ARACAJU/SE, 9 de abril de 2026 , 12:13:41

Sergipe realiza nove transplantes renais de doadores falecidos nos últimos três meses

 

Sergipe voltou a realizar transplantes renais com doadores falecidos após 13 anos e já contabiliza nove procedimentos em apenas três meses. As cirurgias foram realizadas entre o Hospital Universitário de Aracaju, com um caso, e a Fundação Beneficente Hospital de Cirurgia (FBHC), responsável por oito transplantes.

A retomada dos procedimentos ocorre a partir de um contrato firmado entre o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), e o Hospital de Cirurgia, no valor de R$ 241 milhões. O transplante renal é considerado o tratamento mais indicado para pacientes com doença renal crônica em estágio avançado, por reduzir a dependência da hemodiálise e aumentar a sobrevida.

A realização das cirurgias, no entanto, depende diretamente da doação de órgãos, fator essencial para ampliar o número de procedimentos e atender a demanda de pacientes em lista de espera.

Entre os beneficiados está a paciente Jucilene Monteiro, de 52 anos, moradora de Nossa Senhora da Glória, que enfrentava a doença renal crônica há três anos. “Minha luta começou há cerca de três anos, quando comecei a sentir muito cansaço. Depois dos exames, veio o diagnóstico e iniciei o tratamento. Durante esse tempo, precisei fazer hemodiálise por cerca de 11 meses. Não é fácil, porque a gente passa a depender de uma máquina”, relatou.

Após meses de espera, ela foi submetida ao transplante com sucesso e destacou o atendimento recebido. “Fui muito bem atendida aqui no hospital, desde o início até a cirurgia. Com o procedimento, a expectativa é de mudança na rotina. Antes, enfrentava limitações causadas pelo cansaço e pela dependência do tratamento. Agora, pretendo retomar atividades do dia a dia com mais autonomia”, disse Jucilene.

A doação de órgãos e tecidos no Brasil depende da autorização familiar, mesmo quando há manifestação prévia do doador. O processo é iniciado com a identificação de pacientes em estado neurocrítico e, após a confirmação de morte encefálica, os órgãos são direcionados pela Central Estadual de Transplantes a receptores compatíveis, seguindo critérios do Sistema Nacional de Transplantes.

Dados da Central Estadual de Transplantes de Sergipe indicam que, entre janeiro e março de 2026, o estado registrou 10 doadores. No período, foram disponibilizados oito corações, com três transplantes realizados; 12 fígados, dos quais oito foram utilizados; e 25 rins, resultando em 17 transplantes. Também foram captadas 35 córneas, com 18 procedimentos realizados.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, houve crescimento no número de doadores — eram nove no início de 2025 contra 13 em 2026 — sinalizando avanço na conscientização sobre a importância da doação de órgãos no estado.

*Com informações Secom

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