ARACAJU/SE, 6 de abril de 2026 , 10:07:19

Má alimentação agrava danos do diabetes e coloca a visão em risco

 

 

Sabia que aquilo que está no seu prato pode definir como você enxergará no futuro? A alimentação tem papel decisivo na prevenção de doenças oculares causadas pelo diabetes, condição que, quando mal controlada, pode levar a complicações silenciosas e até à perda da visão.
De acordo com o Dr. Marcelo Ventura Filho, oftalmologista do Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE), o diabetes mal controlado pode desencadear diferentes problemas nos olhos. “Precisamos estar atentos a duas coisas principais. Uma delas é a catarata, que pode surgir mais cedo e evoluir mais rápido nesses pacientes. A outra envolve a retina, onde pode ocorrer a retinopatia diabética, com alterações nos vasos que levam a sangramentos e até perda de visão”, explica. Ele também chama atenção para o edema macular diabético, descrito como um inchaço na região central da retina. “Esse espessamento causa visão embaçada. É tratável, mas, quando se torna crônico, pode dificultar a recuperação visual”, acrescenta.
Entre essas condições mencionadas, a retinopatia diabética é a mais comum e exige vigilância constante. “Ela é a principal patologia a ser observada. O tempo de convivência com o diabetes e o controle da glicemia são fatores determinantes. Quanto mais tempo com a doença e quanto pior o controle, maior o risco de evolução para estágios mais graves”, afirma o médico. Segundo ele, manter níveis adequados de açúcar no sangue ajuda a reduzir as chances de progressão e pode retardar danos mais severos.
Os sinais de alerta, embora nem sempre apareçam no início, devem ser levados a sério. “O paciente pode perceber visão embaçada ou distorcida, com sensação de que as letras estão dançando ou que linhas retas parecem tortas. Em alguns casos, há a impressão de buracos ou desníveis onde não existem”, detalha. Essas alterações, conforme explica, estão relacionadas a mudanças na estrutura da retina. Em situações mais avançadas, pode ocorrer perda súbita da visão devido a sangramentos internos. “Isso acontece por causa do surgimento de vasos anormais, que são frágeis e podem romper”, completa.
Quando há dificuldade em controlar a glicose, o cuidado precisa ser redobrado. “Oscilações frequentes, com picos elevados seguidos de quedas, aceleram o desenvolvimento dessas complicações”, alerta. Nesses casos, o acompanhamento oftalmológico deve ser mais próximo. “Identificar precocemente permite intervenções menos agressivas e mais eficazes”, diz. Ele reforça que o tratamento ocular isolado não resolve o problema. “Estamos lidando com uma consequência de algo sistêmico. Sem controle glicêmico e sem orientação nutricional, os resultados ficam comprometidos”, pontua.

O especialista destaca a importância de uma abordagem integrada. “É fundamental o acompanhamento com endocrinologista, nutricionista e outros profissionais, conforme a necessidade de cada paciente”. A alimentação equilibrada, nesse contexto, torna-se uma aliada essencial. Ainda que não haja uma lista única que sirva para todos, o médico reforça que escolhas adequadas ajudam no controle da glicemia e, consequentemente, na proteção da visão. O suporte profissional é indispensável para orientar cada caso de forma individualizada.
Por fim, o acompanhamento regular com o oftalmologista é decisivo para preservar a saúde ocular. “Com consultas frequentes, conseguimos detectar alterações iniciais e orientar o paciente antes que seja necessário um tratamento mais invasivo”, afirma. Ele destaca que o intervalo entre as avaliações pode variar. “Nem sempre uma consulta anual é suficiente. Em alguns casos, o ideal é retornar a cada seis ou até três meses, dependendo do estágio da doença”, explica. O objetivo, segundo ele, é claro: “Preservar a visão pelo maior tempo possível, mesmo em uma condição crônica como o diabetes”, conclui o Dr. Marcelo Ventura Filho.

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