Um shopping dedicado exclusivamente à venda de itens usados se firmou como importante centro comercial na Suécia. Ao longo dos últimos dez anos, o crescimento do Retuna, no centro do país europeu, revela o potencial de sucesso de um mercado ainda nichado no Brasil. No projeto, a moda circular ganha um novo nível de relevância, provando que o ineditismo na moda já não é mais uma necessidade.
Um shopping sustentável
O Retuna, na cidade sueca de Eskilstuna, é o primeiro shopping do mundo com lojas exclusivamente de second hand. Fundado em 2015, os dez primeiros anos do espaço provam que o mercado de segunda mão é sustentável não apenas ecologicamente, mas também financeiramente.
Iniciado como um experimento, o negócio vingou e hoje faz parte da rotina dos moradores. Não apenas quando querem comprar itens vintage ou difíceis de serem encontrados, mas também para as necessidades diárias, assim como em um shopping tradicional.
Papel da população
No local, a maior parte dos produtos vendidos é doada pela população. A moda circular se baseia nisso: o agente que compra é o mesmo que repassa, criando um ciclo equilibrado e consciente.
Um dos grandes diferenciais do Retuna é que ele não tem a estética padrão de bazares ou feiras. A impressão é a mesma de um shopping convencional, com lojas nichadas para diferentes tipos de produtos — moda, esportes, mobiliário, brinquedos.
O prédio inclui, ainda, um espaço no qual moradores podem doar itens usados. Eles passam por uma triagem e aquilo que se encaixar nos parâmetros preestabelecidos passa a integrar o extenso catálogo das lojas.
Novo olhar para o usado
A especialista em marketing de moda, Mary-Ann Ball, afirmou, em artigo na The Conversation, que o impacto vai além da qualidade dos produtos. Segundo ela, a “atmosfera” do Retuna faz com que comprar itens de segunda mão seja estiloso e prazeroso.
“O modelo só é possível graças ao financiamento público e ao apoio do governo local — um lembrete de que a inovação circular muitas vezes exige investimento estrutural, e não apenas a boa vontade dos consumidores”, disse a especialista.
Fonte: Metrópoles





