ARACAJU/SE, 13 de fevereiro de 2026 , 12:51:09

Estudantes e ex-presos políticos celebram memória da Operação Cajueiro

 

A Universidade Federal de Sergipe (UFS) reuniu nesta quinta-feira (12) estudantes, professores e ex-presos políticos em uma noite dedicada à memória da Operação Cajueiro, episódio marcante da repressão durante a Ditadura Militar em Sergipe. Organizado por alunos do curso de Direito, com apoio docente e institucional, o evento transformou o auditório em espaço de reflexão e escuta sobre a história da repressão e a importância da democracia.

A Operação Cajueiro resultou na prisão e tortura de jovens que lutavam por uma sociedade mais justa. Para os organizadores, relembrar esses episódios é um exercício de responsabilidade coletiva.

“Eu fico bem contente de ver que os alunos tomaram a frente para organizar”, destacou a professora Andrea Depieri, que coordenou uma das atividades. “A democracia não vem de graça. É um esforço para conquistar e é um esforço para manter.”

Entre os convidados, o ex-preso político Marcelio Bonfim, de 82 anos, falou com emoção sobre sua trajetória durante o Regime Militar. “Enquanto eu tiver um pouquinho de saúde, vou estar preparado para ir às ruas impedir que esse país retorne a uma Ditadura Militar. Eu não quero que os filhos e netos de vocês passem pelo sofrimento que os meus filhos passaram sem saber se eu voltaria pra casa.”

Ao lembrar a geração de 1968 e a repressão violenta enfrentada por estudantes e militantes, Marcelio citou a música A Rapaziada, de Gonzaguinha, como símbolo de esperança. “Eu acredito é na rapaziada que segue em frente e segura o rojão. É essa juventude que vai criar as condições para construir uma sociedade justa, livre, solidária e democrática.”

A participação expressiva dos estudantes foi apontada como um dos pontos altos do evento. Para Teófilo Carvalho, do Diretório Acadêmico de Direito, ouvir relatos de quem viveu o período é fundamental para compreender a história. “Para nós, a Ditadura ainda é algo abstrato, limitado aos livros de história. Ouvir quem atravessou esses horrores é essencial para compreender nossa trajetória histórica.”

O presidente da Liga Acadêmica de Direitos Humanos e Democracia, Daniel Portilho, destacou a importância de democratizar o acesso a essas vozes. “É um evento que carrega um peso muito grande para a história de Sergipe. Democratizar o acesso a essas vozes é essencial para construir um país mais justo, livre e solidário.”

João Liparotti, aluno especial do curso de Cinema da UFS, ressaltou o papel da universidade pública no enfrentamento ao negacionismo. “É fundamental que a universidade abra espaço para essas discussões. Existe uma visão distorcida da história circulando, e a memória precisa ser reparada.”

O reitor da UFS, André Maurício, lembrou a gravidade da Operação Cajueiro. “Pessoas jovens que buscavam uma sociedade mais justa foram torturadas e presas simplesmente por seus ideais. Isso não pode se repetir. A democracia não é algo que se discute, é algo que precisa ser estabelecido sempre.”

*Com informações Ascom UFS

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