ARACAJU/SE, 25 de fevereiro de 2026 , 20:34:36

STF condena irmãos Brazão a 76 anos e 3 meses por morte de Marielle Franco e de Anderson Gomes

 

Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, nesta quarta-feira (25), os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão pela morte da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes, em 2018. As penas foram de 76 anos e 3 meses.

Ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Domingos Brazão foi um dos mandantes da morte da vereadora.

Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), ele teria ordenado o assassinato de Marielle por interesses econômicos ligados à regularização fundiária em áreas do Rio dominadas por milícias.

Seu irmão, Francisco Brazão, conhecido como Chiquinho, era vereador da capital fluminense à época do crime. A PGR aponta que ele e Domingos agiram em conjunto na decisão de eliminar Marielle.

A vereadora, então colega de Chiquinho na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), teria tido embates políticos sobre projetos de regularização urbana e uso do solo com os irmãos.

A acusação da PGR argumentou que ambos integravam uma organização criminosa com atuação na Zona Oeste do Rio, ligada a milícias, grilagem de terras e formação de currais eleitorais.

No Supremo, os dois foram condenados pelos crimes de duplo homicídio, tentativa de homicídio e organização criminosa armada.

Além disso, os irmãos se tornarão inelegíveis a partir do trânsito em julgado (quando não cabe mais recurso). Até lá, terão os seus direitos políticos suspensos, incluindo o direito ao voto.

Domingos também perdeu o seu cargo público como conselheiro do TCE-RJ. Chiquinho já havia perdido o seu mandato como deputado federal em abril do ano passado.

Os irmãos continuarão presos preventivamente até o julgamento se tornar definitivo. Domingos está detido no Presídio Federal de Porto Velho, em Rondônia, enquanto Chiquinho encontra-se em prisão domiciliar no Rio de Janeiro, para onde foi transferido depois de comprovar problemas de saúde.

Penas de mandantes se equivalem a de executor, Ronnie Lessa

As penas dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão pelo duplo homicídio de Marielle Franco e Anderson Gomes se equivalem proximamente à condenação do executor confesso do crime, o ex-policial militar Ronnie Lessa.

A Primeira Turma do STF condenou, nesta quarta-feira (25), os irmãos Brazão a 76 anos e 3 meses de reclusão. Para a investigação, eles foram os mandantes do crime. Eles foram delatados por Lessa.

Por dois anos de diferença, o ex-policial militar foi condenado a 78 anos e 9 meses de prisão. O julgamento do miliciano foi em outubro de 2024 e atualmente ele cumpre pena no Complexo da Papuda, em Brasília.

Lessa confessou o crime à Polícia Federal no fim de 2023, após a PF entrar na investigação. Ele fechou um acordo de delação premiada e apontou os mandantes pela primeira vez após seis anos. Ele estava cumprindo pena em um presídio federal quando aceitou o acordo e se transferiu a um presídio no interior de São Paulo para ficar mais próximo da família.

Na delação, Lessa disse que agiu por motivação financeira e que foi contratado como matador de aluguel.

Ex-conselheiro do TCE-RJ, Domingos Brazão é apontado como um dos mandantes da morte da vereadora. Mas não sozinho.

Segundo a PGR, ele teria ordenado o assassinato de Marielle por interesses econômicos ligados à regularização fundiária em áreas do Rio dominadas por milícias.

Seu irmão, Francisco Brazão, conhecido como Chiquinho, era vereador da capital fluminense à época do crime. A PGR aponta que ele e Domingos agiram em conjunto na decisão de eliminar Marielle.

O delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, foi absolvido da acusação de duplo homicídio. Ele foi condenado por corrupção e obstrução à Justiça.

Caso Marielle Franco

A vereadora Marielle Franco foi assassinada em 14 de março de 2018 no Rio de Janeiro, junto com seu motorista Anderson Gomes.

Nesta quarta-feira (25), a Primeira Turma do STF condenou, por unanimidade, os mandantes de sua morte, após quase oito anos do crime. Além dos irmãos Brazão, também foram condenados:

– Rivaldo Barbosa: ex-chefe de Polícia Civil que atuou para acobertar o crime;

– Ronald Pereira: policial militar reformado que monitorou a rotina de Marielle para repassar as informações aos assassinos;

– Robson Calixto: ex-assessor e homem de confiança de Domingos Brazão que atuou em atividades relacionadas à exploração imobiliária irregular em áreas sob influência de milícias.

Os cinco réus também foram condenados a pagar uma indenização de R$ 7 milhões, de forma dividida, para os familiares de Marielle e Anderson.

Em 2024, o júri popular também condenou Ronnie Lessa, que realizou os disparos contra a vereadora e o motorista; e Élcio de Queiroz, que dirigia o carro usado na noite do crime.

Fonte: CNN Brasil

 

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