Cerca de 70 mil fiéis participaram, entre os dias 27 e 28 de fevereiro e 1º de março, da tradicional Romaria do Senhor dos Passos, em São Cristóvão, na região metropolitana de Aracaju. Considerada uma das maiores manifestações religiosas do Nordeste, a celebração lotou o Centro Histórico da chamada Cidade Mãe de Sergipe, especialmente a Praça São Francisco.
Com mais de 200 anos de história, a romaria é reconhecida como Patrimônio Cultural e Imaterial de Sergipe desde 2015 e tem papel central na consolidação do turismo religioso no estado. Além do significado espiritual, o evento movimenta a economia local, gerando emprego e renda durante os três dias de programação.
Realizada anualmente durante a Quaresma, como preparação para a Páscoa, a festividade começou com a caminhada penitencial na sexta-feira, quando a imagem do Senhor dos Passos foi trasladada do Santuário São Judas Tadeu, em Aracaju, até a Igreja Matriz Nossa Senhora da Vitória. No domingo, a tradicional Procissão do Encontro reuniu milhares de devotos que acompanharam as imagens do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora da Soledade até a Praça São Francisco, onde ocorreram o Sermão do Encontro e o Canto da Verônica.
A manifestação religiosa tem raízes no século XVII e foi iniciada na cidade por frades carmelitas. Durante a romaria, é comum a prática de promessas e rituais de agradecimento, como a oferta de objetos simbólicos — entre eles, réplicas de partes do corpo e chaves — representando graças alcançadas. Ao longo da programação, foram celebradas mais de 20 missas.
Para o frei Pedro Rangel Trajano Lins, da Ordem dos Carmelitas e pároco da Paróquia e Santuário Nossa Senhora da Vitória, a romaria é um momento de renovação espiritual e fortalecimento comunitário. Segundo ele, a celebração expressa a devoção a Jesus Cristo e inspira os fiéis a seguirem valores como oração, perseverança e caridade. O religioso também destacou que o evento atrai romeiros de diversas partes do Brasil e até do exterior, que participam em gesto de gratidão pelas graças recebidas.
O impacto da romaria também é percebido no setor turístico. De acordo com o turismólogo Diego Prado, o evento é o principal responsável pelo fortalecimento do turismo religioso em Sergipe, atraindo visitantes e impulsionando a economia do município.
No Museu de Arte Sacra de São Cristóvão, uma exposição temática apresentou peças e elementos históricos que retratam a importância da festa para o estado. Segundo o diretor da instituição, Jorge Maklin, a iniciativa busca valorizar a tradição e apresentar a manifestação cultural aos visitantes que chegam de diferentes regiões do país e do mundo.
Entre os romeiros, histórias de fé se multiplicaram pelas ruas históricas da cidade. A estudante Mayuane Fonseca de Santana, de Lagarto, participou da celebração acompanhada do pai e do namorado. Ela contou que retornou à romaria para agradecer uma graça alcançada e renovar a fé. Segundo a jovem, em uma participação anterior, fez um pedido pela saúde de sua cachorrinha, que estava doente, e teve a graça atendida.
A romaria também representa oportunidade de renda para trabalhadores informais. O vendedor ambulante Edilvan da Silva Face, de Águas Belas (PE), participou pela primeira vez comercializando artigos religiosos e artesanato. Ele avaliou positivamente o movimento e afirmou que a festa contribuiu para garantir uma renda extra durante o período.
Além de reafirmar a tradição secular, a Romaria do Senhor dos Passos consolidou-se, mais uma vez, como expressão de fé, patrimônio cultural e motor econômico para São Cristóvão e para Sergipe
Fonte: Secom





