ARACAJU/SE, 6 de fevereiro de 2026 , 20:12:49

Brasil terá 2,3 milhões de novos casos de câncer até 2028, estima INCA

 

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) do Ministério da Saúde publicou o relatório “Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil”. O documento aponta para 781 mil casos novos da doença por ano, no Brasil, entre 2026 e 2028, o que resulta em mais de 2,3 milhões de novos diagnósticos da doença no próximo triênio.

As previsões confirmam que o câncer segue se consolidando como uma das principais causas de adoecimento e morte no Brasil, aproximando-se das doenças cardiovasculares. De acordo com o documento, os números refletem o envelhecimento da população, mas também desigualdades regionais e desafios persistentes no acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento oportuno.

Excluindo o câncer de pele não melanoma, os tipos mais frequentes no Brasil em 2026 serão:

Mama feminina – 78.610 casos/ano (15,2%)

Próstata – 77.920 (15,0%)

Cólon e reto – 53.810 (10,4%)

Traqueia, brônquio e pulmão – 35.380 (6,8%)

Estômago – 22.530 (4,3%)

Entre os homens, a estimativa é de sendo 256 mil novos casos. Os cinco tipos de câncer mais incidentes são os de próstata (30,5%), cólon e reto (10,3%), pulmão (7,3%), estômago (5,4%) e cavidade oral (4,8%), respectivamente. Entre as mulheres serão 262 mil novos casos e predominam os cânceres de mama (30,0%), cólon e reto (10,5%), colo do útero (7,4%), pulmão (6,4%) e tireoide (5,1%).

O câncer de pele não melanoma permanece como o mais frequente em ambos os sexos, sendo apresentado separadamente em razão de sua alta incidência e baixa letalidade – apenas esse tipo de câncer corresponde a 263 mil novos casos anuais, o equivalente a 30% de todos os casos.

A publicação destaca ainda cânceres com grande potencial de prevenção e detecção precoce, como o do colo do útero e o colorretal, que seguem entre os mais incidentes no país. Por exemplo, a vacinação contra o HPV, que está disponível gratuitamente na rede pública para meninos e meninas, previne o câncer do colo do útero, que é a segunda neoplasia mais incidente nas regiões Norte e Nordeste e a terceira no Centro-Oeste e Sudeste, evidenciando desigualdades estruturais no acesso às políticas de saúde.

Já o câncer colorretal tem como ferramentas de rastreio para o diagnóstico precoce a colonoscopia e o exame de sangue nas fezes. Outros tumores muito incidentes, como o câncer de mama e o de próstata também têm exames eficazes de rastreio.

“Estamos vendo a materialização de tendências anunciadas há anos. O crescimento reflete o envelhecimento da população, mas também a exposição contínua a fatores evitáveis como sedentarismo, obesidade, alimentação inadequada e tabagismo — agora agravados pelo avanço do cigarro eletrônico entre jovens”, analisa Carlos Gil Ferreira, diretor médico da Oncoclínicas e presidente do Instituto Oncoclínicas, em comunicado.

Desigualdades regionais

O retrato regional revela dois Brasis oncológicos distintos. No Sul e Sudeste, predominam tumores associados ao estilo de vida urbano, como mama, próstata e colorretal. Já no Norte e Nordeste ganham peso cânceres ligados a condições preveníveis, como colo do útero e estômago, fortemente associados a infecções, saneamento precário e menor cobertura vacinal.

Entre homens dessas regiões, o câncer gástrico ocupa posições de destaque. No Sul e Sudeste, tumores relacionados ao tabagismo — como pulmão e cavidade oral — aparecem com maior frequência.

“Esses padrões refletem a interação entre fatores demográficos, ambientais, hábitos de vida e desigualdade no acesso aos serviços de saúde”, reforça Carlos Gil.

Prevenção e diagnóstico precoce

O controle do tabagismo segue como uma das medidas mais eficazes de prevenção de diferentes tipos de câncer, assim como a redução no consumo de álcool. Alimentação saudável e atividade física também diminuem risco de diversos tipos de câncer.

Fonte: O GLOBO

 

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