ARACAJU/SE, 14 de janeiro de 2026 , 13:55:46

2025 foi o terceiro ano mais quente da história, diz observatório europeu

 

O ano de 2025 foi o terceiro mais quente já registrado no planeta, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo observatório europeu Copernicus e pelo instituto norte-americano Berkeley Earth. As duas instituições alertam que 2026 deve permanecer em patamares historicamente elevados, reforçando a tendência de aquecimento acelerado observada nos últimos anos.

De acordo com o relatório anual do Copernicus, a temperatura média global vem se mantendo há três anos em níveis inéditos na história da humanidade. Pela primeira vez, a média do período superou em mais de 1,5 °C o nível pré-industrial — um marco simbólico no debate climático internacional.

“O aumento brutal registrado entre 2023 e 2025 foi extremo e aponta para uma aceleração do aquecimento global”, alertaram os cientistas do Berkeley Earth.

Desde o ano passado, a ONU, climatologistas e autoridades políticas vêm reconhecendo publicamente que o planeta caminha para um aquecimento duradouro de 1,5 °C, limite estabelecido pelo Acordo de Paris há uma década. Com três anos consecutivos nesse patamar, o Copernicus considera provável que a superação permanente desse limite se confirme “antes do fim da década, ou seja, mais de dez anos antes do previsto”.

O cenário é agravado por um contexto político desfavorável. A aceleração do aquecimento coincide com o enfraquecimento da cooperação climática internacional, após os Estados Unidos — segundo maior emissor de gases de efeito estufa — retomarem uma política centrada no petróleo sob Donald Trump. Nos países ricos, o combate às emissões também perde força: Alemanha e França registraram estagnação na redução de gases em 2025, enquanto o aumento de usinas a carvão nos EUA elevou novamente a pegada de carbono do país.

“A urgência de agir diante da mudança climática nunca foi tão premente”, afirmou Mauro Facchini, chefe da unidade Copernicus, em entrevista coletiva.

Tendência para 2026

As projeções indicam que o próximo ano seguirá a mesma trajetória. Samantha Burgess, diretora-adjunta de mudança climática do Copernicus, avalia que “2026 será um dos cinco anos mais quentes já registrados” e que “provavelmente será comparável a 2025”.

Os climatologistas do Berkeley Earth também estimam que 2026 “provavelmente será semelhante a 2025, com o cenário mais provável de se tornar o quarto ano mais quente desde 1850”. Caso o fenômeno El Niño volte a se manifestar, “poderá transformar 2026 em um ano recorde”, disse à AFP Carlo Buontempo, diretor de mudança climática do Copernicus. Para ele, porém, o essencial é a tendência: “Seja em 2026, 2027 ou 2028, isso não muda muita coisa. A trajetória é muito, muito clara”.

Recordes regionais

Em 2025, a temperatura média do ar sobre terras e oceanos ficou 1,47 °C acima do nível pré-industrial, abaixo apenas dos 1,60 °C registrados em 2024, o ano mais quente da série histórica. Por trás dessa média global, acumulam-se recordes regionais, especialmente na Ásia Central, na Antártida e no Sahel, segundo análises da AFP com base em dados do serviço europeu.

O ano também foi marcado por uma sucessão de eventos extremos — ondas de calor, ciclones e tempestades intensas na Europa, Ásia e América do Norte, além de incêndios de grandes proporções na Espanha, no Canadá e na Califórnia — cuja frequência e intensidade são amplificadas pelo aquecimento global.

A queima crescente de petróleo, carvão e gás fóssil segue como principal responsável pelo aumento das temperaturas. O cientista Robert Rohde, do Berkeley Earth, chama atenção ainda para fatores adicionais que podem estar contribuindo para o aquecimento, mesmo que em menor escala. Entre eles, a norma internacional que reduziu, a partir de 2020, o teor de enxofre do combustível marítimo. A medida diminuiu a emissão de aerossóis que antes favoreciam a formação de nuvens claras capazes de refletir a radiação solar, exercendo um efeito de resfriamento sobre o planeta.

Fonte: O Globo

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