ARACAJU/SE, 31 de agosto de 2025 , 12:54:34

Agosto chega ao fim, mas mantém fama de mês do desgosto

Agosto chega ao fim neste domingo, mas não sem deixar sua fama de “mês do desgosto”. A morte da princesa Diana, em 31 de agosto de 1997, é uma tragédia que ainda ecoa como um marco de perdas no mês. No Brasil, a história também lembra o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, e, em Sergipe, o torpedeamento de três navios brasileiros pelo submarino alemão U-507, em 1942, além do assassinato do líder político Fausto Cardoso, em 1906.

Desde os tempos coloniais, a ideia de que “casar em agosto traz desgosto” nasceu em Portugal no século XVI, quando as caravelas partiam nesse período para longas viagens. Muitas noivas recém-casadas viam seus maridos partirem sem volta, e a associação entre o mês e a infelicidade se consolidou. No Brasil, a tradição popular ainda fala no “mês do cachorro louco”, por conta do aumento de casos de raiva canina. Mas não é só o folclore que mantém essa fama: fatos históricos e tragédias marcantes parecem reforçar a mística em torno de agosto.

No Brasil, talvez o episódio mais emblemático seja o suicídio de Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. Sua morte trágica, registrada em uma carta-testamento que entrou para a história, mergulhou o país em comoção. Sete anos depois, em agosto de 1961, outra crise política abalou o país com a renúncia inesperada de Jânio Quadros, alegando agir pressionado por “forças ocultas”. Em 22 de agosto de 1976, o ex-presidente Juscelino Kubitschek perdeu a vida em um acidente de carro na Via Dutra, fato cercado de controvérsias até hoje.

Mais recentemente, em 13 de agosto de 2014, a política brasileira foi novamente abalada pela morte do presidenciável Eduardo Campos em um acidente aéreo em Santos (SP). Na aeronave estavam ainda o sergipano Pedrinho Valadares, assessor e ex-deputado federal; Alexandre Severo e Silva, fotógrafo; Carlos Augusto Leal Filho, assessor; Marcelo de Oliveira Lyra, cinegrafista; e os pilotos Geraldo Magela Barbosa da Cunha e Marcos Martins.

Em Sergipe, agosto também deixou marcas profundas. Nas madrugadas dos dias 15 e 16 de agosto de 1942, a costa sergipana foi palco de uma das mais chocantes tragédias da Segunda Guerra Mundial. O submarino alemão U-507 torpedeou três navios brasileiros — o Baependy, o Araraquara e o Aníbal Benévolo — a menos de dez quilômetros do litoral de Aracaju, causando aproximadamente 600 mortes. O impacto foi tão grande que essas mortes impulsionaram o Brasil a declarar guerra ao Eixo no final daquele mês. As vítimas que não puderam ser identificadas foram enterradas na praia, em um espaço que se tornaria o Cemitério dos Náufragos, hoje monumento solene à memória dos que se perderam.

Outro agosto sombrio em Sergipe remete ao dia 28 de agosto de 1906, quando o deputado e líder político Fausto Cardoso foi assassinado em Aracaju durante um confronto armado. Ferido fatalmente, considerado mártir da luta democrática, proferiu sua última frase: “Bebo a alma de Sergipe. Morro, mas a vitória é nossa, sergipanos”. O episódio deixou marcas profundas na capital, com repercussões políticas e emocionais que ecoaram por anos, perpetuadas em monumentos e na memória coletiva dos sergipanos.

No cenário internacional, o mês também acumula tragédias. Em 6 e 9 de agosto de 1945, as bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki mudaram para sempre a história da humanidade, ceifando centenas de milhares de vidas. Já em 1961, foi em agosto que a Alemanha Oriental iniciou a construção do Muro de Berlim, que se tornaria símbolo da Guerra Fria. Ainda mais distante no tempo, em 24 de agosto de 1572, Paris foi palco da Noite de São Bartolomeu, massacre que vitimou milhares de protestantes. Na Antiguidade, em 24 de agosto do ano 79 d.C., a erupção do Vesúvio soterrou as cidades de Pompeia e Herculano.

Outras tragédias também ajudaram a reforçar a má fama. Em 31 de agosto de 1997, a morte da princesa Diana em um acidente de carro em Paris provocou uma onda de comoção mundial. Em 2005, no fim de agosto, o furacão Katrina devastou Nova Orleans, nos Estados Unidos, deixando mais de 1.800 mortos e milhares de desabrigados. Em 2017, no dia 14, um deslizamento em Serra Leoa causado por chuvas intensas matou mais de 300 pessoas e destruiu comunidades inteiras.

Nos últimos anos, a lista não parou de crescer. Em agosto de 2023, o Brasil viveu apagões em todo o território nacional, acidentes de transporte e tragédias ambientais. Já em 2024, o país se despediu de Silvio Santos, viu incêndios devastarem a Chapada dos Veadeiros e registrou a queda de um avião da Voepass em São Paulo, com dezenas de vítimas.

Para os mais céticos, a fama de agosto não passa de coincidência, reforçada pela memória seletiva que destaca os episódios negativos. Já para os supersticiosos, é melhor não arriscar: agosto é um mês em que decisões importantes devem ser evitadas. Entre o mito e a realidade, o “mês do desgosto” segue carregando um peso simbólico difícil de ignorar, com uma sequência de acontecimentos que parecem sempre dar razão ao ditado popular.

 

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