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Saiba como surgiram as cores e os mascotes dos partidos Democrata e Republicano dos EUA

04/11/2026 às 17:02

 

Ao contrário da lógica de boa parte da Europa e da América Latina, onde o vermelho costuma ser associado à esquerda e o azul, à direita, nos Estados Unidos, o vermelho identifica os republicanos, e o azul, os democratas. A divisão atual, tão familiar nos mapas eleitorais americanos, é relativamente recente: só se consolidou na virada do século XXI. Já a história dos mascotes das duas siglas — o burro, dos democratas, e o elefante, dos republicanos — remonta ao século XIX e está ligada ao trabalho de Thomas Nast, um dos mais importantes cartunistas americanos da época.

Vermelho x azul

As cores dos partidos passaram por diferentes combinações antes que o vermelho se consolidasse como a cor do Partido Republicano, mais conservador, e o azul, como a dos democratas, mais liberais.

Por décadas, os republicanos usavam mais o azul do que o vermelho — cor que também predominava nos uniformes dos soldados do Norte durante a Guerra Civil Americana (1861–1865). Lideradas pelo presidente Abraham Lincoln, as forças da União, como eram chamados os estados que permaneceram sob o governo federal, combateram os estados confederados do Sul, que haviam se separado do país. Mais tarde, o azul também apareceu em logotipos e propagandas políticas do Partido Republicano.

Em um dos atlas mais antigos dos EUA, datado de 1883, o azul era usado para marcar os estados onde os Republicanos venceram, enquanto o vermelho registrava os estados com mais votos para os Democratas. Entretanto, os partidos ainda não tinham cor oficial.

Na eleição de 1976, a rede de televisão NBC criou um mapa de plástico dos Estados Unidos com lâmpadas brancas, azuis e vermelhas atrás de cada estado. A regra para a iluminação era: lâmpadas vermelhas para os democratas e azuis para os republicanos. Na época, o democrata Jimmy Cartes venceu o republicano Gerald Ford e o mapa foi iluminado por várias lâmpadas azuis.

Outras emissoras copiaram o modelo do mapa, mas cada um usou a cor que achou melhor para representar cada um dos partidos. Em 1984, por exemplo, o âncora da ABC David Brinkley afirmou que a emissora usou vermelho para os Republicanos, pois a cor tinha a mesma inicial que o candidato e o partido em inglês; “Red, R, Reagan”.

A convenção atual só se consolidou em 2000, na acirrada disputa presidencial entre George W. Bush (Republicano) e Al Gore (Democrata). Durante a cobertura da eleição, a NBC News usou o vermelho para representar os republicanos e o azul para os democratas. O New York Times e a revista Time, dois dos veículos mais influentes do país, também adotaram essa combinação em seus mapas eleitorais. A recontagem de votos na Flórida e a prolongada cobertura da disputa ajudaram a fixar a associação.

Burro x elefante

Já a história dos mascotes das duas siglas remonta ao século XIX e está ligada ao trabalho de Thomas Nast, um dos mais importantes cartunistas americanos. O burro foi o primeiro animal a ser usado como mascote político. Durante a campanha eleitoral de 1828, os adversários de Andrew Jackson, candidato democrata, usavam o animal para ofender Jackson ao fazer um trocadilho com o sobrenome dele. Ao invés de rebater com um apelido para eles, Jackson usou a piada a seu favor e colocou o burro no material de sua campanha e usou o animal como símbolo de sua teimosia.

O elefante demorou mais 36 anos para ser usado em uma campanha política. Em 1864, o jornal “Father Abraham” (Pai Abraham) mostrou o animal segurando um cartaz e celebrando uma vitória durante a Guerra Civil dos Estados Unidos. A expressão “veja o elefante” era uma gíria usada a participação de uma guerra e a lutar bravamente.

Entretanto, foi pelas mãos de Thomas Nast, um dos mais importantes cartunistas da história dos EUA, que os animais ganharam projeção e se consolidaram como símbolos dos partidos. Em 1874, Nast publicou na revista Harper’s Weekly a charge The Third-Term Panic. Na ilustração, um elefante identificado como “voto republicano” aparece assustado, tropeçando em placas que representam a inflação, o repúdio e as reformas, enquanto se dirige a um precipício, em meio ao caos político.

A imagem fazia parte de uma série de charges em que Nast recorria a animais para satirizar os partidos e os rumos da política americana. Os republicanos eram frequentemente retratados como um elefante de grandes proporções, assustado e desorientado, enquanto os democratas apareciam associados ao burro, símbolo de teimosia e ignorância. Com humor e crítica política, o cartunista ajudou a popularizar os dois animais, que acabaram incorporados à identidade das siglas.

Fonte: O GLOBO

 

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