O primeiro caça supersônico produzido no Brasil, o F-39 Gripen, foi apresentado nesta quarta-feira (25) na unidade da Embraer, em Gavião Peixoto (SP), em cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin. Desenvolvida em parceria com a sueca Saab, a aeronave marca a entrada do Brasil no seleto grupo de países capazes de fabricar aviões de combate supersônicos.
Além disso, a sueca Saab, parceira da Embraer na fabricação dos caças, já prevê que o Brasil pode se tornar um hub para exportações do Gripen.
Montado no país a partir de um acordo de transferência de tecnologia firmado em 2014 — que prevê a aquisição de 36 aeronaves por cerca de US$ 4 bilhões — o programa Gripen envolve a modernização da frota da Força Aérea Brasileira (FAB) e já mobilizou cerca de 300 engenheiros brasileiros treinados na Suécia. Ao todo, pelo menos 15 caças devem ser produzidos em território nacional, enquanto 11 unidades já foram entregues com fabricação no exterior.
Durante a cerimônia, o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, destacou o caráter estratégico do projeto.
“A fabricação do Gripen é um marco histórico na bem sucedida parceria entre a Embraer e a Saab, fortalecendo a capacidade técnica do Brasil e abrindo novas oportunidades de exportações do Gripen, como para a Colômbia, assim como o KC 390, em mercados exigentes”, disse.
Já o CEO da Saab, Bengt Micael Johansson, ressaltou o ineditismo da produção fora da Suécia. “Esse movimento coloca o Brasil num grupo selecionado de nações capazes de produzir aviões de combate, demonstrando a força e maturidade da indústria brasileira. Esses compromissos foram cumpridos plenamente e é a primeira vez desde 1937 que esses aviões estão sendo fabricados fora da Suécia”, afirmou.
Com velocidade de até 2,4 mil km/h — cerca de duas vezes a do som —, o Gripen pode permanecer no ar por até duas horas e meia e realizar reabastecimento em voo, ampliando significativamente seu alcance operacional. Em testes recentes, a aeronave foi abastecida pelo cargueiro KC-390, também da Embraer, consolidando uma capacidade estratégica inédita no país.
Além do desempenho, o caça incorpora sistemas avançados de combate e armamentos de última geração. Entre eles está o míssil Meteor, considerado um dos mais letais do mundo, já testado pela FAB em lançamentos reais. A aeronave também realizou, pela primeira vez no Brasil, tiro aéreo com canhão e ensaios com bombas guiadas a laser, ampliando sua capacidade de ataque ao solo.
A consolidação operacional do Gripen ocorreu após uma série de marcos recentes, como a certificação do reabastecimento em voo durante a Operação Samaúma, o lançamento real do Meteor no Exercício BVR-X e a validação do uso de armamentos em território nacional. Esses avanços colocam a FAB em um novo patamar de prontidão e poder dissuasório.
O ministro da Defesa, José Múcio, classificou o programa como o maior acordo de cooperação da história da FAB, com potencial impacto positivo na balança comercial. Já Alckmin destacou o papel da indústria de defesa na inovação e lembrou que o BNDES dispõe de R$ 108 bilhões em linhas de financiamento para empresas do setor.
A produção do Gripen no Brasil ocorre em três etapas — montagem estrutural, final e preparação para voo — e envolve cerca de 200 profissionais, além de uma cadeia industrial que inclui empresas nacionais e estrangeiras. Com mais de 22,5 mil componentes, a aeronave substitui os antigos caças F-5 e passa a atuar em missões de defesa aérea, reconhecimento e ataque.
Considerado um dos projetos mais avançados da Base Industrial de Defesa brasileira, o F-39 Gripen consolida a transferência de tecnologia, amplia a autonomia estratégica do país e posiciona o Brasil entre os poucos no mundo com domínio sobre a produção de caças de alta tecnologia.
Fonte: O Globo





