Abordarei neste ensaio algumas informações importantes do Comércio Exterior brasileiro neste início de 2026, conforma dados coletados na Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).
Conforme dados da SECEX, em janeiro/2026, comparado a igual mês do ano anterior, as exportações caíram -1,0% e somaram US$ 25,15 bilhões. As importações caíram -9,8% e totalizaram US$ 20,81 bilhões. Assim, a balança comercial registrou superávit de US$ 4,34 bilhões, com crescimento de 85,8%, e a corrente de comércio diminuiu -5,1%, alcançando US$ 45,96 bilhões.
Exportações – em janeiro/2026, o desempenho dos setores foi o seguinte: crescimento de 2,1% em Agropecuária, que somou US$ 3,87 bilhões; queda de -3,4% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 7,07 bilhões e, por fim, queda de -0,5% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 14,08 bilhões. A combinação destes resultados levou à queda do total das exportações.
A SECEX aponta que a retração das exportações foi puxada, principalmente, pela queda nas vendas dos seguintes produtos: Trigo e centeio, não moídos (-33,6%), Café não torrado (-23,7%) e Algodão em bruto (-31,2%) na Agropecuária; Minério de ferro e seus concentrados (-8,6%), Minérios de níquel e seus concentrados (-100%) e Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus (-7,8%) na Indústria Extrativa ; Açúcares e melaços (-27,2%), Tabaco, descaulificado ou desnervado (-50,4%) e Alumina (óxido de alumínio), exceto corindo artificial (-54,6%) na Indústria de Transformação.
A SECEX também descreve que ainda que o resultado das exportações tenha sido de queda, os seguintes produtos registraram aumento nas vendas: Animais vivos, não incluído pescados ou crustáceos (140,7%), Milho não moído, exceto milho doce (18,8%) e Soja (91,7%) na Agropecuária; Minérios de cobre e seus concentrados (101,1%), Outros minérios e concentrados dos metais de base (22,8%) e Minérios de metais preciosos e seus concentrados (2.035,9%) na Indústria Extrativa ; Carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (42,5%), Motores e máquinas não elétricos, e suas partes (exceto motores de pistão e geradores) (591,9%) e Ouro, não monetário (excluindo minérios de ouro e seus concentrados) (102,9%) na Indústria de Transformação.
Importações – em janeiro/2026, o desempenho das importações por setor de atividade econômica foi o seguinte: queda de -28,7% em Agropecuária, que somou US$ 0,44 bilhões; queda de -30,2% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 0,77 bilhões e, por fim, queda de -8,2% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 19,45 bilhões. A combinação destes resultados motivou a queda das importações.
O movimento de queda nas importações foi influenciado pela redução das compras dos seguintes produtos: Trigo e centeio, não moídos (-35,5%), Cacau em bruto ou torrado (-86,3%) e Látex, borracha natural, balata, guta-percha, guaiúle, chicle e gomas naturais (-47,4%) na Agropecuária; Carvão, mesmo em pó, mas não aglomerado (-4,1%), Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus (-49,8%) e Gás natural, liquefeito ou não (-15,8%) na Indústria Extrativa ; Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) (-17,5%), Motores e máquinas não elétricos, e suas partes (exceto motores de pistão e geradores) (-66,8%) e Partes e acessórios dos veículos automotivos (-20,4%) na Indústria de Transformação.
Para a SECEX, ainda que o resultado das importações tenha sido de queda, os seguintes produtos tiveram aumento: Arroz com casca, paddy ou em bruto (3.833,4%), Milho não moído, exceto milho doce (6,5%) e Centeio, aveia e outros cereais, não moídos (129,2%) na Agropecuária; Fertilizantes brutos (exceto adubos) (4,5%), Outros minérios e concentrados dos metais de base (101,9%) e Linhita e turfa (43,8%) na Indústria Extrativa ; Outros medicamentos, incluindo veterinários (12,1%), Cobre (63,9%) e Veículos automóveis de passageiros (106,2%) na Indústria de Transformação.
Os principais parceiros comerciais do Brasil foram os seguintes:
Argentina – As exportações para a Argentina, no mês de janeiro/2026, caíram -24,5% e somaram US$ 0,91 bilhões. As importações diminuíram -13,6% e totalizaram US$ 0,77 bilhões. Logo, a balança comercial com este parceiro comercial apresentou superávit de US$ 0,15 bilhões e a corrente de comércio diminuiu -19,9% alcançando US$ 1,68 bilhões.
China – As exportações para a China no mês de janeiro/2026, cresceram 17,4% e somaram US$ 6,47 bilhões. As importações diminuíram -4,9% e totalizaram US$ 5,75 bilhões. Assim, a balança comercial com este parceiro comercial apresentou superávit de US$ 0,72 bilhões e a corrente de comércio aumentou 5,7% alcançando US$ 12,23 bilhões.
Estados Unidos – As exportações para os Estados Unidos, em janeiro/2026, caíram -25,5% e somaram US$ 2,40 bilhões. As importações diminuíram -10,9% e chegaram a US$ 3,07 bilhões. Assim, a balança comercial com este parceiro comercial resultou num déficit de US$ -0,67 bilhões e a corrente de comércio registrou queda de -18,0% alcançando US$ 5,47 bilhões.
União Europeia – As vendas para a União Europeia caíram -6,2% e chegaram a US$ 3,92 bilhões. As importações diminuíram -11,5% e totalizaram US$ 3,62 bilhões. Assim, a balança comercial com este bloco resultou num superávit de US$ 0,31 bilhão e a corrente de comércio diminuiu -8,8% alcançando US$ 7,54 bilhões.
Fica evidenciado neste primeiro mês de 2026 que a balança comercial brasileira começa bem em face de um crescimento de 85,8% e melhoria nas relações comerciais do Brasil com a Argentina, que apresentou um superávit de US$ 0,15 bilhões; com a China, que apresentou superávit de US$ 0,72 bilhões e com a União Europeia, que apresentou superávit de US$ 0,31 bilhões.