ARACAJU/SE, 2 de fevereiro de 2026 , 12:16:22

Laura Fernández vence eleição presidencial na Costa Rica

 

A populista de direita Laura Fernández conquistou uma vitória expressiva nas eleições gerais da Costa Rica nesse domingo (1º), e seu partido governista caminha para obter a maioria no Congresso.

Com 88,43% das urnas apuradas, Fernández soma quase metade dos votos. Líder nas pesquisas antes do pleito, ela precisava de ao menos 40% dos votos válidos para vencer no primeiro turno e evitar uma segunda rodada, marcada para 5 de abril — meta que foi alcançada.

Apadrinhada política e ex-chefe de gabinete do presidente cessante Rodrigo Chávez, Fernández prometeu dar continuidade às rígidas políticas de segurança, às propostas populistas e ao discurso antiestablishment do atual governo. Embora a reeleição consecutiva seja proibida na Costa Rica, ela afirmou que pretende incluir Chávez em sua futura administração.

“A mudança será profunda e irreversível”, declarou Fernández em seu discurso de vitória, ao anunciar que o país estaria entrando em uma nova era política. Segundo ela, a chamada Segunda República, instaurada após a guerra civil de 1948, “ficou para trás”.

“Cabe a nós construir a Terceira República”, disse a apoiadores reunidos em San José. Na Fonte da Hispanidade, ponto tradicional de celebrações esportivas e políticas, simpatizantes se reuniram a pé e de carro, agitando bandeiras e jaguares de pelúcia, símbolo adotado pelo partido de Fernández.

O economista centrista Álvaro Ramos, seu adversário mais próximo, obteve cerca de um terço dos votos. Já Claudia Dobles, arquiteta progressista e ex-primeira-dama, ficou com pouco menos de 5%.

“Precisamos continuar lutando — esse é o nosso trabalho e o nosso compromisso”, afirmou Ramos em seu discurso de concessão. Ele disse que apoiará Fernández em decisões que beneficiem o país, mas fará oposição quando considerar necessário. “Seguiremos apelando à união nacional e à cura de uma nação ferida”, completou.

O Partido Soberano do Povo, de Fernández, deve conquistar 30 das 57 cadeiras do Congresso, um salto em relação às oito que ocupa atualmente. Ainda assim, o resultado fica abaixo de uma supermaioria, que lhe garantiria poderes ampliados.

Nas primeiras horas da votação, parques e praças próximos aos locais de votação em todo o país já estavam tomados por apoiadores com bandeiras e por observadores eleitorais.

Em Esparza, pequena cidade da província costeira de Puntarenas onde Fernández nasceu, as bandeiras azul-turquesa de seu partido superavam as de outras legendas.

Morador da cidade, Ricardo Mora, de 59 anos, contou que ele e seus 11 irmãos apoiaram por décadas o Partido da Libertação Nacional (PLN), de Ramos, mas que a maioria agora migrou para Fernández, cansada de escândalos de corrupção e da má gestão.

“Dizem que quem se encosta na melhor árvore tem a melhor sombra, e ela está na sombra do presidente”, disse Mora, acrescentando que espera ver Chávez exercer, na prática, um segundo mandato por meio de Fernández.

A criminalidade foi a principal preocupação dos eleitores. Pesquisas indicaram que, entre os 3,7 milhões de eleitores, o avanço da violência liderava a lista de temores.

Embora os homicídios tenham atingido níveis recordes durante o governo Chávez, o presidente segue popular, com 58% de aprovação, segundo levantamento do CIEP, da Universidade da Costa Rica.

Para Gabriela Segura, administradora de empresas de 25 anos, o aumento da violência foi decisivo, mas ela também buscava um candidato comprometido com a defesa do sistema público de saúde.

“Dá para perceber o aumento dos assassinatos, dos feminicídios. Como mulher, tenho muito mais medo de sair na rua do que antes”, afirmou.

A vitória de Fernández reflete uma onda recente de triunfos eleitorais da direita na América Latina, observada em países como Chile, Equador e Honduras.

“A Costa Rica, assim como o restante da região, buscava um discurso duro em relação à segurança, e Fernández soube explorar essa retórica”, avaliou Maria Fernanda Bozmoski, diretora para a América Central do Atlantic Council, think tank de relações internacionais sediado em Washington.

Fonte: Valor

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