ARACAJU/SE, 6 de fevereiro de 2026 , 20:13:10

Lula diz ter cobrado explicações do filho sobre suposto envolvimento em escândalo do INSS

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nessa quinta-feira (5), que cobrou explicações do filho, o empresário Fábio Luís – conhecido como “Lulinha” – por ter entrado na mira da Polícia Federal como possível sócio oculto do empresário Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como operador do esquema bilionário de roubo a aposentados e pensionistas através de descontos associativos.

Lulinha não é investigado diretamente por participação no esquema, mas através de uma amiga, a empresária Roberta Luchsinger, que seria sócia em negócios dele de cannabis medicinal e que buscava firmar contratos com o governo federal.

“Eu chamei meu filho aqui [no Palácio do Planalto], e eu falo isso para todo mundo: olhei e disse [que] ‘só você sabe a verdade’. ‘Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço. Se não tiver, se defenda’, porque é assim que eu trato as coisas, com muita seriedade”, afirmou o presidente em entrevista ao UOL sem citar quais teriam sido as explicações do filho.

Lula fez um paralelo das acusações contra o filho às suas próprias quando foi preso em 2018 durante as investigações da Operação Lava-Jato. Ele voltou a repetir que foi injustiçado na época, que chegou a ter proposta de deixar o país, mas que decidiu ficar e enfrentar a Justiça para provar a própria inocência. Anos depois, as condenações foram anuladas e ele recuperou os direitos políticos para concorrer ao terceiro mandato.

“Quando eu decidi ficar aqui e ir para a Polícia Federal [cumprir pena], é porque eu queria desmascarar o que foi feito comigo. E eu ainda trabalho com a fé de que, daqui uns 50, 60 anos, uma parte da imprensa brasileira tenha a coragem de utilizar a palavra ‘desculpe’ e pedir desculpa às mentiras que eles contaram e ao endeusamento que a imprensa fez a algumas pessoas, que hoje não valem nada”, disparou Lula.

O petista ressaltou que o processo a que respondeu “foi falcatrua”, o que levou o Supremo Tribunal Federal (STF) a anulá-lo e a determinar recentemente investigação contra a 13ª Vara Federal de Curitiba, onde corriam as ações referentes à Lava-Jato.

Lula diz que investigação do Master vai revelar participação de “magnatas” que palpitam na economia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nessa quinta-feira (5), que as investigações da Polícia Federal sobre o escândalo do Banco Master irão “às últimas consequências” para revelar o envolvimento de “magnatas que ficam dando palpite na economia brasileira”.

Lula confirmou que recebeu o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, em seu gabinete em 2024 acompanhado pelo ex-ministro Guido Mantega, e que afirmou a ele que não haveria qualquer posição política a favor ou contra o banco. Naquela época, o Master já enfrentava uma crise de liquidez que Vocaro se dizia “perseguido” e que havia outros agentes do mercado financeiro tentando derrubá-lo.

O presidente disse que, após o encontro com Vorcaro, chamou o ministro Fernando Haddad, da Fazenda, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para opinarem sobre os relatos do banqueiro.

“Para que a procuradoria tentasse ajudar, porquê estávamos diante da primeira chance real de pegar os magnatas da corrupção da lavagem de dinheiro desse país. Não me importa que envolva político, partido, banco. Quem tiver metido nisso vai ter que pagar o preço da irresponsabilidade de dar o maior rombo econômico da história desse país”, afirmou o petista em entrevista ao UOL.

Lula também defendeu o ex-ministro Ricardo Lewandowski, da Justiça e Segurança Pública, que teve um contrato de consultoria assinado com o Banco Master antes de ser nomeado para a pasta, e que deixou o atendimento a Daniel Vorcaro assim que passou a fazer parte do governo.

Ainda durante a entrevista, Lula ressaltou que toma “todo o cuidado para não ultrapassar os limites” da função de presidente e toma as decisões que lhe cabem tomar. Porém, ordenou aos órgãos responsáveis que investigue “às últimas consequências”, incluindo os negócios firmados por estados junto ao Master na alocação de recursos previdenciários de servidores, como foi revelado recentemente em transações envolvendo fundos do Rio de Janeiro e do Amapá – base eleitoral do senador Davi Alcolumbre (União-AP), mas que ele não é investigado.

O presidente também citou o aprofundamento das investigações na “falcatrua” envolvendo o Banco de Brasília (BRB), que chegou a tentar comprar uma fatia do Banco Master – transação negada pelo Banco Central – e que adquiriu R$ 12,2 bilhões do banco em carteiras de crédito sem lastro tidas pelas investigações como fraudulentas.

Lula também citou, em relação ao crime organizado fazendo um paralelo ao caso Master, que pretende levar aos Estados Unidos, na reunião que terá com o presidente Donald Trump no começo do mês de março, uma comitiva incluindo o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva; o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; o secretário-geral da Receita Federal, Robinson Barreirinhas; e o próprio Gonet.

O objetivo da comitiva será “para dizer ao Trump que, se quiser combater o crime organizado e o narcotráfico, o Brasil está aqui na linha de frente”.

Por outro lado, o presidente evitou se posicionar sobre uma possível CPI ou CPMI para investigar o escândalo do Banco Master, dizendo que apenas cumpre as funções permitidas ao seu cargo e orienta órgãos subordinados.

Fonte: Gazeta do Povo

 

 

 

 

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