ARACAJU/SE, 21 de fevereiro de 2026 , 14:10:58

Agonorexia: o risco do uso exagerado de canetas emagrecedoras

 

 

O uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, cresceu de forma expressiva nos últimos anos. Indicados para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, esses fármacos são seguros e eficazes quando utilizados com prescrição e acompanhamento médico. No entanto, um comportamento preocupante começa a chamar a atenção dos profissionais de saúde: a agonorexia.

 

O termo vem sendo utilizado para descrever pacientes que fazem uso exagerado e prolongado dessas medicações, reduzindo drasticamente a ingestão alimentar por ausência de fome e desenvolvendo prejuízos nutricionais importantes, perda de massa magra e riscos metabólicos. Segundo a endocrinologista Dra. Lorena Lima Amato, o problema não está na medicação, mas na forma como ela vem sendo utilizada.

 

“As canetas emagrecedoras são ferramentas terapêuticas que realmente dão resultados em pacientes com diabetes e obesidade quando usadas de acordo com as orientações do especialista. Mas o que estamos observando é um uso distorcido, em que o paciente praticamente deixa de se alimentar por falta de apetite, sem qualquer cuidado com a qualidade nutricional. Isso pode levar a quadros de desnutrição, fraqueza muscular e alterações importantes no organismo”, alerta Dra. Lorena Amato.

 

Os análogos de GLP-1 atuam promovendo saciedade. O problema surge quando essa saciedade é interpretada como um estímulo para não comer quase nada.

 

“O paciente passa a se orgulhar de ‘não conseguir comer’. Só que o corpo continua precisando de proteína, vitaminas e minerais. Sem isso, ele emagrece, mas adoece. Em consultório, já são observados casos de pacientes com queda acentuada de cabelo, fraqueza e cansaço extremo, tonturas e desmaios, perda importante de massa muscular, deficiências vitamínicas e alterações hormonais”, conta Dra. Lorena Amato.

 

Histórico ou tendência a transtornos alimentares – Um ponto que tem preocupado os médicos é que pessoas que já apresentavam tendência à anorexia, restrição alimentar excessiva ou relação conflituosa com a comida passaram a utilizar as canetas como um reforço desse comportamento.

 

“Pacientes que antes faziam dietas extremamente restritivas agora encontram na medicação uma forma de legitimar a restrição alimentar. Eles deixam de comer não só por escolha, mas porque realmente não sentem fome. Isso potencializa um comportamento que já era de risco”, explica a endocrinologista.

 

Nesses casos, a medicação deixa de ser um tratamento da obesidade e passa a funcionar como um facilitador de um transtorno alimentar disfarçado de tratamento médico.

 

Dra. Lorena chama atenção para alguns sinais de alerta:

  • Orgulho de não conseguir comer
  • Uso contínuo da medicação sem reavaliação médica
  • Alimentação extremamente restrita
  • Fraqueza frequente e indisposição
  • Perda visível de massa muscular
  • Queda de cabelo e alterações na pele

 

“Esses medicamentos não substituem a alimentação. Eles são um apoio ao processo, que precisa incluir nutrição adequada, acompanhamento médico e, muitas vezes, suporte psicológico. Emagrecer às custas de desnutrição não é tratamento, é risco”, alerta a endocrinologista Dra. Lorena Amato.

 

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