Lembrar de um sonho depende de um detalhe decisivo: o momento em que acordamos. O cérebro humano sonha todas as noites — e mais de uma vez —, mas a memória só registra essas histórias quando o despertar acontece minutos após o fim do sonho, geralmente durante o sono REM, fase em que eles são mais intensos.
Ao longo da noite, o sono se organiza em ciclos que se repetem: sonolência, sono leve, sono profundo e sono REM. O cérebro transita entre essas etapas várias vezes. No estágio REM, marcado por movimentos rápidos dos olhos, a atividade cerebral aumenta enquanto o corpo permanece profundamente relaxado. É nesse cenário que os sonhos ganham forma.
Durante o REM, áreas do cérebro ligadas à memória entram em ação, consolidando lembranças e ampliando o repertório de experiências armazenadas. Os sonhos surgem como uma espécie de colagem mental, na qual vivências recentes e memórias antigas se misturam em narrativas nem sempre lógicas.
Pessoas que relatam se lembrar dos sonhos com frequência costumam ter um sono mais fragmentado, com microdespertares que interrompem o REM. Em contrapartida, quem dorme bem e por tempo suficiente geralmente atravessa essa fase sem interrupções e, por isso, não guarda lembranças do que sonhou.
Refletem e impactam a vida
Pesquisas indicam que os sonhos participam da consolidação da memória e da resolução de problemas, funcionando como um mecanismo de processamento e organização das experiências do dia. Sonhar pode ainda ser uma espécie de ensaio mental para desafios da vida desperta.
Independentemente da origem, os sonhos são recorrentes e influenciam decisões, crenças e a saúde mental. Seu conteúdo muda conforme emoções intensas, medos e desejos profundos, podendo sinalizar estresse, ansiedade, traumas não resolvidos e até quadros psicopatológicos.
Por isso, a interpretação dos sonhos é frequentemente usada como ferramenta de autoconhecimento. Analisar os significados e emoções presentes nos sonhos ajuda a identificar o que precisa ser transformado, além de favorecer insights criativos e soluções para problemas cotidianos.
Sonhos recorrentes, especialmente aqueles com situações constrangedoras centradas no próprio sonhador, costumam refletir preocupações com a imagem pessoal e a forma como se é visto socialmente. Na visão clássica de Freud, apresentada em “A Interpretação dos Sonhos”, essas experiências ajudam a preservar o equilíbrio emocional ao permitir que desejos inconscientes se expressem de maneira simbólica.
Dicas para criar e manter um diário dos sonhos
– Deixe caneta e caderno ao lado da cama para anotar assim que acordar;
– Se usar celular ou tablet, limite o contato com a luz azul apenas ao momento da anotação;
– Ao despertar, evite movimentos bruscos para não perder detalhes da experiência;
– Faça as anotações imediatamente, mesmo que sejam fragmentadas;
– Registre temas, emoções e sensações presentes no sonho;
– Desenhar cenas pode ajudar a visualizar e compreender melhor o conteúdo;
– Como os sonhos se alimentam das vivências diárias, valorizar o cotidiano é uma forma de enriquecer o universo onírico.
Fonte: UOL





