O Banco Central do Brasil decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank, por extensão da liquidação do Banco Master, determinada em novembro de 2025.
A decisão consta de ato assinado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, e tem como fundamento o “comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse, evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master” sobre a instituição.
Com a liquidação, os CDBs emitidos pela Will Financeira passam a estar cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), até o limite de R$ 250 mil por CPF. Procurado, o fundo não se manifestou até a publicação desta reportagem.
O FGC começou a realizar os pagamentos referentes aos CDBs do Master nesta semana, após dois meses de espera. O FGC deve desembolsar cerca de R$ 40,6 bilhões para aproximadamente 800 mil investidores, no maior pagamento de garantia já realizado. Até o momento, cerca de 600 mil pedidos já foram registrados, e 448 mil credores finalizaram o processo de solicitação da garantia.
O Banco Central nomeou como liquidante a EFB Regimes Especiais de Empresas Ltda., o mesmo do Banco Master. O BC informou ainda que, em decorrência da liquidação, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da Will Financeira, que incluem:
- Daniel Vorcaro
- Armando Miguel Gallo Neto
- Felipe Wallace Simonsen
- Will Holding Financeira
- Master Holding Financeira
- 133 Investimentos e Participações
Também tiveram os bens bloqueados os ex-administradores Felipe Felix Soares de Sousa e Ricardo Saad Neto.
A liquidação da Will Financeira amplia os efeitos do processo iniciado contra o Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada em 18 de novembro de 2025, e ocorre no contexto das medidas adotadas pela autoridade monetária para encerrar as atividades de instituições consideradas insolventes e preservar o funcionamento do sistema financeiro.
A liquidação extrajudicial é adotada quando o BC conclui que a situação da instituição é irrecuperável. Nesse regime, o funcionamento é interrompido, a instituição é retirada do sistema financeiro nacional e os bens dos controladores e ex-administradores se tornam indisponíveis. Isso difere da administração especial temporária, em que as atividades são preservadas, apesar da perda de mandato dos dirigentes.
O que é o Will Bank
Criado em 2017 e adquirido pelo Banco Master em 2024, o Will Bank encerrou o primeiro semestre com R$ 14,4 bilhões em ativos, prejuízo de R$ 244,7 milhões e patrimônio líquido em torno de R$ 300 milhões, segundo dados do Banco Central. Em setembro, a instituição tinha R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo e não mantinha depósitos à vista.
A liquidação da Will Financeira ocorre após o Banco Central ter preservado a instituição quando decretou a liquidação do Banco Master, em 18 de novembro de 2025. Na ocasião, o regulador avaliou que havia interessados na compra do negócio, o que permitiria manter o banco sob regime de administração especial temporária por até 120 dias. A venda, no entanto, não se concretizou.
Antes mesmo do anúncio oficial da liquidação, a bandeira Mastercard deixou de aceitar transações realizadas com cartões emitidos pelo Will Bank, após operações feitas por clientes não terem sido honradas pelo banco junto a participantes do arranjo de pagamento. A Mastercard também executou garantias relacionadas a dívidas do Will Bank e passou a deter participações relevantes na varejista Westwing e no BRB (Banco de Brasília).
Fonte: InfoMoney




