma após o ministro negar autorização para que Lula deixasse a prisão para ir ao velório do neto.

No entanto, dentro do PT há o temor de que o envolvimento de Toffoli com Vorcaro respingue politicamente em Lula. Toffoli foi advogado do partido, ministro da gestão petista e indicado por Lula ao STF em seu segundo mandato. A avaliação é que a oposição explorará esse vínculo na campanha.

O novo acordão difere do arranjo discutido anteriormente. Na versão anterior, Toffoli permaneceria no cargo e, em contrapartida, as cúpulas do Congresso evitariam a abertura de CPIs e atuariam para frear investigações em curso. Na prática, todos seriam preservados. Agora, o ministro iria para o sacrifício.

Parte relevante da oposição resiste. Parlamentares avaliam que as revelações envolvendo Toffoli representam apenas uma fração do que pode vir à tona. A aposta é que, no celular de Vorcaro, haja menções também a Moraes e à sua esposa, Viviane Barci de Moraes, cujo escritório firmou contrato de R$ 129 milhões com o banco Master.

Há ainda o argumento de que o novo acordo abriria espaço para Lula fazer duas indicações ao STF. Para esse grupo, o melhor cenário seria aguardar a eleição e apostar na vitória da oposição, permitindo que um novo presidente faça as nomeações.

Outro segmento sustenta que o que foi revelado até agora é apenas o começo. Na avaliação desses parlamentares, o avanço das investigações pode tornar o impeachment inevitável, sem necessidade de qualquer pactuação política.

Fonte: CNN Brasil

 

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