Abordarei neste breve ensaio, algumas informações coletadas na Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) para demonstrar a evolução do financiamento imobiliário no Brasil.
De acordo com informações coletadas na entidade, o Sistema Financeiro da Habitação (SFH) foi criado em meados da década de sessenta, pela Lei nº 4.380, de 1964, no âmbito de uma reformulação geral do Sistema Financeiro Nacional. A mesma Lei instituiu a correção monetária, com o objetivo de abrir o mercado para a colocação de títulos do governo e viabilizar financiamentos de longo prazo.
Os dados coletados pela inteligência de mercado sobre as operações contratadas com recursos das cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) para aquisição, construção, reformas e materiais no período de janeiro a novembro/2025, apontam o seguinte:
Para construção foram financiadas 96.630 unidades em um montante de R$ 26.160 milhões; já para aquisição foram financiadas 311.643 unidades em um montante de R$ 113.981 milhões. Dessa forma, o total de unidades financiadas foi de 408.273 em um montante de R$ 140.141 milhões.
No período analisado (janeiro a novembro/2025), o mês de maior volume foi setembro/2025, no referido mês 45.711 unidades e um montante de R$ 15.800 milhões.
Para fins comparativos, no ano anterior (2024), foram financiadas 568.163 unidades em um montante de R$ 186.671 milhões. Então as projeções sinalizam que teremos redução de unidades e montante financiado com esta fonte para o crédito imobiliário em 2025. Até porque na comparação do mesmo período de 2024 (janeiro a novembro), houve uma redução de 17,1% do montante financiado.
Entre as principais instituições financeiras que operacionalizam o Crédito Imobiliário, temos por ordem as seguintes para o período de janeiro a novembro de 2025: 1º – Itaú Unibanco – R$ 7.614,6 milhões e 25.460 unidades; 2º – Bradesco – R$ 7.379,6 milhões e 21.081 unidades; 3º – Caixa – R$ 6.095,5 – 36.764 unidades; 4º – Banco do Brasil – R$2.297,5 milhões e 6.350 unidades; 5º – BRB – R$ 2.083,4 milhões e 4.292 unidades; 6º – Safra – R$ 327,2 milhões e 1.361 unidades; 7º – Banrisul – R$ 296,0 milhões e 849 unidades; 8º – Banpará – R$ 57,2 milhões e 265 unidades e 9º – Poupex – R$ 8,8 milhões e 208 unidades. O banco que financiou em maior volume foi o Itaú Unibanco; já a Caixa foi a instituição que financiou a maior quantidade de unidades habitacionais.
É importante entendermos o cenário do financiamento imobiliário no Brasil, pois conforme divulgado pela Abecip, o IGMI-R Abecip mostra que a valorização dos imóveis residenciais acelerou no fim do ano e se espalhou pelas principais capitais do país, refletindo demanda aquecida e restrições de oferta. No acumulado de 2025, os preços cresceram bem acima da inflação e dos custos da construção.
A entidade comunicou, que o Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R Abecip) registrou alta de 1,52% em dezembro, acelerando em relação a novembro (1,15%), e encerrou 2025 com valorização acumulada de 18,64%, a maior variação anual desde o início da série histórica, em 2016. O resultado confirma a trajetória de aquecimento do mercado imobiliário residencial brasileiro, sustentada por demanda consistente e restrições estruturais de oferta.
A Abecip também informou que a aceleração foi disseminada: sete das dez capitais analisadas apresentaram variações mais intensas em dezembro, reforçando o caráter amplo do movimento de valorização dos imóveis residenciais ao longo do ano.
Estudos da Fundação Getúlio Vargas apontam que quesitos da sondagem sobre financiamento e destino na obtenção de crédito mostram ciclo de vendas elevadas, mas condições começam a mudar.
Em outubro do ano passado (2025), o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou alterações no modelo de direcionamento obrigatório dos recursos dos depósitos de poupança com o objetivo de possibilitar uma utilização mais eficiente dos recursos captados por meio desses depósitos e de outros instrumentos de captação, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e as Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs).
De forma complementar, o Banco Central (BC) promoveu mudanças na regulamentação que disciplina o recolhimento compulsório sobre os depósitos de poupança, possibilitando que até 5% dos saldos de poupança, ao serem utilizados para operações de crédito imobiliário, possam ser deduzidos da exigibilidade de recolhimento. A dedução prevista no compulsório guardará harmonia com os critérios de elegibilidade das operações de crédito imobiliário definidos para o novo modelo de direcionamento dos depósitos de poupança.
Em comunicado da época (out/2025), o Banco Central informou que espera uma ampliação na concessão de financiamentos imobiliários e do acesso ao crédito para aquisição da casa própria em condições adequadas, em especial para famílias de menor renda não contempladas por programas habitacionais, mantendo-se preservada a robustez das regras de originação das operações de crédito.
Ainda segundo o Banco Central do Brasil, o novo modelo de financiamento de crédito imobiliário viabiliza R$ 111 bilhões de recursos no primeiro ano, tornando disponíveis R$ 52,4 bilhões a mais, em relação ao modelo atual, para financiamento habitacional nesse período, dos quais R$ 36,9 bilhões de forma imediata.
Que isto ocorra neste ano de 2026, aumento de crédito imobiliário para atender a demanda da sociedade por unidades habitacionais.