Economia

Trabalhadores priorizam salário e estabilidade à flexibilidade no horário, revela CNI

08/06/2026 às 14:30

 

Salário e estabilidade no emprego são os fatores mais valorizados pelos brasileiros na busca por trabalho. É o que revela pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada na sexta-feira (5). O levantamento ouviu 2.008 pessoas a partir de 16 anos, nos 26 estados e no Distrito Federal, entre os dias 10 e 15 de outubro de 2025.

Segundo o estudo, 28,7% dos entrevistados apontaram o salário como o principal diferencial na procura por uma ocupação. Em seguida aparecem estabilidade no emprego (22,4%), perspectiva de crescimento na carreira (20,1%) e flexibilidade de horário de trabalho (19,3%).

Atributos frequentemente associados às novas modalidades de trabalho — como a possibilidade de trabalhar de casa, mencionada por 15,9% dos entrevistados, e a jornada de trabalho reduzida, citada por 9,8% dos ouvidos — tiveram menor peso nas respostas.

“Mesmo nesse cenário de novas modalidades de trabalho, em que a flexibilidade acaba sendo também uma moeda de troca, esses fatores tradicionais são valorizados e acabam sendo muito associados ao emprego com carteira assinada”, destaca Claudia Perdigão, especialista em Políticas e Indústria da CNI.

Futuro incerto

O levantamento da CNI mostra ainda que 43% dos brasileiros não sabem dizer em qual ocupação se veem daqui a cinco anos, sendo que esse sentimento de incerteza é maior entre a população mais velha. “Esse cenário de dúvida que recai sobre uma parcela muito grande dos trabalhadores brasileiros acaba sendo explicado, sobretudo, por essas inovações tecnológicas, que trazem preocupação com relação à adaptação do trabalho a essas tecnologias”, analisa a especialista.

A pesquisa revela também o desejo do trabalhador brasileiro de empreender no futuro: 13,9% dos entrevistados querem ter seu próprio negócio nos próximos cinco anos, com destaque para os empreendimentos tradicionais, como trabalho autônomo, comércio varejista e serviços de baixa complexidade — tais como salão de cabeleireiro, bares e restaurantes.

Preferência pela CLT

Entre as pessoas que estavam ocupadas e buscaram trabalho no mês anterior à pesquisa, o emprego formal, regido pela CLT, foi apontado por 36,3% como o tipo de oportunidade profissional mais atrativa.

Por outro lado, somente um em cada dez brasileiros classificou como atrativas as oportunidades de emprego autônomo em plataformas digitais, como motorista ou entregador de empresas de aplicativo.

Falta de vagas qualificadas

Quando perguntados sobre os maiores obstáculos para concretizarem suas ambições profissionais, 22% dos trabalhadores apontaram a falta de oferta de vagas de emprego com boas condições como o fator mais relevante. Falta de experiência prática suficiente (17,6%), falta de oferta de cursos de formação exigidos pelo mercado na região onde residem (16,9%) e necessidade de cuidar de familiares (16,1%) aparecem na sequência entre os fatores mais citados.

Apesar das dificuldades apontadas, 95% dos entrevistados se declararam satisfeitos com o emprego atual, sendo 70% muito satisfeitos.

Fonte: R7

 

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