Saumíneo Nascimento
Estamos fechando o ano de 2026 com a taxa básica de juros do Brasil – Taxa Selic ficando no patamar de 15,00% ao ano, por decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), sob a alegativa de que referida decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Segundo o comunicado da Copom, da sua última reunião do ano de 2026, o objetivo fundamental da decisão é assegurar a estabilidade de preços e contribuir para o crescimento do nível de atividade econômica e para o fomento do pleno emprego.
Registre-se que o Comitê de Política Monetária (Copom) é o órgão do Banco Central do Brasil, formado pelo seu Presidente e diretores, que define, a cada 45 dias, a taxa básica de juros da economia – a taxa Selic.
A taxa de juros Selic é a referência para os demais juros da economia. Trata-se da taxa média cobrada em negociações com títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, registradas diariamente no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic).
O histórico de votações pelo Copom ao longo de 2025, nas votações da taxa básica de juros do Brasil foi o seguinte: 29/01/2025 – 13,25% ao ano, na época foi um aumento de 1,0 ponto percentual, pois a taxa anterior era de 12,25% ano, ocorrida na última votação de 2024 em 11/12/2024; na segunda votação de 2025, ocorrida em 19/03/2025, o Copom aumentou mais 1,0 ponto percentual e a taxa de juros foi para 14,25% ao ano; na terceira reunião do Copom, ocorrida em 07/05/2025, o Copom manteve a sua trajetória de aumento da taxa de juros, mas desta vez em 0,5 ponto percentual e a taxa de juros foi para 14,75% ao ano; na quarta reunião do Copom, ocorrida em 18/06/2025, o Copom mais uma vez aumenta a taxa de juros, agora em um patamar menor 0,25 ponto percentual e a taxa de juros chegou a 15,0% ao ano. Nas reuniões seguintes ocorridas em 30/07/2025, 17/09/2025, 05/11/2025 e 10/12/2025, a taxa de juros foi mantida em 15% ao ano. Assim, verifica-se que iniciamos o ano com uma taxa de juros básica da economia brasileira em 12,25% ao ano, trazida do ano de 2024 e encerramos o ano de 2025, com uma taxa de juros de 15% ao ano, evidenciando-se um aumento de 2,75 pontos percentuais ao longo deste ano.
Esta evolução da taxa básica de juros que demonstrei ao longo de 2025 teve impacto para quem precisa de empréstimos e financiamentos para as suas necessidades, sejam as pessoas naturais, sejam as empresas nas suas demandas produtivas.
Cabe apontar que as variáveis básicas que o Copom analisa para a tomada de decisão da definição da taxa Selic são: a taxa de inflação, as contas públicas, a atividade econômica e o cenário econômico externo. Neste ensaio abordarei a variável inflação, por ser a mais conhecida e sentida diretamente pela população em geral e pelas empresas do nosso país.
Conceitualmente, o Banco Central do Brasil define a inflação, como o aumento dos preços de bens e serviços. Ela implica diminuição do poder de compra da moeda. A inflação é medida pelos índices de preços. O Brasil tem vários índices de preços. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o índice utilizado no sistema de metas para a inflação.
A autoridade monetária do nosso país, o Banco Central, aponta que a inflação gera incertezas importantes na economia, desestimulando o investimento e, assim, prejudicando o crescimento econômico. Os preços relativos ficam distorcidos, gerando várias ineficiências na economia. As pessoas e as firmas perdem noção dos preços relativos e, assim, fica difícil avaliar se algo está barato ou caro. A inflação afeta particularmente as camadas menos favorecidas da população, pois essas têm menos acesso a instrumentos financeiros para se defender da inflação.
Adicionalmente, o Banco Central informa que a inflação mais alta também aumenta o custo da dívida pública, pois as taxas de juros da dívida pública têm de compensar não só o efeito da inflação mas também têm de incluir um prêmio de risco para compensar as incertezas associadas com a inflação mais alta.
Assim, pelo exposto, o Banco Central do Brasil trabalha para manter a inflação baixa, mas não para que os preços declinem, mas sim, com a perspectiva de que os valores cobrados sejam relativamente estáveis ao longo do tempo. Agindo dessa forma, o Banco Central do Brasil entende que a inflação mantendo-se baixa e previsível, será importante para o planejamento de todos.
A inflação do Brasil medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), medida até o mês de novembro de 2025, ou seja, de janeiro a novembro de 2025 está em 3,92% e ao longo dos últimos 12 meses, ou seja, de dezembro/2024 a novembro/2025 está em 4,46%. Cabe registrar que a meta de inflação estabelecida para o Brasil para 2025 é 3,0%, permitindo-se um intervalo para mais ou para menos de 1,5%. Com isso, no limite superior, a inflação do Brasil para o cumprimento da meta pode ficar em até 4,5%, se estamos com 4,46%, significa que estamos dentro do planejado para a inflação no país. Mas só saberemos mesmo, a inflação de 2025 quando o ano terminar e isto só saberemos em janeiro de 2026, mas a tendência é que efetivamente o Brasil consiga ter uma inflação em 2025 (janeiro a dezembro), neste limite de até 4,5%.
No decorrer do ano de 2025, a inflação medida pelo IPCA foi a seguinte: janeiro (0,16%), fevereiro (1,31%), março (0,56%), abril (0,43%), maio (0,26%), junho (0,24%), julho (0,26%), agosto (-0,11%), setembro (0,48%), outubro (0,09%) e novembro (0,18%). Verifica-se que em fevereiro/2025 tivemos a maior inflação do ano e em agosto/2025, ocorreu uma deflação, o que não é bom para a economia, o ideal é o que ocorreu em outubro, uma inflação muito próxima de zero.
Pelo histórico de inflação que foi apresentado no decorrer de 2025, demonstrando-se controle, o Banco Central do Brasil vai entender que foi acertada a política monetária de manutenção de uma taxa básica de juros que é elevada e que foi sendo aumentada continuamente ao longo do ano.