ARACAJU/SE, 3 de abril de 2025 , 15:52:00

Dia Mundial da Conscientização do Autismo é celebrado nesta quarta-feira (2): conheça alguns famosos que são portadores do transtorno

 

Nesta quarta-feira, 2 de abril, é celebrado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. A data, criada em 2007 pela Organização das Nações Unidas (ONU), tem como objetivo tornar o tema mais visível, assim como as informações sobre a condição no ambiente social, além de reduzir o preconceito em relação às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas no mundo possuem o distúrbio do neurodesenvolvimento, que afeta a maneira como o indivíduo se relaciona com o mundo ao seu redor.

Nos últimos anos, diversas personalidades do cinema, da música e do ativismo têm revelado diagnósticos tardios do Transtorno. O tema tem ganhado mais visibilidade à medida que figuras públicas compartilham suas experiências, ajudando a desmistificar o autismo e a mostrar a diversidade de perfis dentro do espectro.

Em 2023, o apresentador Danilo Gentili, de 45 anos, aproveitou o espaço de seu programa ‘The Noite’, no SBT, para revelar que foi diagnosticado com autismo no ano anterior. Na ocasião, ele, que entrevistava a podcaster Amanda Ramalho, contou que não fez outros exames para avaliar a gravidade de sua condição.

“Sabia que eu também fui diagnosticado? Tem pouco mais de um ano e eu fiz o teste e me diagnosticaram com nível de espectro autista. Me disseram que eu precisaria fazer outros exames de acompanhamento para ver qual era o nível, mas eu não quis. Se eu sou autista, não quero saber, já sou assim e já era”, disse Gentili.

Em setembro do mesmo ano, a atriz Letícia Sabatella, de 54 anos, revelou seu diagnóstico de grau leve do Transtorno do Espectro Autista (TEA), recebido aos 52 anos de idade. Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, ela contou que chega a se sentir mal fisicamente em algumas situações, devido à hipersensibilidade, como diante do excesso de barulho, um dos sintomas típicos de quem pertence ao espectro.

Sabatella também falou sobre o alívio do diagnóstico, mesmo que tardio, após os 50 anos. “A sensação foi libertadora. Estou nesse processo de buscar a melhor compreensão, sem desespero algum. Estou aprendendo sobre esse assunto. Sei sobre mim, intuitivamente. Esse é o valor de um bom diagnóstico. A pessoa que não se conhece é mais suscetível a ser oprimida”, relatou.

Elon Musk, 53 anos, CEO da Tesla e do X (antigo Twitter), revelou ter um nível leve de autismo, identificado como Síndrome de Asperger. Durante sua participação no ‘Saturday Night Live’, o bilionário comentou suas dificuldades na comunicação. “Muitas vezes, depois de eu dizer alguma coisa, tenho que reforçar que estou falando sério para que as pessoas realmente entendam”, afirmou no programa.

A ativista ambiental sueca Greta Thunberg, 22 anos, um dos nomes mais influentes da luta contra as mudanças climáticas, é outra personalidade que fala abertamente sobre estar no espectro autista. Eleita Pessoa do Ano pela Time em 2019, ela usa suas redes sociais para conscientizar sobre o tema. “Isso significa que, às vezes, sou um pouco diferente, e que isso é uma superpotência”, afirmou.

Sia, 49 anos, cantora australiana famosa por sucessos como “Chandelier”, também tornou público seu diagnóstico de TEA. Em um podcast, ela desabafou sobre sua jornada e os desafios enfrentados ao longo dos anos. “Nos sentimos vistos pela primeira vez em nossas vidas, por quem realmente somos, e então podemos começar a sair para o mundo e apenas operar como seres humanos, sem fingir ser algo que não somos”.

Anthony Hopkins, 87 anos, vencedor do Oscar por O Silêncio dos Inocentes, descobriu que era autista na terceira idade, após incentivo de sua esposa. O diagnóstico, recebido por volta dos 70 anos, ajudou o ator a compreender melhor as dificuldades que enfrentou ao longo da vida, como a dificuldade de socialização. Ele chegou a relatar que, na juventude, sentia-se isolado e tinha problemas para se encaixar em grupos.

