O presidente dos EUA, Donald Trump, repetiu nesta segunda-feira (9) que a guerra no Irã “vai acabar em breve”, pouco mais de uma semana após lançar, ao lado de Israel, intensos bombardeios que causaram grandes estragos ao país e que tiveram impacto em todo o Oriente Médio. Trump questionou o processo de sucessão na República Islâmica, que escolheu um novo líder supremo no fim de semana, e minimizou os impactos da disparada do preço do petróleo. Ele disse ainda que pode retirar sanções para reduzir os preços do barril, sem dar detalhes e citar a Rússia.
Em entrevista coletiva, Trump alegou que “aniquilou completamente todas as forças do Irã”, atingindo mais de 5 mil alvos desde o início do conflito, “incluindo locais responsáveis pela fabricação de drones, poder naval iraniano e capacidade de mísseis”.
— Isso vai acabar em breve — disse, se referindo à guerra. — E se recomeçar, eles serão ainda mais afetados.
Segundo ele, alguns alvos foram “deixados para depois”, fazendo referência à infraestrutura energética iraniana, já sob ataque de Israel desde o fim de semana.
— Estamos esperando para ver o que acontece antes de atacá-los — afirmou, antes de dizer que esses locais poderiam ser destruídos “em menos de um dia”.
Ele alertou as autoridades iranianas para que não tentem interromper o fluxo global de petróleo na região do Golfo Pérsico. Desde a semana passada, o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção global de petróleo e gás, está virtualmente bloqueado, e centenas de embarcações aguardam a melhora das condições de segurança para seguir viagem
— Vamos atingi-los com tanta força que será impossível para eles, ou para qualquer outra pessoa que os ajude, recuperar essa parte do mundo — ameaçou. — Estamos fazendo isso para outras partes do mundo, como a China.
Segundo o presidente, “o Estreito de Ormuz continuará seguro” — mais cedo, ele sugeriu que poderia “assumir o controle” da passagem, e que os EUA estão imunes à alta do preço do petróleo, que ultrapassou os US$ 100 por barril nesta segunda-feira diante do prolongamento do conflito e de ações contra instalações petrolíferas de de extração de gás no Golfo Pérsico.
— Vamos acabar com toda essa ameaça de uma vez por todas, e o resultado será a queda nos preços do petróleo e do gás para as famílias americanas — declarou o presidente, antes de minimizar os impactos da alta no preço do barril para os EUA. — [A crise de oferta] afeta muito mais os países do que os Estados Unidos. Não nos afeta de verdade. Temos petróleo de sobra.
Trump se disse “desapontado” com a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo, sucedendo seu pai, Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra. O republicano afirmou que deseja participar do processo de escolha das novas lideranças iranianas, e havia “vetado” o nome de Mojtaba na semana passada.
— Fiquei desapontado porque achamos que isso vai gerar mais do mesmo problema para o país, então fiquei decepcionado com a escolha deles — declarou. — Queremos estar envolvidos. [O futuro líder] deve ser capaz de fazer algo pacificamente, para variar.
O presidente anunciou que uma investigação está em curso para descobrir o que aconteceu na escola atingida por um míssil em Minab, nos primeiros momentos da guerra, deixando mais de 160 mortos, incluindo crianças. No fim de semana, o presidente declarou que os iranianos atacaram o local, embora análises independentes apontem que os EUA são os culpados.
— Isso está sendo investigado neste momento. Seja qual for a conclusão do relatório, estou disposto a aceitá-la — disse Trump, sugerindo que os iranianos usaram um míssil Tomahawk, arma de fabricação americana que eles não têm em seu arsenal, no bombardeio contra a própria escola.
Ele confirmou uma conversa por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, revelando que os dois discutiram a crise no Oriente Médio, e que Moscou “deseja ser últil”.
— Eu disse: “O senhor poderia ser mais útil se resolvesse logo a guerra entre Ucrânia e Rússia” — declarou Trump, tratando o conflito no Leste Europeu, que havia prometido encerrar “em 24 horas” caso fosse eleito presidente, como uma “luta sem fim”. — Existe um ódio tremendo entre o presidente Putin e o presidente [da Ucrânia, Volodymyr] Zelensky, eles parecem não conseguir se entender. Mas acho que foi uma ligação positiva sobre esse assunto.
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Mais cedo, Trump disse duas vezes — à rede CBS News e em um discurso a parlamentares — que a guerra terminaria “muito rapidamente”, apontando que, em sua opinião, a a operação está avançando mais rápido do que esperavam. Na entrevista coletiva, ao ser perguntado se o fim do conflito ocorreria esta semana, respondeu que não. Em resposta, a Guarda Revolucionária disse em comunicado que “nós decidiremos o fim da guerra”, que “a situação e o futuro da região agora estão nas mãos de nossas Forças Armadas”, e que “as forças americanas não acabarão com a guerra”.
As declarações serviram para reduzir a cotação do petróleo nos mercados internacionais, e o barril voltou a ficar abaixo de US$ 90, valor ainda acima do pré-guerra. Trump alegou que o regime estava pronto para atacar os EUA ” menos de uma semana” antes da decisão americana e israelense de bombardear o Irã, e que “se tivessem uma arma nuclear, teriam usado contra Israel”. Como de hábito, não trouxe evidências para corroborar suas acusações.
— Estavam preparados. Tinham muito mais mísseis do que qualquer um imaginava e iriam nos atacar, mas também atacariam todo o Oriente Médio e Israel — disse aos parlamentares na Flórida. — Eu sei que eles tinham todos aqueles locais de lançamento de mísseis e todos aqueles lançadores que nós eliminamos, cerca de 80% deles agora, aliás, eliminamos a maior parte, sabe, veja, o número de lançamentos diminuiu bastante. Eles têm muito poucos lançamentos restantes.
Fonte: O Globo





