O Banco Central do Brasil (BCB) divulgou recentemente a Agenda de Pesquisa 2026–2029, que é um documento de 37 (trinta e sete) páginas que estabelece os temas prioritários e estratégicos que orientarão a produção científica da Instituição nos próximos quatro anos. Neste breve ensaio, reproduzirei alguns pontos importantes da referida agenda e um dos aspectos abordados: Macroeconomia e Finanças. O segundo aspecto, que trata do Sistema Financeiro Nacional, será objeto do artigo seguinte.
Cabe registrar que conforme divulgado pela autoridade monetária do nosso país, a nova Agenda sucede o ciclo 2021–2024, período em que o BCB consolidou sua estrutura de pesquisa institucional e registrou resultados expressivos: 217 publicações, sendo 67 Trabalhos para Discussão, 79 artigos científicos, 59 boxes em relatórios e 12 postagens no BC Blog. Esse balanço evidencia a relevância e o impacto da produção científica do BC em temas centrais da política econômica.
Neste momento, o BCB aponta que a partir da experiência da construção da primeira agenda, a Agenda 2026–2029 foi elaborada à luz da missão institucional e dos objetivos estratégicos do BCB, incorporando avanços tecnológicos e desafios de um ambiente econômico mais dinâmico, complexo e interconectado. Recomendo a leitura do documento que conforme descrito pela própria instituição, mantém caráter orientativo, estimulando tanto a produção interna quanto a cooperação com universidades e centros de pesquisa no Brasil e no exterior.
Macroeconomia e Finanças – Para o BCB esta parte é voltada ao aprimoramento dos instrumentos analíticos e modelos que sustentam as decisões de política econômica, incluindo estudos sobre política monetária, modelagem macroeconômica, canais de transmissão, política fiscal e cambial, finanças e mercado de capitais. A Agenda enfatiza o uso de big data, inteligência artificial e machine learning em previsão e comunicação de política monetária.
Conforme consta no documento, o cumprimento da missão institucional do BCB exige o desenvolvimento contínuo de instrumentos analíticos e operacionais que sustentem decisões de política econômica eficazes e transparentes. Um destaque é dado para a estabilidade do poder de compra da moeda, a solidez do sistema financeiro e o bem-estar econômico da sociedade que na visão do BCB dependem de uma atuação técnica e baseada em evidências, especialmente em um contexto de crescente complexidade e volatilidade global.
Na abordagem específica do Ambiente Macroeconômico, o BCB defende que a análise do Produto Interno Bruto (PIB) é central para a formulação de políticas econômicas. Assim, o entendimento é o de que a pesquisa do BCB deve contemplar estudos sobre o PIB potencial, os determinantes de longo prazo do crescimento econômico e os fatores que influenciam a produtividade agregada.
Isto porque a nossa Autoridade Monetária aponta que o crescimento potencial do país representa a taxa de expansão sustentável da economia sem gerar pressões inflacionárias. Dessa forma, a mensuração do PIB potencial permite identificar o hiato do produto e os choques que afetam a trajetória do PIB.
No entendimento do BCB estimar com precisão essas variáveis é crucial para a condução da política monetária, pois permite avaliar em tempo real se a economia está operando acima ou abaixo de sua capacidade e tomar as medidas adequadas com acurácia e tempestividade. A perspectiva é a de que a pesquisa explore métodos estruturais e semiestruturais, ou outros métodos auxiliares que incorporem alguma explicação em termos de produtividade, demografia, capital humano e inovação. Com isso, a compreensão detalhada do crescimento potencial também é relevante para o debate sobre a taxa de juros neutra, que orienta decisões de política monetária em horizontes mais longos.
Vale registrar que oficialmente que calcula o PIB no Brasil é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que através do SCNT – Sistema de Contas Nacionais Trimestrais – divulga a evolução do PIB no tempo, comparando seu desempenho trimestre a trimestre e ano a ano.
Só para relembrar, o Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país, estado ou cidade, geralmente em um ano. Todos os países calculam o seu PIB nas suas respectivas moedas. O PIB do Brasil em 2024, por exemplo, foi de R$ 11,8 trilhões. No último trimestre divulgado (3º trimestre de 2025), o valor foi de R$ 3 235,7 bilhões. No quesito crescimento, o acumulado até o 3º trimestre de 2025, considerando-se 4 trimestres está em 2,7% e o PIB per capita está em R$ 51.693,92 na base de 2023.
No Banco Central do Brasil (BCB) é calculado mensalmente o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). Registre-se que desde fevereiro de 2025, além do tradicional indicador agregado, está sendo divulgada a abertura setorial do índice.
O IBC-Br se constitui em um indicador de periodicidade mensal que incorpora a trajetória das variáveis consideradas como proxies para o desempenho dos setores da economia brasileira.
A estimativa do IBC-Br incorpora a produção estimada para os três setores da economia acrescida dos impostos sobre produtos, que são estimados a partir da evolução da oferta total (produção + importações). A aderência da trajetória do IBC-Br ao comportamento do PIB, já é uma forma de compreensão e antecipação da análise da atividade.
Dessa forma, imagino que teremos mais novidades no cálculo do IBC-Br na lógica de antecipação do conhecimento do desempenho da economia brasileira.