Conhecido por seu papel em Prison Break, o ator Wentworth Miller, 52 anos, começou a suspeitar que poderia estar no espectro após pesquisas na internet. Posteriormente, confirmou o diagnóstico com um profissional. “Ser autista é central para quem eu sou, para tudo que já fiz ou articulei”, declarou. No entanto, ele evita falar muito sobre o tema publicamente, por temer contribuir para desinformação.

Embora o autismo seja identificado na maioria das vezes na infância, essa condição tem sido diagnosticada com maior frequência em adultos.

Como diagnosticar autismo na fase adulta?

À IstoÉ Gente, o psicólogo Alexander Bez, especialista em relacionamentos pela Universidade de Miami, em ansiedade e síndrome do pânico pela Universidade da Califórnia e em saúde mental, explicou tudo sobre o transtorno na fase adulta. Confira!

“O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição neurológica que faz parte do desenvolvimento do sistema nervoso da pessoa. Atualmente, no mundo, 75 milhões de pessoas recebem esse diagnóstico, o que o torna uma condição mais comum do que se pensava, presente em uma parcela significativa da população”, inicia o profissional.

“A crescente prevalência do TEA significa que existem mais recursos disponíveis para controlar e tratar a condição, tornando a vida diária dos pacientes mais gerenciável. No entanto, as manifestações dos sintomas podem ocorrer em idades variadas, embora um diagnóstico precoce tenda a melhorar a qualidade de vida do indivíduo”.

Qualquer pessoa pode ser diagnosticada com TEA?

Sim, qualquer pessoa, independentemente da idade, gênero ou origem, pode ser diagnosticada com TEA, desde que apresente as características neurológicas e de desenvolvimento associadas.

É possível receber um diagnóstico de TEA tardiamente?

Sim, é possível. Embora os sintomas geralmente se manifestem antes dos 18 anos, alguns podem surgir mais tarde na vida, muitas vezes devido a estarem latentes e não terem sido reconhecidos ou tratados anteriormente.

Quais são as principais razões para o diagnóstico tardio?

Fatores como experiências traumáticas, conflitos diários e, especialmente, tarefas que sobrecarregam as habilidades da pessoa podem desencadear o aparecimento tardio dos sintomas, uma vez que essas situações podem sobrecarregar o sistema neurológico do indivíduo.

Existem diferentes níveis de gravidade dos sintomas do TEA?

Sim, existem. O TEA pode se manifestar de forma leve, moderada ou severa. Em casos mais leves, os sintomas podem passar despercebidos, tornando o diagnóstico mais desafiador e afetando a qualidade de vida da pessoa de forma não diagnosticada.

No caso de adultos, quais sintomas podem levar a um diagnóstico tardio?

– Dificuldade em entender as opiniões e pensamentos dos outros;

– Dificuldade em interpretar expressões faciais e corporais;

– Dificuldade em regular as próprias emoções;

– Dificuldade em manter conversas;

– Tendência a comportamentos repetitivos e rotinas fixas;

– Resistência à mudança e preferência por rotinas familiares;

– Dificuldade em expressar sentimentos (frequentemente mal interpretados como traços de personalidade);

– Dificuldade em estabelecer relações sociais.

Como é realizado o diagnóstico em adultos?

O diagnóstico em adultos é baseado na observação dos sintomas apresentados. Isso envolve avaliações neurológicas, psiquiátricas e psicológicas, além da coleta de informações sobre o histórico genético, familiar e do desenvolvimento infantil durante a anamnese.

Como é tratado o TEA?

O tratamento para o autismo visa a melhorar a qualidade de vida do paciente, minimizando suas dificuldades e maximizando suas habilidades. Ele envolve intervenções, terapias e psicoterapias adaptadas ao nível do espectro em que a pessoa se encontra. O objetivo é tornar a pessoa mais funcional e reduzir seu sofrimento, com a possibilidade de uso de medicações ansiolíticas ou antipsicóticas, se necessário.

Fonte: IstoÉ

 

Você pode querer ler também