ARACAJU/SE, 31 de janeiro de 2026 , 9:17:48

O emprego no setor de transporte rodoviário

Estudos recentes apontam que o Brasil enfrenta a falta de motoristas para atender as necessidades do setor. Os pontos mais citados para tal ocorrência são: envelhecimento da categoria e falta de jovens que se motivem para a profissão.

Alternativamente as empresas do segmento apostam na maior presença das mulheres, nos profissionais veteranos e nas novas tecnologias que tornam mais prazerosa a profissão. Além disso, o quesito de remuneração e benefícios que são oferecidos também poderiam ser atrativos para que mais jovens pudessem se dispor a buscarem a profissão de motorista. Estima-se que a remuneração média inicial de um motorista de caminhão é aproximadamente R$ 3.000,00, e dependendo do tipo de veículo e com a evolução da carreira um motorista de um veículo de grande porte e com muita tecnologia chegue a R$ 18.000,00.

Importante destacar que a variação salarial depende principalmente das funções desempenhadas, segmento da empresa, localidade, formação, experiência na função e política de cargos, salários e carreiras da empresa.

Dentro do segmento de transporte rodoviário, o que mais sente atualmente a falta de motorista é no setor carreteiro. Vale registrar que o motorista carreteiro atua com o transporte de mercadorias de todas as origens efetuando a movimentação dessas cargas entre indústrias, centros de distribuição, depósitos, operadores logísticos, atacadistas até o destino final. Podendo atuar no transporte a nível nacional, ou de forma regionalizada, devendo garantir a correta e segura disposição dos produtos na carroceria do caminhão.

Temos no Brasil uma situação de ampla existência de vagas de empregos disponíveis para os motoristas carreteiros em empresas de todos os segmentos e setores, como por exemplo indústrias, transportadoras, centros logísticos de distribuição, ou empresas que atuem no comércio atacadista e varejista e que possuam frota própria para transporte de produtos entre suas unidades. Esse profissional precisa ter conhecimento da legislação de trânsito além de possuir cursos na área de direção segura.

Para auxiliar na resolução do problema da falta de motoristas profissionais no Brasil, em janeiro de 2024, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, assinou um protocolo de intenções com o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa, com o objetivo de qualificar o público do Cadastro Único para a obtenção de carteiras profissionais para dirigir ônibus ou caminhões. O acordo assinado pautou-se na busca de atender as ofertas de emprego proporcionadas pelas empresas de transporte, viabilizando o preenchimento das vagas disponíveis e impulsionando a economia.

Dados recentes do painel de informações da CNT demonstram que o saldo líquido de empregos no setor de transportes no Brasil é de 790.535 posições. Sendo que os cinco Estados que mais possuem motoristas são: São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná e Bahia. Em termos Regionais, as Regiões Sudeste e Sul concentram 73,5% dos motoristas do país, a distribuição percentual é a seguinte: Sudeste (52,5%), Sul (21,0%), Centro-Oeste (11,0%), Nordeste (10,0%) e Norte (5,5%).

Destaque-se que além dos motoristas de caminhão, o setor de transportes envolve outras posições e funções, a exemplo de: auxiliar de logística, ajudante de motorista, assistente administrativo, auxiliar de escritório em geral, motorista de ônibus urbano, motorista de ônibus rodoviário, carregador de veículos, armazenista e garagista. Verifica-se que são várias opções e oportunidades que este importante segmento econômico oferece para empregar as pessoas.

Este cenário é desafiante para as empresas porque as estatísticas estão demonstrando um envelhecimento da categoria e desinteresse dos jovens. Segundo dados da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), a idade média dos motoristas brasileiros evoluiu de 42 anos em 2014 para 48 anos em 2025. Além disso, a CNT revela que menos de 15% dos novos profissionais têm menos de 30 anos.

O SEST/SENAT de cada estado possui uma página importante na rede mundial de computadores denominada Emprega Transporte que auxilia na conexão entre quem procura emprego no setor de transportes e quem precisa de colaboradores/empregados no setor de transporte. Na página é possível fazer um cadastro, criar um currículo e pesquisar uma vaga no setor de transportes.

O Serviço Social do Transporte e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SEST/SENAT) oferecem diversos cursos gratuitos para mobilizar futuros empregados para as empresas do segmento, na lógica de capacitação e formação profissional com instrutores experientes no mercado. Na questão da modalidade, os cursos presenciais também são oferecidos no formato WebAula. São as mesmas aulas, mas com transmissão ao vivo para quem prefere estudar online, de qualquer lugar do país. Existe também, uma plataforma de cursos online para quem quer aprender com autonomia, são mais de 200 cursos para estudar no tempo e no ritmo de cada pessoa.

A maior presença das mulheres no setor de transporte rodoviário, via a inclusão socioeconômica, pode auxiliar na redução do déficit de motoristas do Brasil. Mesmo com o status atual de que o segmento de transporte rodoviário no Brasil segue majoritariamente masculino, entendo ser possível mudar o quadro em pouco tempo, especialmente por várias iniciativas empresariais para inclusão das melhores, a exemplo do projeto “Elas no Volante”, da LOTS Group, que tem ampliado a participação e o reconhecimento das mulheres. O projeto foi lançado em 2021, já qualificou mais de 60 motoristas e elevou a presença feminina na empresa, subindo de 5% para 10% do quadro de condutores. Além deste exemplo específico de uma empresa, sabe-se que conforme a Associação Brasileira de Condutoras de Veículos (ABCV), o quantitativo de motoristas do sexo feminino cresceu 180% nos últimos cinco anos, mas ainda estamos distantes do equilíbrio, pois dados da ABCV apontam que as mulheres representam menos de 5% da categoria, mas referido percentual tender a aumentar. Que tenhamos aumento de trabalhadores no segmento de transporte rodoviário no Brasil.